Antero de Figueiredo 1866 - 1953
16-12-2016
Exposição

Na passagem do 150.º aniversário do nascimento do escritor Antero de Figueiredo, a Biblioteca Pública Municipal do Porto - que conserva um significativo espólio do Autor legado pela sua filha, Teresa de Figueiredo, em 1980 - apresenta ao público a obra completa de Antero de Figueiredo acompanhada de alguns papéis manuscritos e impressos relacionados com a edição e repercussão pública dos seus livros e alguma correspondência trocada com outras figuras notáveis do seu tempo, como Teixeira de Pascoaes e José Régio e, ainda, editores estrangeiros.
O espólio de Antero de Figueiredo na Biblioteca Pública Municipal do Porto é constituído por cerca de 12 500 peças destacando-se cartas recebidas (de Teixeira de Pascoaes, João Penha, António Nobre, Aquilino Ribeiro, etc.), cartas enviadas (a Alberto de Oliveira, Campos Monteiro, Júlio Dantas, além de outros nomes), correspondência de terceiros (Camilo Castelo Branco, Bernardino Machado entre outros); recortes de imprensa, documentos biográficos, manuscritos de terceiros (como os de Antero de Quental), fotografias, a biblioteca particular com 8 000 volumes, da qual consta todos os livros que Antero de Figueiredo escreveu.
Antero de Figueiredo frequentou o curso de Medicina na Universidade de Coimbra, onde conviveu com os espíritos mais marcantes da Academia, como António Nobre, Alberto de Oliveira, Agostinho de Campos, João Penha e António Fogaça.
Tendo interrompido os estudos por doença, viajou pela Espanha, França, Itália, Estados Unidos e Inglaterra. Foi durante a sua permanência na América que escreveu o seu primeiro livro, o poema em prosa Trístia, que veio a ser prefaciado por João Penha e com o qual fez a sua estreia literária.
Regressado a Portugal, matriculou-se no Curso Superior de Letras de Lisboa, concluindo os estudos em 1895, com as mais altas classificações. Durante alguns meses foi director da Escola de Belas-Artes do Porto (1918) e pertenceu, desde 1911, à Academia das Ciências de Lisboa.
Senhor de uma fina sensibilidade plástica apurou-se na descrição de paisagens e personagens, compondo grandes frescos históricos, numa linguagem que alia o requinte à sobriedade, a erudição à observação pessoal. Legou-nos impressões de viagens, novelas passionais vagamente camilianas, em que o lirismo romântico se combina com a exacerbação carnal, e cuidadas reconstituições históricas. Na última fase, a sua ficção tornou-se uma apologética do catolicismo, procurando reencontrar a fé pelos caminhos da arte. Tentou também o teatro, com a peça Estrada Nova (1900), mas abandonou completamente este género.
Os seus títulos mais significativos serão: Recordações e Viagens, D. Pedro e D. Inês, Cómicos, Miradouro, Fátima, O Último Olhar de Jesus, Non Sum Dignus.


Antero de Figueiredo, 1866 - 1953
Espólio na Biblioteca Pública Municipal do Porto   
Exposição | 15 de novembro de 2016 a 31 de janeiro de 2017
Biblioteca Pública Municipal do Porto
Seg. a Sáb., das 10h00 às 18h00