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JN endurece oposição: Director Adjunto manifesta-se contra a Câmara |
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O Jornal de Notícias voltou, nas últimas semanas, a dar maior visibilidade à sua oposição à Câmara do Porto, tendo, inclusive, o seu Director Adjunto, David Pontes, participado activamente na manifestação contra Rui Rio à porta do Rivoli na passada 5ª feira.
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Numa atitude, até à data, inédita e empunhando um R na mão, o dirigente do JN assumiu,
na Praça D.João I a frontal oposição política à Câmara do Porto e ao seu Presidente.
Em coerência com esta estratégia, na edição do dia seguinte, 15 de Junho, o JN dedicou a manchete do jornal à manifestação promovida pelo grupo dos chamados “ocupas” à porta do Rivoli, marcada exactamente para a mesma hora em que o teatro se enchia para a estreia da peça encenada por Filipe La Féria, “Jesus Cristo Superstar”.
Sob o título “Silêncio na estreia de La Féria”,
ilustrado com uma grande foto da manifestação, o matutino
destaca ainda na sua primeira página
justamente o contrário de silêncio, anunciando que “manifestação sem alarido contra cedência do Teatro Municipal Rivoli acaba com vaias e assobios a Rui Rio”.
Critérios diferentes para “vaias e assobios”
Curiosamente, em matéria de vaias e assobios, o JN aplicou, em coerência com a sua linha político-editorial, critérios diferentes consoante os destinatários desses mesmos assobios.
Enquanto que neste caso deu elevado destaque ao facto do Presidente da Câmara do Porto ter sido assobiado por causa da estreia de uma peça de teatro, ainda há poucos dias, aquando das comemorações do 10 de Junho,
o jornal decidiu esconder
dos seus leitores as vaias de que foi alvo o Primeiro-Ministro, José Sócrates. O JN foi mesmo o único órgão de comunicação social a praticamente omitir o sucedido, sendo que nessa manifestação em Setúbal não terá participado nenhum dirigente do jornal, ao contrário da manif contra a Câmara do Porto.
No interior da edição de 15 de Junho, em mais uma peça critica da jornalista Helena Teixeira da Silva, o
JN insiste com mais um título
“Rui Rio assobiado na estreia de Jesus Cristo Superstar”,
numa notícia de página inteira, em que mais uma outra foto apresenta o grupo de manifestantes de R na mão.
Ao longo da peça, a jornalista vai seleccionando a informação, tentando criar a ideia de que a cidade está contra a decisão do autarca de acolher no teatro Rivoli o produtor Filipe La Féria, não dando notícia aos leitores do verdadeiro espectáculo que, entretanto, decorria no interior do teatro.
Logo no segundo parágrafo, afirma que o espectáculo preparado para a Praça D. João I “provocou animosidade”
e que a escolha do encenador para ocupar o equipamento foi “decidida unilateralmente pelo executivo de Rui Rio”.
Para além de não ser conhecida qualquer agitação para lá da manifestação convocada pelos denominados “ocupas”, HTS não explica como é que um Executivo poderia tomar decisões bilaterais, ou mesmo trilaterais de forma a que o JN não as acuse de unilaterais.
JN diz que a “cidade ficou de fora”
Para acentuar o tom crítico, HTS acrescenta que “a cidade ficou literalmente, de fora”,
sugerindo que no Rivoli poderiam estar 280 mil pessoas, apesar da sua lotação, que se encontrava totalmente esgotada, só permitir 750; e ignorando que a peça estará em exibição até Dezembro a preços acessíveis.
Mais à frente, e em linguagem de cariz mais militar, o JN insiste nos assobios, afirmando que Rui Rio foi “vaiado com uma rajada de assobios”
aos gritos de “vergonha”.
Na peça, a jornalista não explica qual a vergonha em causa.
Tentado dar força à contestação e às cerca de 350 pessoas que ela envolveu, HTS classifica ainda a manifestação como espontânea. Apesar de David Pontes e da actriz Carla Miranda, – candidata à Câmara e à Assembleia Municipal pelo PS - serem dos cidadãos com mais notoriedade pública e política presentes na “Manif”, HTS prefere ouvir o cidadão José Luís Ferreira, apresentado como um dos porta-vozes da “espontânea” manifestação, cuja organização teve
Emails próprios
e telefones dedicados à sua organização e publicitação.
José Luís Ferreira justificou a contestação com a “necessidade de recusar a morte do Rivoli”
e acrescentou que, ao contrário do que estará a acontecer o “teatro deve ser de acesso livre, pleno e plural à criação contemporânea”.
Outra figura incontornável nas manifestações na cidade do Porto é João Teixeira Lopes. O dirigente do BE marcou mais uma vez presença, como HTS também não deixou de referir.
Em sucessivos editoriais o JN tem oficialmente insistido em criticar o Rivoli, sob os seus mais diversos aspectos.
Leitores do JN privados de notícias sobre a cidade
Por contraponto à profusão de notícias sobre o Rivoli, ao longo dos últimos dias, os leitores do JN não tiveram oportunidade de serem informados sobre aspectos relevantes da cidade, a não ser que também tivessem lido outros jornais.
Logo na segunda-feira, a CMP inaugurou uma nova rua, na zona da Asprela, entre as Faculdades de Engenharia e Economia, que vai permitir escoar grande parte do tráfego que se dirige à zona da Areosa. A notícia não mereceu qualquer referência no jornal.
Ainda no mesmo dia, a autarquia apresentou o balanço de um relevante projecto educativo que está ser desenvolvido nas escolas do 1º ciclo do ensino básico denominado Porto de Crianças,
que foi igualmente omitido pelo Jornal de Notícias.
Já na quinta-feira, foi lançado um serviço municipal de apoio ao voluntariado, que contou com o apoio da Presidência da República, através da presença de Maria Cavaco Silva, e que o Jornal de Notícias paginou de tal maneira, que só com muita minucia, um leitor estaria capaz de conseguir descortinar.
JN noticia arquivamento inexistente
O critério que tem presidido à decisão de silenciar algumas iniciativas da autarquia foi, no entanto, completamente antagónico ao que levou o JN a noticiar em
duas edições praticamente seguidas
que o Ministério Público arquivou uma queixa-crime que os SMAS do Porto tinham apresentado, por alegado roubo de água através de ligações clandestinas, contra a Junta de Freguesia de Aldoar, governada, há já alguns anos, pelo Partido Socialista. Sabendo o JN que o
processo não foi arquivado
pelo Ministério Público, o jornal publicou, no entanto, a notícia do seu arquivamento, dando, assim, a ideia de que a CMP teria sofrido uma derrota na justiça.
Cronista Luís Costa passa para o JN
Na sua linha político-editorial contra a CMP, destaca-se ainda a recente
contratação de Luís Costa
para passar a escrever semanalmente nas páginas do Jornal de Notícias. Costa foi cronista do jornal Público ao longo dos últimos anos, tendo, durante todo esse tempo, utilizado essa coluna para permanentes ataques à CMP e ao seu Presidente. Depois de ter deixado aquele diário, foi de imediato contratado pela direcção do JN, com as mesmas funções: fazer crónicas semanais.
Para além das crónicas, notícias e editoriais que marcam a edição impressa do JN, os mais interessados podem ainda consultar o blogue da página do JN na Internet - [porto(.)ponto] - e ficar a conhecer mais criticas à CMP, designadamente as assinadas por DPontes.
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| 2007/06/18, 24 comentários |
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