Porto, Cidade Amiga das Pessoas Idosas

Em 1999, com o "Ano Internacional da Pessoa Idosa" iniciou-se uma nova era para a mudança de atitude e para o eclodir de uma sociedade sem idades. Uma sociedade para todas as idades é, doravante, a preocupação maior das sociedades contemporâneas. A meta é, efetivamente, promover o envelhecimento saudável e feliz. Um caminho que deseja consolidar a rede de equipamentos e serviços e, a partir daí, gerar espaços de identidade e de dignidade para as pessoas.


Procurando responder a dois dos grandes desafios que as sociedades contemporâneas enfrentam, o envelhecimento das suas populações e a crescente urbanização dos territórios, em Junho de 2005, a Organização Mundial de Saúde (OMS), implementou o projeto "Age-Friendly Cities" - "Cidade Amiga das Pessoas Idosas", com o objetivo de incentivar todas as cidades do mundo a desenvolverem ambientes promotores de um envelhecimento ativo e positivo para todos os seus munícipes.


Integrando o Município do Porto a Rede das Cidades Amigas das Pessoas Idosas, assumiu o compromisso de estabelecer parcerias com a sociedade civil e desenvolver um plano de ação que permita responder ao rápido envelhecimento das populações e criar ambientes urbanos que permitam às pessoas idosas uma maior participação cívica na sociedade.


Neste âmbito, foram realizados seis Workshops Participativos subordinados a vários domínios identificados pela OMS, para a avaliação e planificação de uma cidade amiga das pessoas idosas: "Espaços exteriores e edifícios", "Transportes", "Habitação", "Participação Social", "Respeito e inclusão social", "Participação cívica e emprego", "Comunicação e informação" e "Suporte comunitário e serviços de saúde".


O Plano de Ação será concluído no final do corrente ano e é neste contexto que a Câmara Municipal do Porto promove a iniciativa "I Jornadas: Porto Cidade Amiga das Pessoas Idosas" no próximo dia 19 de setembro.


O Objetivo desta iniciativa é devolver à Cidade todo trabalho desenvolvido pelas diversas áreas de intervenção do Município em conjunto com os seus parceiros, subordinada aos seguintes temas:
 
"Eu pertenço a um lugar"


Permanecer em casa e na comunidade, com algum nível de independência, permitindo às pessoas mais velhas manterem autonomia e ligações sociais com amigos e familiares, é um dos grandes objetivos do envelhecimento bem sucedido. Envelhecer em casa também permite que as ligações sociais com familiares e amigos permaneçam no tempo. Embora as condições objetivas da comunidade onde se vive e a capacidade funcional individual sejam importantes, os sentimentos subjetivos sobre essa comunidade podem ser uma fonte significativa de satisfação, independentemente de aspetos objetivos de adequação ou segurança. A maioria das pessoas idosas deseja permanecer num ambiente que lhes seja familiar e, preferencialmente, permanecer na mesma casa e na mesma comunidade (Iecovich, 2014).
 
 
"Sou feliz na minha cidade"


No presente, o desafio é promover o "envelhecimento bem-sucedido" e uma velhice feliz. Importa pensar a velhice de forma diferente e equacionar novas formas de viver a nossa maior longevidade e, obviamente, preservar os princípios da dignidade, da autonomia e da solidariedade.


O facto de vivermos mais anos gera questões jamais colocadas ao homem e à mulher do começo do século passado. E, nesse devir constante, onde a ciência e a tecnologia concorrem fortemente para a nossa maior longevidade, emergem políticas sociopedagógicas diversificadas, cuja finalidade é proporcionar o "envelhecimento ativo" de forma que todas as pessoas possam atingir este estádio de vida em qualidade e, naturalmente, de forma saudável. Viver de forma saudável implica, segundo a Organização Mundial de Saúde (2007) "um processo de otimização de condições de saúde, participação e segurança, de modo a melhorar a qualidade de vida à medida que as pessoas envelhecem".


"Não há futuro sem os nossos idosos, se eles não nos legam atualmente o saber, legam-nos seguramente o afeto e nós projetamo-nos em cada ruga deles, como que ao espelho, somos nós próprios e é toda a nossa cultura que olhámos (Paúl, 1997, p. 7)".