Delegação francesa ligada à habitação e à reabilitação urbana recebida na Câmara
O Presidente da Câmara Municipal do Porto recebeu hoje, nos Paços do Concelho, uma delegação de representantes de várias instituições públicas e privadas francesas da área da habitação e da reabilitação, que se deslocou ao Porto com o objetivo de conhecer "in loco" a realidade e o trabalho desenvolvido na cidade pela CMP, no que respeita à habitação social e à reabilitação urbana.
A representação gaulesa composta por uma associação de empresas responsável pelo alojamento de mais de cinco milhões de franceses, visitou com particular interesse a empresa municipal DomusSocial, que gere o parque habitacional camarário, onde habita cerca de 18 por cento da população que dorme no Porto e que, ao longo dos anos, foi "aprimorando" - como referiu Rui Rio - o seu modelo de atuação, acumulando assim um "know how"
apreciável mesmo fora do país, no que respeita à reabilitação dos bairros sociais.
A apresentação organizacional da empresa esteve a cargo de Matilde Alves, Presidente do respetivo Conselho de Administração e Vereadora da Habitação.
"Fomos aperfeiçoando muito [o trabalho desenvolvido na DomusSocial] e hoje temos um 'know how' grande na reabilitação dos bairros. Hoje fazemos melhor do que no início e as reclamações dos moradores relativamente às obras que vão sendo feitas são hoje muito menores, porque nos fomos aprimorando e fazendo exigências novas aos empreiteiros, etc.", descreveu o Presidente da CMP.
Após a receção na Câmara, a delegação francesa efetuou ainda visitas de trabalho aos bairros Pio XII (Campanhã) e Rainha D. Leonor (Lordelo do Ouro).
"Vieram colher uma experiência, na vertente social e da reabilitação. Não quer dizer que seja melhor do que a deles, mas vêm perceber como as coisas funcionam, porque aquilo que é do conhecimento em França é que a cidade do Porto tem uma experiência grande em matéria de reabilitação", explicou Rui Rio.
Reabilitação do Lagarteiro vai ser concluída
À margem da receção à comitiva francesa, o Presidente da CMP, interrogado pelos jornalistas, confessou-se preocupado com a situação do bairro do Lagarteiro, garantindo que a reabilitação daquele aglomerado urbano irá ser concluída pela Câmara, nem que seja apenas com dinheiro da autarquia. Assegurou, a propósito, não ter desistido de convencer "Lisboa" a apoiar as obras que faltam.
"Tenho feito um esforço e vou continuar a fazer um esforço a ver se consigo explicar em Lisboa que as pessoas dos cinco blocos do Lagarteiro que não foram reabilitados se sentem injustiçadas e que, no todo do problema nacional, não estamos a falar de nada que seja decisivo para o país", afirmou, revelando tratar-se de um investimento na ordem dos 1,3 a 1,4 milhões de euros, mas que foi inviabilizado depois de o Instituto de Habitação e Reabilitação Urbana (IHRU) ter decidido suspender o projeto Bairros Críticos, alegando falta de verbas.
"Não digo que reabilito já os cinco blocos porque, a meio de um exercício orçamental, cortaram 5% do IMI, cortam o Prohabita todo (mesmo das obras que estão a decorrer nos outros bairros) e cortam o Lagarteiro. São muitos milhões de euros. Por isso é que é um problema", frisou, manifestando-se contudo, confiante, em poder, até ao fim do mandato, proceder à reabilitação pelo menos dos alguns dos blocos que ainda falta intervencionar (cinco de um total de 13).