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Processionária do pinheiro
No município do Porto existe uma quantidade significativa de árvores sensíveis à praga vulgarmente designada como processionária do pinheiro (Thaumetopoea pityocampa Schiff), localizadas em arruamentos, parques, escolas e espaços privados. Em determinada fase do seu desenvolvimento, esta praga pode produzir efeitos indesejados e por vezes graves, na saúde de pessoas e animais, pelo que importará controlar atentamente a sua presença e ação no espaço urbano.
 
Consciente dos problemas de saúde pública relacionados com esta praga, o município do Porto tem já em curso um plano de prevenção nas suas áreas de gestão direta. No entanto parece-nos de grande importância apelar à aplicação destes mesmos cuidados em áreas privadas ou privadas de uso público. Chamamos assim a atenção de todos os proprietários de árvores sensíveis à praga, quer para a sua caracterização como para as melhores épocas e métodos de prevenção, que passamos a apresentar.
 
Plantas hospedeiras na cidade do Porto:
Das árvores suscetíveis a esta praga e presentes na nossa Cidade, destacam-se principalmente os pinheiros e os cedros
 
Descrição:
- O inseto adulto é uma borboleta com 30-45 mm de envergadura, coloração das asas anteriores acastanhada com faixas transversais e asas posteriores branco-amareladas.
- A postura é disposta em fiadas paralelas à volta de um par de agulhas ou de um pequeno ramo. Apresenta cor amarelo-dourada e cada uma contém cerca de 120 a 300 ovos.
- As lagartas gregárias passam por cinco estádios de crescimento e possuem a partir do 3.º instar pêlos urticantes.
- A crisália ou pupa tem forma oval sendo alongada nas extremidades e apresenta cor castanho-avermelhada.
 
 
Ciclo biológico:
Os adultos (borboletas) surgem no fim do Verão ou inícios de outubro e vivem por volta de três a quatro dias. Durante este período fazem as posturas nos raminhos das árvores suscetíveis, eclodindo passados trinta a quarenta dias. As jovens lagartas (1.º e 2.º estádio) alimentam-se das agulhas durante o dia e à noite permanecem em ninhos provisórios. A partir do 3.º instar a alimentação passa a ser noturna e há formação de ninhos de Inverno, onde se juntam lagartas de várias colónias. Nesses meses o diagnóstico é bastante claro, devido à presença de grandes ninhos, em forma de bolsões, constituídos por fios de seda brancos e localizados na parte apical dos ramos. Na primavera as lagartas de 5.º estádio descem das árvores em "procissão" (daí o nome processionária), enterrando-se para formar a crisalidar. O período de crisália pode prolongar-se por um espaço de tempo variável.
 
Estragos:
Os principais estragos causados pela praga, na árvore, associam-se normalmente ao processo de alimentação das lagartas, com consequente redução do crescimento dos raminhos. À exceção de ataques sucessivos e intensos em árvores jovens, estes danos são normalmente recuperáveis.

Os maiores problemas aqui identificados relacionam-se com a saúde pública, podendo representar um problema sério, sobretudo em anos de muitos ninhos e junto a locais de grande utilização. Estes problemas resultam dos pêlos urticantes das lagartas nas últimas fases de desenvolvimento que, em caso de contacto, podem provocar alergias ao nível da pele, do sistema ocular e do aparelho respiratório, por vezes bastante graves.
 
Métodos de controlo:
 
Verão (meados de junho/inícios de setembro) - Período de voo dos Adultos
 
  • Luta biotécnica:
Visa a captura dos machos adultos (borboletas) e consiste na colocação de armadilhas com feromona, no arvoredo. A feromona sexual é uma substância química emitida geralmente pelas fêmeas, induzindo um comportamento de atração e de cópula aos machos da mesma espécie. Em zonas frias o voo pode iniciar-se no mês de junho e em zonas quentes, não antes do mês de setembro. É imprescindível realizar a captura dos machos todos os anos, sem interrupção.
 
 
Outono (meados de setembro/finais de outubro) - Lagartas nos 1.º e 2.º estádios (8 a 10 mm de comprimento)
 
  • Luta microbiológica:
Recorre a inseticidas microbiológicos à base de uma bactéria (Bacillus thuringiensis - BT) que atua ao nível do intestino da lagarta, provocando paragem da alimentação e paralisia intestinal. A aplicação deste método apenas é eficaz após a eclosão de todos os ovos e desde que as lagartas não tenham ultrapassado o seu 3.º estádio de desenvolvimento.
 
 
Inverno (de novembro até à descida dos ninhos) - Lagartas desde o 3.º ao 5.º estádio
 
  • Luta mecânica:
Nesta fase, o método mais eficaz passa pelo corte dos ninhos, nem sempre facilmente acessíveis. Quando por terra, todos os ninhos deverão ser cuidadosamente queimados.
Para tentar reduzir o número de lagartas que chegam ao solo aconselha-se a colocação, no tronco e ramos principais, de cintas plásticas embebidas (nas duas faces) com cola especial para insetos. Aquando da descida das lagartas na árvore, estas cintas irão capturar uma significativa parte dos indivíduos.
 
 
Primavera (meados de fevereiro/finais de maio) - Lagartas do 5.º estádio até ao enterramento
 
Esta é a fase mais perigosa da praga, principalmente pelos danos que pode causar em pessoas e animais. A destruição mecânica das lagartas é, nesta altura, o método mais eficaz consistindo essencialmente no corte e destruição (queima) dos ninhos ainda presentes.
 
Nesta fase, qualquer outra tentativa de controlo mostra-se, normalmente, bastante ineficaz, uma vez que a maioria dos produtos disponíveis no mercado (por exemplo inseticidas químicos), não são adequados ao atual estádio de desenvolvimento da lagarta. Por outro lado, chama-se a atenção para o facto da utilização de produtos químicos se reger por uma legislação bastante restritiva, sendo poucos os produtos homologados para este fim, principalmente em espaços urbanos.
 
Cuidados especiais:
Enquanto as lagartas descem, em "procissão", para o solo (fins de Outubro até ao enterramento), os seus pêlos urticantes encontram-se também pelos ramos e nos ninhos.
- A realização de qualquer um dos tratamentos aconselhados, implica o constante uso de equipamentos de proteção das mãos, pescoço, olhos, nariz e boca, bem como o cumprimento das normas de segurança de aplicação cada produto.
- Nas escolas e outros locais onde estejam presentes crianças, impedir sempre que possível o seu acesso à zona das árvores atacadas, sobretudo na altura em que as lagartas descem da árvore.
- Em caso de aparecimento de sintomas de alergia, consulte de imediato o posto médico mais próximo.
 
Atenção:
Por depender estreitamente das condições climáticas de cada ano, o ciclo biológico acima descrito deve ser considerado apenas como indicativo. Importa por isso monitorizar atentamente a presença da praga, pela qual se decidirá pelo método mais adequado. Nos últimos anos e também na área do Porto tem-se vindo a constatar uma preocupante antecipação das fases mais problemáticas desta praga, não sendo raras as situações em que, já nos primeiros meses de Inverno, se encontram lagartas com pêlos urticantes.
 
Por outro lado, com as alterações climáticas cada vez mais sentidas e globais, parece agora possível que a processionária do pinheiro possa completar dois ciclos anuais.