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Coesão Social
Ao fim de um ano Câmara é obrigada a acatar a vontade do Governo e acabar com o Programa Porto Feliz
O Presidente da CMP deu hoje conta da situação a que o programa Porto Feliz chegou, desde que o Governo decidiu, há um ano, denunciar o protocolo que, nesse sentido, assinara em 2002 com a autarquia, através do Ministério da Saúde, o que, na prática, representou o fim do projecto.
Em carta enviada em Julho de 2006 – precisamente há um ano - o Instituto da Droga e da Toxicodependência (IDT) comunicava a denúncia do referido protocolo, com efeitos a partir de 15 de Novembro desse mesmo ano.

Apesar dos insistentes esforços desenvolvidos, principalmente durante os últimos oito meses junto de instituições governamentais – incluindo o Ministro da Saúde, Correia de Campos – no sentido de encontrar uma solução positiva que assegurasse a continuidade do projecto, o Governo manteve-se irredutível na decisão de suspender a sua parte do financiamento do Porto Feliz nos moldes em que funcionou durante quatro anos e meio, inviabilizando assim novos internamentos e a continuidade do programa, com consequências gravosas para o futuro dos seus utentes.

«Ao matar o Porto Feliz o Governo venceu»

  Ao revelar hoje os contornos da situação, Rui Rio responsabilizou politicamente o Governo pela decisão tomada em aniquilar um programa municipal de sucesso no combate à exclusão social extrema e à toxicodependência e que numa primeira fase envolveu, fundamentalmente, os arrumadores.

«Quero aqui anunciar que o Governo venceu, ao matar o programa Porto Feliz », acusou o Presidente da CMP, inconformado com a situação, que qualificou de «absurda».

«O Governo tem todo o direito e legitimidade para fazer o que fez, mas vai ter de assumir a responsabilidade política no que já está, de novo, a acontecer nas ruas da cidade. Pode ter havido uma grande vitória socialista, mas para mim é claro que houve uma derrota dos cidadãos do Porto», asseverou.

«Desde 15 de Novembro do ano passado que não conseguimos tirar da rua um único arrumador, uma vez que já não conseguimos assegurar o seu internamento para a desintoxicação», denunciou o autarca, depois de caracterizar, em traços gerais, as diversas fases do processo de aplicação do Porto Feliz, desde a abordagem individual, passando pelo internamento totalmente livre de drogas, até à inclusão social e profissional dos utentes que a ele queiram aderir.

Uma metodologia, de resto, substancialmente distinta da que é preconizada pelo Governo através do IDT, a qual assenta, sobretudo, na minimização de danos e na redução de riscos, através de tratamentos com drogas de substituição, designadamente a metadona.

«PS nunca aceitou o êxito do Porto Feliz »

Confessando não encontrar outros motivos que não sejam os de carácter político para o aniquilamento do programa, Rui Rio desafiou a uma análise fria da situação em que se encontravam as ruas da cidade até 2002 e como as mesmas se encontravam em Novembro de 2006, quando o Governo decidiu acabar com o Porto Feliz , estabelecendo, inclusive, um paralelo com o modo como já começam, novamente, a estar…

«O PS nunca aceitou o êxito do programa Porto Feliz e sempre o denegriu», salientou, adiantando que «as guerras» começaram logo após a tomada de posse do actual Governo e a substituição da administração do IDT por pessoas da sua confiança política. Foi, aliás, nesse contexto que, em Julho de 2006, surgiu a carta deste organismo a anunciar a denúncia do protocolo.

«Tudo isto é inadmissível, se nos lembrarmos das críticas que então nos eram feitas por diversos sectores, pelo facto de não conseguirmos tirar da rua todos – repito, todos – os arrumadores», recordou.

Com o fim do programa cessam, em 30 de Setembro, os contratos de arrendamento das casas de acolhimento existentes na cidade. Por outro lado, no fim deste mês, a CMP fará, igualmente, a entrega da chave da Casa de Vila Nova, cuja gestão a autarquia foi obrigada a assumir por força do protocolo então celebrado com a tutela, embora essa instituição não se enquadre na filosofia do Porto Feliz .

A abolição deste projecto social da CMP determinará, também, o termo dos postos de trabalho de 50 técnicos e a cessação de todos os fornecimentos e serviços associados ao programa.

Rui Rio questionou ainda se alguém consegue vislumbrar a defesa do interesse dos cidadãos na decisão do Ministério da Saúde, «seja do ponto de vista da segurança urbana, seja do ponto de vista da justiça social, ou da defesa da saúde pública».
2007/07/18, 9 comentários
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Comentários
Lamentável...
( Pedro Costa, 2007/07/18 às 23:42)
Acho profundamente lamentável esta situação. Como é possível que um projecto reconhecidamente válido e sufragado por uma maioria absoluta de portuenses seja, agora, terminado unilateralmente desta forma...

É triste perceber que para alguns a politica não está ao serviço das pessoas mas sim de outros interesses muito pouco relevantes para o bem comum.
O Porto não precisa de esmolas do Governo
( JosBarra, 2007/07/19 às 2:49)
Apesar de termos:
Uma população pobre e envelhecida;
uma taxa de desemprego e de sub-emprego inacreditável;
uma percentagem altissima de população em risco.

Mesmo assim, inovamos, crescemos e lutamos.
É a população do Porto que vota os seus designios.
Contra todas as expectativas, mesmo dos invejosos, escolhemos para a gestão da nossa cidade uma equipa nova.
Depois renovámos e reforçámos essa confiança.
Do incontestavelmente bem feito ou não falam ou dizem com desdém que não vai dar em nada.
Do que poderá ser discutivel ou controverso fazem um cavalo de batalha movimentando meia dúzia de figurões que se prestam às figuras que temos visto.
É muito muito triste quando essas atitudes vêm de portuenses.
Sou mais do que portuense, sou tripeiro.
Nasci, fui criado, estudei e trabalhei sempre na minha cidade.
Infelizmente nos últimos vinte e tal anos residi nos subúrbios e por isso não pude votar no Porto. Mas agora estou de volta e vou manifestar nas próximas eleições o meu agrado e o meu agradecimento pelo que este executivo tem feito pela minha cidade e pelo meu povo.
O que o governo deveria ter feito, se fosse um governo preocupado com o País, era estudar o Programa Porto Feliz para o divulgar e fazer com que fosse copiado por outras cidades.
Mas como os interesses deste governo são terraplanar, destruir e arrasar, não lhes passará pela cabeça que numa cidadezinha lá do norte haja pessoas dedicadas que trabalham sem o mito da riqueza para salvar seres humanos e melhorar as condições de vida dos seus vizinhos.

Havemos de continuar a mostrar ao País que aqui é a Invicta onde nunca houve Casa Real, mas se contribuimos para o País temos direito ao nosso quinhão e ás nossas realizações.
José Barra
Parabéns ao Dr. Rui Rio
( antoniocunha, 2007/07/19 às 10:41)
Tenho pena do que sucedeu. A única solução é o Dr. Rui Rio tomar o lugar do actual Primeiro Ministro.
Não podemos deixar o Governo pisar os direitos dos
( FredericoTeixeira, 2007/07/19 às 11:55)
É lamentável a situação a que o país tem chegado com a actual governação. Continuarmos a encarar a sua actuação como uma vitória política ultrapassa todos os limites da lógica. O governo preocupa-se com ele próprio, com os seus salários no final de cada mês, com o sucesso do seu partido e com a reeleição do mesmo. Não se preocupa com os cidadãos.
Parabéns ao Dr. Rui Rio, pelo carácter que sempre demonstrou ao serviço dos portuenses, pela recusa como candidato à presidência do partido pelas obrigações que assumiu para connosco, habitantes do porto, e pela preocupação que sempre demonstrou com o nosso bem-estar e não com a sua ascenção política ou social.
Os cidadãos do Porto devem-se unir e lutar contra a máquina governamental que nos tem tentado esconder, que nos tentado tirar todas as nossas virtudes. Porque não saímos à rua? Porque não se protesta? Precisamos de pessoas que não tenham medo de usar a sua liberdade de expressão, que não se acanhem com as ameaças de processos judiciais que o governo tem instaurado a quem contra ele está. Eu estou contra ele. O país precisa de mudar.
Abaixo assinado
( Jorge, 2007/07/19 às 18:41)
Proponho que se elabore um abaixo-assinado dirigido ao Exmo. Sr. Primeiro-ministro, Eng. José Sócrates, para, no prazo de trinta dias, apresentar uma solução que assegure o financiamento necessário que permita a continuidade do Programa Porto Feliz.
Mvalente
Fantastique! e, por outrolado que Porto tão Infeli
( altinovarejo, 2007/07/19 às 19:39)
São lamentáveis os comentários jocosos, do tipo todos à manif, que se fizeram a esta notícia, pois não se deve brincar com coisas tão sérias.
Estas chamadas à populaça, à liberdade da expressão e aos processos judiciais, são provocações que não têm sentido e não merecem sequer ser publicados.
O que é preciso è que a Câmara demonstre quanto é que gastou num programa que ficou agora interrompido e sem qualquer continuidade, quanto é que vai pagar aos técnicos que vão para o desemprego e, também, que explique porque razão é que só os governos podem prosseguir uma política uniforme de combate à toxicodependencia.
Não percebi porque é que se fala em vitórias quando só se perdeu.
Perdeu a Câmara porque gastou recursos num projecto sem viabilidade; perderam os arrumadores e toxicopendentes porque agora, a Câmara vai largá-los na rua em que os recolheu, sem sequer gastar um cêntimo ( nem que seja a fundo perdido ou retirado do dinheiro das corridas, aviões ou quejandos) para, pelo menos, assegurar um qualquer regime de transição.
Os arrumadores são pessoas e merecem respeito, para além de apoio.
Como se lembram há muitas campanhas no Verão para que as pessoas não abandonem os animais quando vão de férias.
Por isso só pedia, implorava ( nem que fosse com uma derrama especial) que a Câmara da minha cidade não tirasse o tapete, lavando as mãos como Pilatos, a pessoas a quem prometeu e deu apoio, tratando-os como não se deve tratar os animais.
Tenham dó dos tripeiros, e não nos façam passar por essa vergonha, de passarmos por ser gente sem palavra nem honra.
Nós comemos as tripas e enviamos a carne, para manter uma promessa.
Esta é que é a nossa alma e não as guerras parolas dos partidos, ditos, políticos.
Indignação e vergonha...
( Miguel, 2007/07/20 às 1:15)
Fiquei completamente indignado com a decisão do governo em acabar com este projecto que tanto contribuiu para a melhoria do ambiente vivido nas ruas da cidade....
Aqui está um exemplo de como as pessoas são usadas como peões num jogo de disputas partidárias. Isto é vergonhoso...
PORTO FELIZ
( Amrope, 2007/07/22 às 17:11)
APereira 07/0//22

É inadmissível acabarem c/ este projecto mas esta é a estratégia que
o governo socialista utiliza para dificultar os verdadeiros Políticos que
fazem obra. A solução é o Dr. Rui Rio ser brevemente Primeiro Ministro.

Porto
( jmcgf, 2007/07/24 às 11:47)
É hora de virar as costas ao país e olhar por nós.
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