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Habitação
Câmara apresentou solução para o Aleixo
O Presidente da CMP divulgou esta quarta-feira, em conferência de imprensa, a solução encontrada para o Bairro do Aleixo, que, a seguir ao de S. João de Deus - cujo processo de demolição se encontra, actualmente, em fase de conclusão - se afigura como o mais problemático do Porto, com graves problemas associados ao consumo e tráfico de droga.
Embora não se afaste muito da orientação política adoptada para o S. João de Deus, o modelo encontrado, que será discutido na próxima terça-feira em sede de Executivo antes de seguir para a Assembleia Municipal, obedece a um figurino completamente distinto, o qual, dada a complexidade de todos os factores em causa, só agora foi possível definir e apresentar, após um longo período de estudo.

Perante as próprias especificidades daquele aglomerado urbano, muito extenso, construído em altura e actualmente bastante degradado a vários níveis, diversas alternativas se configuravam. 

Entre desperdiçar avultados recursos financeiros na recuperação das cinco torres existentes, insistindo assim num erro mais do que evidente, tanto social como financeiramente, e poder comprometer o processo de requalificação dos restantes bairros - a primeira prioridade do actual Executivo - por força da canalização de verbas para o Aleixo, a CMP optou por um modelo alternativo e mais vantajoso, a diversos níveis: social, jurídico, financeiro e urbanístico. Desta forma procura, igualmente, não endividar o município com a construção de um novo bairro para lá colocar os actuais moradores.

Criação de um Fundo de Investimento Imobiliário e abertura de um concurso público para escolher investidor

A solução proposta consiste, pois, em traços gerais e tal como foi anunciada por Rui Rio, na constituição de um Fundo Especial de Investimento Imobiliário (FEII), cujo activo será o próprio Bairro do Aleixo, e encontrar, através de um concurso público, um parceiro privado que irá subscrever entre 70 a 90% de unidades desse fundo, ficando o remanescente para a autarquia.

De acordo com o modelo financeiro escolhido, a entidade ou instituição que ganhar o concurso irá pagando à CMP com a construção de habitação social de raiz, dispersa em pequenos núcleos por diversas zonas da cidade, e com a reabilitação de casas devolutas na Baixa e no Centro Histórico do Porto, de onde são oriundos, aliás, muitos dos actuais moradores do Aleixo, que assim poderão regressar às suas origens.

Este processo permitirá, assim, acabar com uma "chaga" social e urbanística, contribuir para a requalificação do Centro Histórico e reequilibrar socialmente a Baixa, que, ao contrário do mito que tem sido posto a circular, "não é só para ricos".

À medida que essa entidade parceira da CMP for entregando as novas casas, os inquilinos municipais do Aleixo irão sendo transferidos de acordo com a política de realojamento estabelecida pela autarquia, ao mesmo tempo que irão sendo liquidadas as obrigações decorrentes da participação do investidor no referido Fundo, a qual não poderá ser inferior a 70%.

Com prédios degradados de que é proprietária, situados no Centro Histórico e noutros locais da cidade, a Câmara garante a possibilidade de o vencedor do concurso cumprir, em qualquer circunstância, a sua obrigação de reabilitar.

No fim da operação, que se estima poder estar concluída num prazo de quatro a cinco anos após uma primeira fase destinada à consecução de etapas de carácter burocrático e processual, todos os habitantes que tenham direito a habitação social estarão alojados no Parque Habitacional da CMP. O Bairro do Aleixo pertencerá por inteiro ao FEII, ao qual caberá demolir as torres devolutas e proceder à requalificação daquela zona. Este processo desenvolver-se-á de acordo com as normas em vigor do PDM, aprovado pelo actual Executivo, e cujo índice de construção é de 0,8. A Câmara acredita que a solução também é atraente para o investimento privado e que, por isso, o concurso terá interessados.

Uma solução vantajosa

Segundo Rui Rio, tal processo encerra vantagens a diversos níveis, a começar, desde logo, pelo social, com a troca de casas velhas por habitações novas ou requalificadas, onde as pessoas viverão muito melhor. Com a dispersão pela cidade de unidades de habitação social mais pequenas, acabar-se-á com a forte concentração de moradores que hoje vivem no Aleixo, o qual, tal como está, irá desaparecer.

Ao serem criadas comunidades mais pequenas, contribuir-se-á, igualmente, para responder, de uma forma mais fácil e eficaz, aos problemas da segurança urbana, ao mesmo tempo que se coloca um ponto final na degradação de uma zona que, no futuro, irá ser completamente requalificada, assim como toda aquela área envolvente.

Esta solução, além de evitar a interrupção do processo de requalificação dos bairros sociais e o endividamento da autarquia, terá, também, embora em pequena escala, efeitos positivos ao nível do sector local da construção civil.

 Vídeo com extractos das declarações do Presidente da CMP
2008/07/17, 12 comentários
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Comentários
Mais uma vez, bem haja, Sr. Presidente!
( MatildeVicente, 2008/07/17 às 12:22)
Mais uma medida digna de um Presidente de Câmara que efectivamente tem a coesão social no centro das suas prioridades. Não se trata apenas de terminar com aqueles monstros em altura, mas de reabitar outras zonas da cidade, oferecer melhores condições de vida e, sobretudo, dispersar o problema da toxicodependência à descarada, pois acredito que acabem por ser mais discretos em novos ambientes...
Será que é desta que se resolve o problema da drog
( Sana, 2008/07/17 às 12:28)
Ainda bem que vai ser tomada uma atitude relativamente ao Aleixo. Basta passar ali pelo Campo alegre, junto a um dos hóteis mais luxuosos do Porto, para ver os toxicodependentes a correr para dentro do bairro para conseguir a sua dose diária. É uma vergonha o que se passa ali à descarada sem que ninguém tome medidas. A Câmara está agora a fazer a sua parte mas onde pára a polícia? Se eu vejo, os moradores vêem e toda a gente sabe, porque é que a polícia não actua?
Visão de futuro!
( BeneditaRocha, 2008/07/17 às 12:28)
Se o futuro do nosso miserável país passa pela oferta turística, convenhamos que o local onde se encontram as degradadas torres do Aleixo é local ideal para um complexo turístico de elevada qualidade, pense nisso, Sr. Presidente.
Boa medida de combate à concentração social negativa! Deve haver muitos moradores do Aleixo satisfeitos pela qualidade de vida que virão a ganhar e outros furiosos por verem o chão fugir-lhes dos pés!!
E o hiper da droga?
( VicenteLopes, 2008/07/17 às 12:33)
Com a dispersão dos moradores do Aleixo, não vai dispersar-se também a droga por toda a cidade? Ela está em cada canto, bem sei... mas os hipermercados estavam bem definidos e localizados! Sem Porto Feliz e com tanta dispersão, receio bem o futuro.
Algo haveria de ser feito
( ATeixeira, 2008/07/17 às 15:12)
Efectivamente não sei se as medidas adoptadas serão as mais aconselhaveis para a resolução do problema, oportunamente se verá. É de salientar é que se tenha tomado finalmente medidas para a sua resolução tentando-se acabar com aquele estado de degradação e de despesa pública desnecessária.
Certamente muita tinta irá correr nos meios de comunicação social mas o Municipio deverá ser inflexivel nos seus intentos de anular as despesas desnecessárias e /ou não meritórias.
Obrigado Sr. Presidente
( alfcosta, 2008/07/17 às 15:33)
Sou morador do Bairro e é com imensa alegria que recebo a noticia pela carta que me foi enviada. Quero aqui enaltecer a corajosa ideia do Presidente Rui Rio,pois só assim se pode dar dignadade a todos aqueles moradores que não enveredam pelo caminho do ilicito,bem haja.
                                                                                      Alfcosta
Aleixo "versus" demagogia
( Belmiro Cunha, 2008/07/18 às 0:09)
Aos poucos o Dr. Rui Rio vai mostrando a sua verdadeira "inclinição" política e parecendo estar a solucionar problemas dos mais desfavorecidos(os inquilinos municipais), na realidade mais não está a fazer do que criar as condições para entregar as melhores zonas do Porto aos grandes especuladores imobiliários.Foi com a destruição do bairro S.João de Deus,agora com o anúncio do bairro do Aleixo e no futuro com o bairro Rainha D.Leonor.A um ano de terminar o mandato e com a previsivel recandidatura o Dr. Rui Rio tem de dar sinais positivos para o seu eleitorado.Depois de permitir a contínua degradação do bairro do Aleixo em todas as suas vertentes-social-educativa-ambiental e contando com o desleixo das autoridades encerrou a escola(a única na freguesia com excelentes condições de instalações) e justifica agora com essa degradação a inevitabilidade da demolição do bairro para terminar o "flagelo".Palácio do Freixo,Teatro Rivoli,Mercado do Bolhão,Mercado do Bom Sucesso,Mercado Ferreira Borges,Complexo Desportivo do Parque da Cidade,Marina do Freixo, são exemplos de património municipal que já está ou vai passar a estar na mãos de quem os irá utilizar para fazer render bem os seus investimentos com contratos que só daqui a muitos anos terminarão.Os cidadãos do Porto deverão estar atentos a estas situações que só têm sido aprovadas pelo PSD/Dr.Rui Rio.E se concordam com esta política então deverão dar nova maioria absoluta nas próximas eleições para que possam ter oportunidade de verificar as "virtudes" que esta politica lhes irá dar.
Autarquia de Parabéns
( JooB, 2008/07/18 às 13:23)
Finalmente que um presidente da câmara do Porto teve a coragem de pensar num plano, que na minha opinião me parece real e com grandes possiblidades de concretizar.
Finalmente vão arranjar uma zona da cidade e um bairro que necessita de medidas urgentes para o bem estar dos seus moradores,também me agradou muito saber que pretendem requalificar casas na baixa do Porto para que uma parte dos moradores volte para a baixa e para a zona histórica.
Espero que não fique no papel este plano,como muitos outros....
Aleixo
( mmsilva, 2008/07/18 às 15:14)
Senhor Presidente
A sua medida só peca por tardia, sou moradora na freguesia de Lordelo infelizmente passo muitas vezes no aleixo até para fugir ao transito e é uma dor de alma ver aquela situação. Além de que aquelas torres não são nem nunca poderiam ser habitação social e atenção eu fui criada num bairro social portanto não sou contra eles.
ALEIXO
( azevedosantos, 2008/07/18 às 17:14)
É evidente que quaisquer comentários a criticar a decisão tomada, ou são movidos por partidarismo ou por ignorância. Moro no Campo Alegre, junto a António Cardoso, e sei do que estou a falar. É que no Aleixo, mais grave do que a existência de toxicodependentes, é o proliferar de traficantes, e toda uma prosmiscuidade à volta deles, à mistura com a prostituição, e criminalidade. Para resolver esta problema só mesmo acabando com o bairro.
Cuidado com o Centro da Cidade
( antoniocunha, 2008/07/21 às 10:02)
Senhor Dr. Rui Rio,
Muito cuidado com quem vai colocar no Centro da Cidade. Uma só família de marginais vai acabar com o seu projecto de reabilitação do Centro, afastando todos os potenciais novos residentes. Por favor não se esqueça que foi eleito pela sua promessa de reabilitar o Centro do Porto, e não vai ser transformando-o num bairro social que vai conseguir!
Vamos lá ver
( segadaesoliveira, 2008/07/21 às 17:33)
Até tenho alguma simpatia pelo Sr. Presidente e seu trabalho na CMP, porém e como se costuma dizer “quando a esmola é muita, o santo desconfia”, parece realmente um projecto muito capaz e de uma enorme vertente social, o que vamos ver daqui a uns anos é o resultado final, ora vejamos, onde está o Aleixo? Numa "zona nobre" da cidade, num local ideal para nascer um empreendimento de luxo, perto da praia e de acesso restrito aos que tenham dinheiro. Os habitantes actuais do bairro, vão reabitar o centro da cidade ou vão ser atirados para outros bairros sociais que tenham casas vagas e assim criar autênticos guetos nas periferias?
Assim ficava “giro” passo a ironia, ricos para um lado, pobres para outro! È o estado geral do país!
Mas falando de outra coisa e aproveitando a onda de boas práticas sociais, também estará na altura de retirar as casas sociais com rendas acessíveis aos “traficantes de droga”, já que ganham tanto dinheiro de forma rápida e pouco custosa, já era alturinha de começarem a perder regalias provenientes do trabalho dos outros, porque neste país é assim: trabalhas muito e ganhas pouco, não tens direito a nenhum tipo de ajuda. Não fazes nada e és parasita da sociedade, tens direito a tudo, casa, subsídios, infantário para os filhos à borla, enfim, um leque de regalias para as quais só tens de não fazer nada!
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