Património Arqueológico
09-11-2016

A partir dos anos 1980, intervenções arqueológicas realizadas no Centro Histórico do Porto trouxeram à luz do dia vestígios de antigas ocupações, tendo sido detetados na Rua de D. Hugo (Sé) os primeiros vestígios do castro e do aglomerado da época romana, confirmando assim a antiguidade do núcleo original da cidade.

Fruto da necessidade de salvaguarda desse património, mais sensível às transformações do espaço urbano, surgiram os serviços municipais de arqueologia, coordenando as muitas centenas de intervenções que desde então têm vindo a ocorrer em vários pontos da cidade, e implementando a política de salvaguarda do património arqueológico encetada pelo Município do Porto e inscrita no seu plano diretor municipal.

A partir dos resultados dessas escavações sabemos hoje muito mais sobre os antigos ocupantes do atual espaço urbano, da Idade do Bronze (c. 1800 a.C.) à cidade moderna e industrial. Temos informações mais precisas sobre as origens do castro da Sé, que remonta ao Bronze Final, e da muralha que o envolvia, e todos os anos a Arqueologia revela novos dados sobre Cale, a povoação que sucedeu ao antigo castro, depois civitas de Portucale, com a sua muralha e arquiteturas, como o grande edifício descoberto na Casa do Infante.

Fora da chamada zona histórica surgem, a cada passo, vestígios arqueológicos de grande importância para a história do Porto, como o sítio das Areias Altas, com cerca de 4.000 anos, situado próximo do mar, e os vestígios da época romana em Massarelos e em Lordelo, passagem de uma provável via romana, entre outros.

Destas intervenções resultou um vasto e valioso espólio arqueológico que constitui a reserva material da memória da cidade, um património que, a par dos registos das escavações, nos permitem conhecer com crescente rigor a forma como evoluiu o atual espaço urbano ao longo dos tempos.

 

PDM - Carta do Património - Perímetros de Proteção Arqueológica