Cultura

No objetivo da Cultura (e Ciência) integra-se o programa Dinamização da cultura no montante de 2,7 milhões de euros.


Através da atuação dos serviços municipais de Bibliotecas, Arquivos, Museus, Património Cultural, Galeria, Teatros e Ação Cultural e Científica, foi desenvolvida uma intensa e diversificada programação, cruzando valorização do património e criação contemporânea, assumindo-se estas vertentes como um relevante fator de coesão social e de regeneração urbana, dinamizador da economia e do turismo.


Destaca-se a ação do Teatro Municipal do Porto - Rivoli e Campo Alegre, que consolidou em 2016 a sua atuação como equipamento cultural de referência através de uma programação vasta, com projetos locais, nacionais e internacionais como Zululuzu (Teatro Praga), Ivanov (Amir Reza Koohestani), Moçambique (Mala Voadora), Dumy Moyi (François Chaignaud), Segunda-feira, atenção à direita (Cláudia Dias), o ciclo Porto Best Of, Quantum (Gilles Jobin), The Wall (Miguel Fragata), Sobre o conceito do rosto do filho de Deus (Romeo Castellucci), Carnaval (Companhia Nacional de Bailado e Victor Hugo Pontes), Violet (Meg Stuart)? Importa salientar a realização da primeira edição do Festival Dias da Dança, em associação com outros dois municípios (Matosinhos e Vila Nova de Gaia) e que tem como objetivo promover a deambulação entre espaços de apresentação e espaço público. O Teatro Municipal do Porto é também o espaço para ver cinema (festivais como o Porto Post-Doc, o Fantasporto, a Festa do Cinema Francês, o Kino?), para visitar exposições (2015 imagens, fotografia de José Caldeira) e para ouvir música (ciclo Jovens Talentos, Understage?), pois proporciona uma atividade plural, diversa e para todas as faixas etárias. Ao longo do ano realizaram-se no Teatro Municipal de Porto mais de 1.000 iniciativas fruídas por mais de 106.000 pessoas.


Mas não só nos teatros se apresentam artes performativas. O programa Cultura em Expansão continuou a levar a arte e a cultura a locais da cidade onde o seu acesso está mais condicionado, levando projetos interdisciplinares e participativos a um público itinerante, a bairros sociais e locais periféricos, contribuindo para a coesão social e a regeneração urbana, eliminando barreiras e encurtando distâncias culturais, sem conceder na qualidade artística dos projetos. Ao todo, foram cerca de 70 sessões. Ao longo de 2016, o programa contou com Laboratórios Artísticos que vieram reforçar a ligação entre artistas e residentes.


Procurou-se sedimentar projetos e equipas, como é o caso do OUPA!, que este ano fez residência artística entre o bairro de Ramalde do Meio e o bairro do Cerco, quer através da curta-metragem da realizadora Salomé Lamas, Ubi Sunt, que o trabalhou no âmbito de um workshop de vídeo num instituto de reinserção social, e cuja estreia mundial aconteceu no Teatro Rivoli. O projeto de música em 2016 foi mais intenso. Nasceu A cada um a sua música, cinco concertos cenografados por artistas da arquitetura e das artes visuais.


O programa arrancou com um concerto de Gisela João na Bouça, com cenografia de José Capela com os moradores do próprio bairro, e prolongou-se com concertos de Pedro Burmester, B Fachada, entre outros, a quem se juntaram Vasco Araújo, Ana Pérez-Quiroga, Mónica Baptista e Catarina Barros. O cinema continuou a ter um lugar de destaque no Cultura em Expansão. O Nove e Meia - Cineclube Nómada, projeto de cinefilia que se desdobrou em 45 sessões ao longo de oito meses, em circulação quinzenal pelas associações de moradores da Pasteleira, Mouteira, Lomba e Falcão, e ainda quatro cine-concertos, apresentadas em Aldoar com a ESMAE, Sonoscopia e Jonathan Saldanha. No campo das artes performativas, e sempre com um forte envolvimento da comunidade, realizou-se Rifar meu Coração, que Mónica Calle desenvolveu no bairro da Sé, em colaboração com os habitantes. Assistiu-se ainda, aos projetos Espírito do Lugar, da Circolando, com um percurso-espetáculo entre a Cantareira, Pilotos da Barra e o bairro Rainha D. Leonor, e Arquipélago - O Mundo é Redondo, do Ao Cabo Teatro, um espetáculo-ópera em seis sessões, em seis diferentes bairros do Porto.


Realizou-se mais uma edição do festival internacional de pensamento Fórum do Futuro, com o tema Ligações. Pelo terceiro ano consecutivo o Porto acolheu, em intensos seis dias de novembro, artistas, cientistas, arquitetos, entre outros especialistas, com o objetivo de privilegiar caminhos que abrem novos acessos para o conhecimento e a ação. O evento acolheu oradores como o presidente do Conselho Pontifício para a Cultura no Vaticano, Gianfranco Ravasi, o antigo diretor-geral do CERN, Chris Llewellyn Smith, o fotógrafo camaronês Samuel Fosso, o coletivo Assemble e o arquiteto Andrés Jaque, o arquiteto israelita Eyal Weizman, Dominique Wolton, diretor do parisiense Centro Nacional de Pesquisa Científica ou o realizador Joshua Oppenheimer. Cerca de 5.500 pessoas assistiram às mais de 20 sessões que constituíram o Fórum deste ano. Destaca-se ainda o programa Happy Together, organizado pela Mala Voadora, que dinamizou um open call para projetos artísticos.


A Feira do Livro realizou-se novamente nos jardins do Palácio de Cristal e contou com uma forte adesão de editores, livreiros, alfarrabistas, associações e promotores de projetos inovadores em torno do livro, tendo-se registado a presença de 89 entidades que ocuparam 131 pavilhões ao longo da Avenida das Tílias. Nesta edição dedicada à obra de Mário Cláudio, a Feira proporcionou debates literários com várias dezenas de convidados (de Gonçalo M. Tavares a Francisco José Viegas, passando por Valter Hugo Mãe, Afonso Cruz, José Pacheco Pereira, Gomes Canotilho, Helder Macedo ou Eduardo Lourenço, para referir alguns), ciclo de cinema (sete sessões, onde passaram Polanski, José Álvaro de Morais, Abel Ferrara, Jacques Rivette, Truffaut, Brigitte Sy e Douglas Sirk), sessão especialíssima das Quintas de Leitura em homenagem a uma editora, a &etc, ciclo de espetáculos de spoken word (com nomes como Allen Halloween, Os Quais, António Olaio ou Nicolau Santos) e exposições na Galeria Municipal. Este programa, conjuntamente com uma ampla oferta de animação sociocultural para crianças e famílias, atraiu, no conjunto de atividades culturais organizadas no auditório da Biblioteca Municipal Almeida Garrett e Galeria Municipal, cerca de 30.000 pessoas.


Em 2016 a Galeria Municipal do Porto reforçou a dimensão de espaço aberto a novos modelos expositivos, enquanto lugar de interdisciplinaridade artística e de janelas abertas para os debates contemporâneos. A programação contou com 6 exposições, visitadas por mais de 96.000 visitantes. A exposição Habitar Portugal 12 - 14, coprodução com a Ordem dos Arquitetos, olhou para a produção arquitetónica portuguesa do último triénio, inaugurou no Porto e continua a ter uma extensa digressão pelo país. P. - uma homenagem a Paulo Cunha e Silva, por extenso, com curadoria de Miguel von Hafe Peréz, foi a mostra de homenagem ao antigo vereador da Cultura da Câmara Municipal do Porto, articulando o seu discurso visual mediante dois eixos: partindo do documento, onde se evoca o seu fulgurante percurso na área da cultura e do pensamento (publicações e catálogos de curadorias suas), e propostas artísticas de criadores que o acompanharam nas suas interpelações ao fenómeno estético, de Alberto Carneiro a Yonamine. Foi publicado um catálogo desta exposição.


Realizaram-se também duas grandes coproduções internacionais. PIGS, coproduzida pelo Artium (Centro-Museo Vasco de Arte Contemporàneo) e com curadoria de Blanca de la Torre, coletiva de artistas dos quatro países da zona euro com economias em declínio (Portugal, Itália, Grécia e Espanha) que propunha um olhar irónico, problematizando as implicações sociopolíticas da crise e as suas raízes culturais. Eyes Wide Open: 100 Anos de Fotografia Leica, exposição com curadoria de Hanz-Michael Koetzle, explorou aspetos cruciais da prática e da teoria fotográfica: da evolução tecnológica e estética às preocupações éticas e deontológicas, passando pelas mais livres expressões de artistas. Focando-se na coleção e história da empresa Leica (e também na sua presença em Portugal), a exposição devolveu-nos um espólio de imagens que atravessam o século XX. A Galeria Municipal realizou também um grande projeto expositivo de índole patrimonial, 100 Tesouros da Biblioteca Pública do Porto, com curadoria de Fernando Pinto do Amaral, que propôs uma visita ao valioso espólio reservado da Biblioteca Pública Municipal.


A exposição organizou-se em doze núcleos, temáticos e cronológicos, que deram a conhecer dezenas de obras impressas, onde se destacam incunábulos, mas também códices medievais, mapas, litografias e manuscritos diversos. A publicação que regista esta exposição terá edição no primeiro trimestre de 2017.


Realizou-se, também no âmbito da Feira do Livro, a exposição Reencontro com Vergílio Ferreira - Testemunhos e Perspetivas no Centenário do Escritor, com curadoria de Maria Bochicchio e Isaque Ferreira, que pretendeu dar a conhecer o escritor ao leitor do século XXI, para lá da sua vida e obra, com os contributos de especialistas convidados a pronunciar-se no colóquio coetâneo. Deste Reencontro foi publicado catálogo homónimo. A Galeria Municipal organizou ainda diversas exposições e mostras noutros locais, nomeadamente nos Paços do Concelho, como a exposição Cultura do Design / Design da Cultura, que revisitou os principais projetos desenvolvidos pelo Pelouro da Cultura durante o ano de 2015, através dos materiais de comunicação comissariados a designers portugueses, ou a evocativa da memória da Vereação de Paulo Cunha e Silva, 751 dias, que através de registos fotográficos e áudio das suas últimas intervenções públicas, e da reconstituição do seu gabinete de trabalho, procurou lembrar a sua vida e obra política, em particular a sua ação durante os dois anos em que ocupou o cargo na autarquia (mais precisamente, 751 dias). A publicação homónima, com organização de Helena Teixeira da Silva, terá lançamento nos primeiros meses de 2017.


No que concerne ao projeto museológico e expositivo para lá da Galeria Municipal, reforçou-se o programa de visitas, celebração de dias comemorativos e de efemérides, assim como exposições temporárias que pretendem melhorar a divulgação e conhecimento das coleções municipais, sempre em diálogo com a contemporaneidade. Destaque para O Palco e a Cidade, Teatro no Porto 1850-1950, patente na Casa do Infante, que retrata um percurso histórico coerente, e não exaustivo, da atividade teatral na cidade do Porto ao longo de um século. Juntamente com a exposição, com curadoria de Gonçalo Villas-Boas, foi organizado um ciclo de conferências. Aurélia, Mulher-Artista foi o título dado pela comissária, Filipa Lowndes Vicente à exposição dupla que celebrou o nascimento da pintora e fotógrafa portuense Aurélia de Sousa, precisamente 150 anos depois. Inaugurou a 13 de junho e pôde ser visitada em dois polos: Museu da Quinta de Santiago em Matosinhos (natureza morta e paisagem) e Casa Museu Marta Ortigão Sampaio (onde se privilegiou a figura humana). Das muitas outras exposições organizadas e acolhidas nos equipamentos municipais, salientamos O princípio do fim [The beginning of the end], individual de Miguel Januário (artista urbano conhecido como +-) e integrada no festival internacional KISMIF, patente no Palacete Viscondes de Balsemão, no espaço público e no bar Aduela, apresentou uma reflexão sobre um mundo em plena convulsão. Visitantes a exposições, participantes de atividades de serviço educativo (como visitas guiadas e oficinas) nos espaços museológicos municipais foram mais de 235.000.


O ciclo de (re)descoberta do património material e imaterial da cidade realizou-se, pelo terceiro ano consecutivo, com crescente êxito. Um Objeto e Seus Discursos Por Semana girou, nesta edição, em torno de objetos de natureza material e imaterial do domínio público e privado. As 33 sessões espalharam-se por museus, bibliotecas e praias, mas também em associações, restaurantes e barcos, nas quais se cruzaram convidados dos quadrantes sociais e dos saberes mais diversos - da ciência à pesca, passando pelas artes, pela gastronomia e pela fé: das Tripas "à moda do Porto" e da salada de frutas do Restaurante Ernesto passando por uma célula fotovoltaica ou por uma edição de 1572 d?Os Lusíadas, falaram-se de mapas, quadros, troféus desportivos, escritores, cenografias, cafés, capelas, túmulos, e até sobre a árvore de Natal. A última sessão, em torno do Mapa do Porto de Telles Ferreira, de 1892, decorreu no gabinete do Presidente da Câmara e teve como convidados Rio Fernandes e Fernando Gomes, além do anfitrião, Rui Moreira, constituiu uma verdadeira enchente.


Participaram nestas sessões mais de 3.500 pessoas, além dos 99 convidados e moderadores. De descoberta ou redescoberta também se fizeram os Percursos Culturais propostos em 2016. Os técnicos municipais partem de locais diversos, mais ou menos conhecidos, desvendando objetos, documentos, ruas e espaços e revisitando múltiplas histórias reais, mas também alguns mitos. Com uma programação trimestral e temática, realizaram-se 36 percursos dedicados ao Porto Festivo, Porto Revolucionário e Porto Património Mundial, nos quais participaram cerca de 1.080 pessoas.


Ainda no âmbito do Património Cultural, a 5.12.2016 assinalaram-se 20 anos da classificação do Centro Histórico do Porto como Património Mundial pela UNESCO. Publicou-se um livro, com a Imprensa Nacional Casa da Moeda, Porto Património Mundial 20 anos | 20 imagens, reunindo fotografias alusivas ao Centro Histórico, captadas por 20 fotógrafos nacionais convidados para o efeito, e três ensaios de especialistas que refletem sobre as modificações e os desafios desta classificação passadas duas décadas: Álvaro Domingues, Gaspar Martins Pereira e Manuel Carvalho. À apresentação do livro, na Biblioteca do Seminário Maior, pelo Presidente da Câmara, Rui Moreira, seguiu-se um debate que teve como convidados a vice-presidente da Câmara Municipal de Marraquexe, Awatef Berdai e os vereadores da Câmara do Porto, Manuel Correia Fernandes e Rui Loza. Finalmente, o Salão Árabe do Palácio da Bolsa foi palco de um concerto, intitulado Al-Mu'tamid, Rei Poeta do Al Andaluz, que integra músicos portugueses, espanhóis e marroquinos, que compuseram temas originais a partir de poemas de Al-Mu'tamid, poeta Ibero-Árabe do século XI.


Em representação do Município, o Pelouro da Cultura manteve a interlocução com a UNESCO e demais entidades oficiais, assumindo a função de "gestor do sítio" classificado - Centro Histórico do Porto - e integrando a Rede de Património Mundial de Portugal bem como outras redes internacionais, que visam a promoção e salvaguarda deste bem inscrito na lista património mundial.


Em 2016 foi ainda criado um interface de divulgação das residências artísticas existentes na cidade do Porto, a plataforma InResidencePorto, que sistematiza ofertas de espaços de trabalho para artistas nacionais e internacionais: Casa Oficina António Carneiro, De Liceiras 18, Mala Voadora, Maus Hábitos, Espaço Mira, Museu Nacional da Imprensa, Sonoscopia e Teatro Municipal do Porto. Pretende-se desta forma criar condições para que os artistas se ancorem no Porto e possam descobrir o que cidade tem para oferecer. Em 2017 este programa será incrementado com a atribuição de bolsas de apoio à criação.


Foi dada continuidade à Agenda para o Cinema Independente, que organiza, mapea e divulga as sessões de cinema que acontecem fora do circuito comercial. Ainda com o objetivo de garantir uma sólida oferta cinematográfica na cidade, que tinha carências nessa área, e numa clara estratégia de apoio à exibição de cinema nas salas da baixa, promoveu-se o TRIPASS, um cartão que dá acesso privilegiado ao circuito de cinema na Baixa do Porto com descontos e outros benefícios nas salas Trindade, Teatro Municipal do Porto - Rivoli / Campo Alegre e Passos Manuel. A reabertura do Cinema Trindade e a atualização tecnológica do Passos Manuel contaram com um financiamento da Câmara Municipal do Porto.


O Município associou-se às Jornadas Europeias do Património, subordinadas ao tema Comunidades e Culturas, com a realização de atividades culturais em espaços municipais. As propostas desenvolvidas este ano visaram destacar aspetos relevantes para o tópico, como visitas guiadas à Casa do Infante e ao Museu do Vinho do Porto, percursos pela cidade, a realização de um espetáculo musical pelo Grupo de Cavaquinhos do Porto, onde se realizaram também oficinas pedagógicas. Houve ainda lugar à realização de conferências/ encontros no espaço público e lançamento de publicações no Palacete Viscondes de Balsemão.