Cultura
No objetivo da Cultura integra-se o programa Dinamização da arte, cultura e ciência no montante de 11,8 milhões de euros.

No âmbito da dinamização da cultura foi assegurada a implementação da estratégia cultural para a cidade, através de uma intervenção integrada e transversal, com os diversos agentes culturais da cidade, nacionais e internacionais.

Através da atuação dos serviços municipais de Bibliotecas, Arquivo, Museus, Património Cultural, Teatros, Galeria e Ação Cultural e Científica, foi desenvolvida uma programação intensa, inclusiva e diversificada, cruzando a valorização do património e o estímulo à criação contemporânea, assumindo-se estas vertentes como um relevante fator de coesão social e de regeneração urbana, dinamizador da economia, da qualidade de vida e do bem-estar das populações.

A dinamização da cultura implica a gestão e regular funcionamento de uma considerável rede de equipamentos municipais de vocação cultural e abertos ao público (18 espaços). De salientar que o Teatro Municipal do Porto. Rivoli e Campo Alegre, a Galeria Municipal do Porto e a área de atuação da Ação Cultural e Científica foram transferidas para a esfera da empresa municipal Ágora, em agosto de 2019.
 Através da GO Porto, EM e da Domus Social, EM prosseguiram os projetos de requalificação do Cinema Batalha, das Reservas Museológicas Municipais (no antigo Abrigo dos Pequeninos) e do Reservatório. Prevê-se a musealização do Rio de Vila e a criação de uma Fonoteca Municipal. Neste âmbito, destaca-se a reabertura ao público do Museu do Vinho do Porto, em novas instalações, mantendo a missão de divulgar e promover o Vinho do Porto, a sua história e relação com a cidade.

Manteve-se e intensificou-se a prestação de serviço público de continuidade através da recolha, preservação, valorização e disseminação patrimonial, por entre as múltiplas frentes de acesso às coleções municipais - monografias, periódicos, documentos, coleções fotográficas, de pintura, têxtil, artes decorativas, moedas, joalharia e outras formas de arte. Para ativação deste acesso ao património material e imaterial a maioria dos equipamentos estiveram em funcionamento e abertos ao público em horários alargados, como foi o caso das atividades regulares de serviço aos leitores, na Biblioteca Pública Municipal do Porto e na Biblioteca Municipal Almeida Garrett, no Arquivo Histórico e na sua Biblioteca de Assuntos Portuenses, quer presencialmente, quer através dos diversos catálogos em linha (278.914 mil acessos individuais). No que respeita à oferta museológica, mantiveram-se abertos ao público os diversos espaços do Museu da Cidade, tendo sido renovada a sua identidade e programação comum.

No âmbito da Valorização dos Caminhos de Santiago - Caminho Português da Costa, que o Município do Porto integra com outros nove municípios, é de salientar a maior afluência à Capela de Nossa Senhora das Verdades, sobretudo de peregrinos nacionais e estrangeiros a caminho de Santigo de Compostela, que em 2019 registou 26.165 visitantes.

Realça-se a ação do Teatro Municipal do Porto - Rivoli e Campo Alegre, que consolidou em 2019 a sua atuação como equipamento cultural de referência das artes performativas através de uma vasta programação, com projetos locais, nacionais e internacionais, parte dos quais no âmbito de festivais acolhidos no teatro, como por exemplo o FITEI - Festival Internacional de Teatro de Expressão Ibérica que, este ano, viu a sua programação incluída no Festival DDD - Dias Da Dança.

Mantiveram-se as apresentações regulares no âmbito dos Palcos Instáveis e as residências artísticas de longa e de curta duração no Teatro do Campo Alegre. Importa salientar a realização da 4.ª edição do Festival DDD - Dias Da Dança, organizada pela Dias da Dança - Associação de Artes Performativas, que veio confirmar, em definitivo, a condição do DDD enquanto Festival pujante, vibrante e marcante no circuito internacional da dança contemporânea e que pela primeira vez, em 2019, decorreu em simultâneo com o FITEI, que na sua 42.ª edição, continuou a presentear-nos com o que de mais atual tem o teatro contemporâneo para oferecer. À semelhança das edições anteriores o Festival DDD decorreu em associação com outros dois municípios da Frente Atlântica - Matosinhos e Vila Nova de Gaia.

Sob a esfera da empresa municipal Ágora, a atividade do Teatro Municipal do Porto (TMP), no primeiro quadrimestre da temporada 2019/2020, entre setembro e dezembro de 2019, foi definida por uma intervenção em três eixos distintos: o apoio e a apresentação do trabalho de agentes culturais da cidade, a circulação e apresentação dos mais recentes trabalhos de reconhecidos criadores nacionais, e também dos mais proeminentes artistas da cena internacional, em estreia nacional.

O desenho de programação manteve o seu cariz pluridisciplinar, com enfoque na Dança e no Teatro Contemporâneos, mas com lugar também para a Música, o Circo Contemporâneo, a Literatura, o Cinema, o Pensamento e a Performance.

O programa PARALELO - Programa de Aproximação às Artes Performativas, prosseguiu a sua ação no estabelecimento e promoção de proximidade com os diferentes públicos do TMP, numa relação continuada com as comunidades, desmistificando a inacessibilidade (social, económica, cultural e estética) da prática artística contemporânea, através de um discurso e de um diálogo permanentes, gerando um espaço e uma plataforma potenciadores de reflexão e perspetiva críticas e ativas.

No âmbito do programa Teatro em Campo Aberto, o Teatro Campo Alegre manteve o acolhimento a oito estruturas da cidade - que trabalham em diferentes campos artísticos, em permanência ao longo desta temporada, proporcionando condições privilegiadas para o trabalho de criação e apresentação dos seus projetos. Adicionalmente, no contexto deste mesmo programa, o TMP acolheu ainda residências de criação e técnicas de curta duração, de artistas e companhias provenientes das mais distintas latitudes artísticas e geográficas.

O último quadrimestre de 2019 manteve um equilíbrio entre programação internacional, nacional e de estruturas/artistas que trabalham a partir da cidade, numa oferta diversificada com a qual os diferentes tipos de públicos se puderam identificar. Adicionalmente, foi reforçado o posicionamento do TMP no circuito internacional das artes performativas.

Assim, foram apresentados 38 espetáculos nacionais - dos quais 10 foram coproduções com artistas e estruturas que trabalham a partir da cidade e 6 coproduções com artistas e estruturas de outros pontos do país -, e 11 espetáculos internacionais (em estreia nacional), num total de cerca de 100 apresentações, para além de um extenso programa de atividades de formação e mediação de públicos.
De entre os projetos e programas desenvolvidos pelo TMP, neste período, destaque ainda para o arranque do projeto Moving Borders, em parceria com Onassis Cultural Centre, Ringlokschuppen, Le Maillon, Performing Arts Institute e Spring Performing Arts Festival, bem como do Programa JAA! Jovens Artistas Associados do TMP.

Mas não só nos teatros se apresentam artes performativas. O programa da 6.ª Edição do Cultura em Expansão continuou a levar a arte e a cultura a locais da cidade onde o seu acesso está mais condicionado, pela primeira vez abrangendo todas as freguesias. Apresentaram-se projetos interdisciplinares e participativos a um público itinerante, a bairros sociais e locais periféricos, contribuindo para a coesão social e a regeneração urbana, eliminando barreiras e encurtando distâncias culturais, sem conceder na qualidade artística dos projetos. Em 2019, o Cultura em Expansão passou de um formato de inúmeras apresentações pontuais, com uma regularidade instável nas diferentes freguesias, para um modelo estruturado a partir de uma nova ideia de regularidade de apresentação e de coesão entre estruturas artísticas e associativas, que nele ganham um novo papel de participação e de construção no projeto. A cidade integrou três novos centros de cultura: Auditórios da Junta de Freguesia de Campanhã, do Grupo Musical de Miragaia e da Associação de Moradores do Bairro Social da Pasteleira - Previdência/Torres, que terão uma programação contínua, atenta a diferentes linguagens artísticas e aos mais diferentes públicos, assim como às diferentes particularidades materiais e imateriais de cada espaço.

O programa da edição de 2019, privilegiou uma estratégia que levou à associação de outros locais e de iniciativas itinerantes "satélite", com o objetivo de estimularem o envolvimento, presente e futuro, de mais públicos e parceiros nas propostas do programa e recebeu 46 projetos, com 64 récitas de entrada livre, captando a atenção da cidade registando a maior afluência de sempre, com cerca de 10.000 pessoas a assistirem à totalidade das apresentações.

A Feira do Livro do Porto, à semelhança de anos anteriores, realizou-se nos Jardins do Palácio de Cristal, de 6 a 22 de setembro de 2019, e contou com uma forte adesão de editores, livreiros, alfarrabistas, associações e promotores de projetos inovadores em torno do livro, que durante 17 dias, ao longo da Avenida das Tílias, ocuparam os 130 pavilhões do certame. Esta edição foi comissariada por Nuno Artur Silva, com uma programação que, em todos os momentos, revisitou o homenageado - Eduardo Lourenço - e a sua voz única. Os debates, as lições, as sessões de cinema e as performances de spoken word incitaram à leitura e à escuta com especial destaque para a sessão especial "Quintas de Leitura" de inspiração no pensamento de Eduardo Lourenço.

Em tributo, ao homenageado de 2019, foi batizada uma tília com o seu nome em plena Avenida das Tílias. Já o escritor residente, deste ano, foi Nuno Costa Santos.

A Galeria Municipal do Porto reforçou a dimensão de espaço aberto a novos modelos expositivos, enquanto lugar de interdisciplinaridade artística e de janelas abertas para os debates contemporâneos, tendo contado com 8 exposições. As quatro primeiras decorreram sob a gestão do Departamento Municipal de Cultura e as outras quatro sob a esfera da empresa municipal Ágora. A exposição "Astray", de Caroline Mesquita, que apresentou o trabalho da artista francesa numa colaboração entre a Galeria Municipal do Porto e a Kunsthalle Lissabon, com curadoria de Sofia Lemos; a exposição "Anuário - Uma visão retrospetiva da arte no Porto", comissariada por Guilherme Blanc e João Ribas - a primeira edição deste projeto expositivo resulta de um trabalho de acompanhamento, documentação e análise da produção artística da cidade, em 2018, por um coletivo de curadores composto por Joana Machado, Joaquim Durães, José Maia, Miguel Flor e Rita Castro Neves; "De Outros Espaços", com a curadoria de Pedro Gadanho e João Silvério, na continuação da parceria entre a GMP e a Fundação EDP, que adota o seu título de um importante ensaio de Michel Foucault e aborda as noções de espaço imaginadas por artistas, por oposição aos entendimentos das disciplinas técnicas e científicas; "Desertado. Algo que aconteceu pode acontecer novamente", de Maria Trabulo, em que a artista portuguesa foi desafiada a pensar e debater o lugar que a ficção e as histórias partilhadas ocupam nas construções sociais e políticas de hoje, com a curadoria de Pieternel Vermoortel; "De Outros Espaços", com a curadoria de Pedro Gadanho e João Silvério, na continuação da parceria entre a GMP e a Fundação EDP, que adota o seu título de um importante ensaio de Michel Foucault e aborda as noções de espaço imaginadas por artistas, por oposição aos entendimentos das disciplinas técnicas e científicas; "MILLENNIALS ? Design do Novo Milénio", um projeto da Porto Design Biennale com a curadoria de José Bártolo, que se focou nos projetos e processos de trabalho dos designers millennials, nascidos nas décadas de 1980 e 1990, propondo-se refletir sobre o que os caracteriza e diferencia; "Estar vivo é o contrário de estar morto", com a curadoria de Guilherme Blanc e Luísa Saraiva, que propôs um projeto de reflexão sobre a urgência de questionarmos o lugar do corpo enquanto agente de extermínio e de salvação do ecossistema terrestre; "9KG de Oxigénio", em que a Galeria Municipal do Porto desafiou o projeto Uma Certa Falta de Coerência a desenvolver um exercício que partisse da problemática da relação entre a prática curatorial independente e o contexto expositivo institucional; e "Depois do Estouro", com a curadoria de Tomás Abreu, exposição que resultou do projeto concursal "Expo'98 no Porto", que atribui duas bolsas para a realização de duas exposições na Galeria Municipal do Porto, entre 2019 e 2020, tendo sido selecionada por um júri independente da equipa artística da Galeria Municipal do Porto.

Ao longo de 2019, a política de promoção do debate, investigação e disseminação de ideias em torno da produção artística nacional e internacional, resultou num aumento considerável do número de visitantes da GMP, de 109.508 em 2018 para 127.983 em 2019, cumprindo o desígnio de promover o interesse pela arte contemporânea e sensibilizar os públicos para a apreciação e compreensão dos fenómenos artísticos contemporâneos.

No que concerne ao projeto museológico e expositivo reforçou-se o programa de visitas, celebração de dias comemorativos e de efemérides, assim como exposições temporárias que pretenderam melhorar a divulgação e o conhecimento das coleções municipais, sempre em diálogo com a contemporaneidade. Merecem destaque: "Lojas do Porto - História e Identidade", inaugurada em 2018 e que esteve patente ao público até 21 de abril de 2019, na Casa do Infante, realçando o papel do comércio na cidade, ao longo do tempo. Relembram-se lojas tradicionais - algumas já desaparecidas, outras ainda existentes - partindo de documentos, imagens e objetos do Município, aos quais se juntam, ainda, objetos de alguns estabelecimentos; "Folhas de Poesia: nos 90 anos de Fernando Echevarría", que decorreu na Biblioteca Municipal Almeida Garrett, exposição bibliográfica em homenagem ao poeta Fernando Echevarría, nascido em 26 de fevereiro de 1929, que documenta a sua vasta obra, desde o primeiro livro de poemas, "Entre dois Anjos", publicado em 1956, até ao mais recente "Via Analítica" de 2018; "The Future is Our Jewel/ O Futuro é a Nossa Joia", patente na Casa-Museu Guerra Junqueiro, exposição coletiva de peças de joalharia desenhadas por alunos de escolas artísticas de cinco países europeus (Espanha, Grécia, Itália, Portugal e Reino Unido), incluindo a Escola Artística Soares dos Reis, com curadoria de Graça Ventura/ Escola Artística Soares dos Reis; "A Viagem que Guerra Junqueiro nunca fez", exposição de fotografia de José Sérgio, instalada na Casa-Museu Guerra Junqueiro, que ficciona o encontro de Guerra Junqueiro com o distrito de Quelimane, Moçambique, território que nunca visitou; "312 Km", na Casa Tait, exposição de fotografia de Jorge Azevedo que retrata a paisagem como uma categoria extremamente dinâmica que, além de se portar como uma expressão das práticas humanas ou das ações da natureza, é capaz de narrar, através das suas manifestações aparentes ou ocultas, a história daquele espaço; "Casa acusmática/ onde se ativam as falas, as formas, os factos e as ficções", Museu Romântico, projeto que incluiu duas Conversadeiras e duas Tempestades Domésticas. Uma das Tempestades Domésticas coincidiu com a celebração da chegada do Rei Carlos Alberto ao Porto e consistiu um percurso narrado com término nos jardins do Museu para um lanche e convívio, que serviu também de inauguração de uma pequena peça de áudio-guia ficcional no interior do Museu; "24 Páginas", Biblioteca Municipal Almeida Garrett, a ilustradora Marta Madureira expôs 24 ilustrações de 8 livros, para a infância, de outros tantos autores, exposição realizada no âmbito do programa Todos a Ler!; "A musa em férias", Casa-Museu Guerra Junqueiro, o título da exposição alude ao livro de idílios e sátira da Guerra Junqueiro; "Besos: A noble ecosystem", Casa do Infante, projeto da autoria das Duae Collective que se centra sobre a antiga relação entre cidade e rio, através de impressões fotográficas, vídeo e cartografia, a exposição integra-se na Bienal de Fotografia do Porto, cujo foco é provocar uma maior consciencialização crítica sobre o impacto do comportamento humano em termos sociais e ambientais; "Some star dust matter", Palacete Viscondes de Balsemão, é uma meditação sobre ansiedades antropocêntricas.

Realidades ligeiramente distorcidas que se confrontam e interrompem entre si, suscitando uma derivação a partir da noção de natureza e de cultura. Esta vídeo-instalação é apresentada no contexto da Bienal de Fotografia do Porto; "Coleção Cityzine", Biblioteca Municipal Almeida Garrett, mostra de publicações alternativas para a divulgação de autores e obras com particular enfoque na Fotografia de Arquitetura, Cidade e Território; "Aquilino - um rosto, uma obra", Biblioteca Pública Municipal do Porto, esta exposição com curadoria de Manuel Casal Aguiar e de Luís Cabral, é uma evocação a Aquilino Ribeiro, numa exposição bibliográfica e artística onde estão patentes, livros e manuscritos do autor mas, também, um interessante conjunto de desenhos preparatórios sobre Aquilino Ribeiro (1885-1963) que o pintor Manuel Casal Aguiar fez para a capa da edição comemorativa do centenário do nascimento do escritor; "Terceira Asa: Leonor de Almeida, poeta póstuma de si", Casa-Museu Guerra Junqueiro, esta exposição dá a conhecer a vida e a obra de uma poeta ímpar; "Escrito com cal e com luz: ensaio fotográfico sobre a poética de Carlos de Oliveira", patente no átrio da Biblioteca Municipal Almeida Garrett, exposição de fotografia de Renato Roque, que revela parte da obra do escritor Carlos de Oliveira, revisitando os locais da Gândara, em Cantanhede, onde viveu a infância, e que se refletem amiúde nos seus textos. Além disso, é enriquecida por uma seleção bibliográfica e de manuscritos autografados pelo próprio escritor, que integram as coleções das bibliotecas municipais do Porto; "Homem Bicho", na Casa-Museu Guerra Junqueiro, exposição que reúne os trabalhos recentes do artista plástico e jornalista Agostinho Santos sobre um tema que o (pre)ocupa desde há anos com curadoria de Nuno Faria; "Formas que contam uma história", na Casa Tait, exposição que integra os trabalhos dos alunos da Escola Artística Soares dos Reis do Curso de Produção Artística de especialização têxtil; "Andando em torno do Sol. Máquinas, aranhas e corsários", na Casa do Infante, projeto curatorial que estabelece um diálogo entre campos de arte, filosofia e política, com curadoria de Eduarda Neves. Contou com a participação dos artistas Amarante Neves, Ana Guimarães e Tiago Veloso, João Tabarra, Manuel Santos Maia, Reinhold Zisser, Sérgio Leitão; "Bauhaus - 100 anos, 100 objetos", na Casa-Museu Guerra Junqueiro, visa apresentar objetos, cartazes históricos e contemporâneos, através de obras e atores significantes e, simultaneamente, estabelecer uma reflexão sobre a linguagem identitária que marcou o design naquela escola alemã (1919-1933), através de um olhar crítico sobre a sua dimensão no contexto atual. Uma narrativa que associa objetos históricos e contemporâneos, através de soluções inovadoras para a construção do Design no novo milénio; "Para Além do Espaço Físico", no Palacete dos Viscondes de Balsemão, instalação sensorial que procura aproximar o espectador do indivíduo com uma perturbação e que, de forma visualmente apelativa, desperta a curiosidade, sensibiliza e educa; "Mário Cláudio 50 anos de Vida Literária", na Biblioteca Municipal Almeida Garrett, exposição bibliográfica e documental dedicada aos 50 anos de vida literária do escritor.

Em 2019, os visitantes das exposições e participantes de atividades educativas nos espaços museológicos municipais foram, aproximadamente, 560.000.

O desafio de (re)descoberta do património material e imaterial da cidade realizou-se, pelo sexto ano consecutivo, com consolidado êxito. O ciclo intitulado "Um Objeto e Seus Discursos Por Semana", nesta edição percorreu, exclusivamente, museus: núcleos e coleções de arte e ciência, mais ou menos conhecidos, formularam assim convite à redescoberta dos seus segredos. Debateram-se objetos museológicos e, simultaneamente, ideias, valores e sabores; cruzaram-se convidados dos quadrantes sociais e dos saberes mais diversos - da engenharia à fotografia, passando pela escultura, pela saúde ou pela fé. Em 31 sessões, participaram, aproximadamente, 2.250 pessoas, 93 convidados e moderadores.

De descoberta ou redescoberta, também, se fizeram os Percursos Culturais propostos em 2019. Os técnicos municipais partiram de locais diversos, mais ou menos conhecidos, desvendando objetos, documentos, ruas e espaços e revisitando múltiplas histórias reais, mas também alguns mitos. Com uma programação temática, realizaram-se 14 percursos dedicados à cidade, homens, espaços e construções, nos quais participaram cerca de 183 pessoas.

Em representação do Município, o Pelouro da Cultura manteve a interlocução com a UNESCO e demais entidades oficiais, assumindo a função de "gestor do sítio" classificado - Centro Histórico do Porto, Ponte Luís I e Mosteiro da Serra do Pilar - integrando a Rede de Património Mundial de Portugal bem como outras redes internacionais, que visam a promoção e salvaguarda deste bem inscrito na lista de património mundial. De salientar, neste âmbito, o projeto AtlaS.WH - Património no Espaço Atlântico: Sustentabilidade dos Sítios Urbanos Património Mundial, resultante de uma parceria entre Bordéus, Santiago de Compostela, Edimburgo e Florença, e liderada pelo Porto que pretende potenciar a reflexão e análise conjunta com vista à concretização dos novos Planos de Gestão e de Sustentabilidade para cada Sítio, que passa pela implementação de uma metodologia comum e por um modelo integrado de gestão e monitorização, sob o princípio do desenvolvimento sustentável, com vista a contribuir para a manutenção da identidade urbana de cada Sítio.

O Município associou-se às Jornadas Europeias do Património, subordinadas ao tema "Artes Património Lazer", que decorreu de 27 a 29 de setembro. Pretendeu-se com este tema destacar as muitas facetas do património ligadas às artes, como fonte de entretenimento, e ao lazer, que nos permitem a todos viver outras dimensões da vida quotidiana tendo o Município do Porto promovido várias iniciativas: As duas Alfândegas do Porto: significados na história da cidade, Casa do Infante + Alfândega Nova do Porto; À descoberta do castro de Penaventosa, Arqueossítio; Caminhar no Património. À Descoberta da Rota da Água - Um percurso ribeirinho do Mapa de Arte Pública do Porto, Arqueossítio; A Casa e o Infante, Casa do Infante; O quadro de Charles Napier Hemy, Uma vista sobre o Porto 1881, Museu Romântico; O Porto do Almada: o projeto de requalificação do núcleo medieval, Casa do Infante; Marias da Sé - Cinema, Casa-Museu Guerra Junqueiro e Jack Broadbent, Casa-Museu Marta Ortigão Sampaio.

A área de património cultural assegurou de forma continuada os serviços de documentação e informação administrativa nas áreas de arquitetura e arqueologia, promovendo a salvaguarda do património de importância para a cidade e sua história, tendo mantido o seu envolvimento na revisão do Plano Diretor Municipal, (valores patrimoniais, arqueológicos e edificados).

Lançou-se a segunda edição do projeto Aquisições com um novo comité de seleção constituído por Bernardo Pinto de Almeida, crítico de arte e professor na Faculdade de Belas Artes da UP; Juan Luis Toboso, curador, investigador e docente na ESAP; Luís Pinto Nunes, curador e coordenador do Museu da Faculdade de Belas Artes da UP; e Maura Marvão, consultora em arte do século XX e arte contemporânea e docente na Escola das Artes da UCP. Com um orçamento de 100.000 euros, o comité selecionou 16 obras apresentadas em contexto de galeria durante o ano de 2019, consubstanciando um leque representativo da prática e património artísticos da cidade.
O programa Colectivos PLÁKA reúne grupos de reflexão e produção de pensamento sobre arte contemporânea e a prática artística, coordenados por coletivos de Tutores que programam cursos dedicados a temáticas específicas. Em 2019 deu-se continuidade ao modelo formativo com três cursos que decorreram entre julho e dezembro. O primeiro, The Time(s) of Contemporaneity 2: Descolonizando a Cultura", tutorado por Claire Bishop e Nuno Crespo, que reuniu artistas e intelectuais para debater a relação entre arte, etnias, instituições e o legado do colonialismo e, após a transferência para a Ágora, o programa acolheu dois cursos: "Práticas pós-nostálgicas/Post-nostalgic knowings", tutorado por Inês Moreira e Aneta Szylak, dedicado a repensar os espaços pós-industriais, com enfoque na encosta do Freixo; e "Love & Garbage", tutorado pelo coletivo multidisciplinar Assemble, que explorou o trabalho cooperativo e o fazer enquanto resposta ao formalismo e hierarquia dos sistemas tradicionais que propiciam a divisão social. Em conjunto, os cursos contaram com 40 alunos e mais de 400 pessoas nos programas públicos.

A edição de 2019 do Anuário - exposição que documenta a prática artística e curatorial do Porto e que resulta do trabalho de um coletivo de curadores que analisa o programa expositivo de diversos espaços públicos da cidade durante um período de doze meses - contou com um novo comité de curadores convidados: Catarina Miranda, Eduarda Neves, Filipe Marques, Samuel Silva e Simão Bolívar. Ao longo de 2019, o comité acompanhou a produção contemporânea do Porto, registando os principais intervenientes e os momentos de inflexão que definiram o discurso e o panorama artísticos na cidade.

O ano de 2019 foi de continuidade para o programa Criatório, com vista à atribuição de 16 bolsas de apoio a projetos de criação artística, cada uma no valor de 15 mil euros, distribuídas por quatro modalidades: artes visuais e curadoria; artes performativas e programação; composição, programação e performance musical; literatura, investigação e pensamento crítico. No último trimestre de 2019 foi selecionado um novo júri para a nova edição do programa cuja grande novidade é a criação de uma nova modalidade de financiamento dedicada aos espaços de arte sediados na cidade, tendo em vista as crescentes dificuldades de fixação e manutenção destes espaços no centro do Porto.

De destacar, ainda, o programa de apoio à internacionalização cultural Shuttle, que através de um concurso instituído pelo município do Porto visa promover e apoiar a arte e os trabalhos de artistas e agentes culturais sediados na cidade que atuem em áreas de Artes visuais e curadoria; Artes performativas; Performance e composição musical; Tradução e criação literária e ensaística. Depois de apoiar 13 projetos artísticos que deverão realizar a sua internacionalização até março de 2020, no último trimestre do ano foi selecionado o júri para a nova edição do programa que contará com um orçamento reforçado.

Em 2019 deu-se continuidade ao InResidence, programa de financiamento a projetos de residência artística com a duração mínima de dois meses em espaços culturais não municipais integrados na plataforma InResidence Porto. Apoiaram-se seis novos projetos de residência artística em espaços que têm dado a conhecer alguns dos nomes da prática artística contemporânea à cidade: Mala Voadora, Maus Hábitos, Sonoscopia, Rua do Sol, Escola das Artes da Universidade Católica e Circolando. Pretende-se, desta forma, criar condições para que os artistas se ancorem no Porto e possam descobrir o que a cidade tem para oferecer.
O Fórum do Futuro é um festival de pensamento que decorre anualmente na cidade do Porto e que tem como principal objetivo reunir convidados de múltiplas disciplinas e diferentes geografias culturais para refletir sobre questões fundamentais para as sociedades contemporâneas.

Na edição de 2019, o programa comissariado por Guilherme Blanc foi pela primeira vez desenvolvido por uma equipa artística ampla, que contou com os curadores John Akomfrah (artista), Filipa Ramos (editora da art-agenda eflux) e Gareth Evans (curador de cinema da Whitechapel Gallery). Entre 3 e 9 de novembro, foi apresentado um programa de debates e performances que propôs, através de diversas perspetivas e práticas disciplinares, problematizar processos de ocupação cultural e territorial históricos e atuais. Tomou como ponto de partida a efeméride dos quinhentos anos da primeira viagem de circum-navegação por Fernão de Magalhães e, adotando simbolicamente como título Crossings/Travessias, propôs repensar este acontecimento e os seus múltiplos efeitos de uma forma alargada, a nível histórico, político e cultural.

O Fórum do Futuro de 2019 suscitou um grande interesse e envolvimento da cidade, o que fez desta a edição mais concorrida pelo público até à data, esgotando a totalidade das sessões e excedendo o número de assistências da edição anterior. Mais de oito mil pessoas participaram nas palestras, debates, artist talks e performances que se espalharam pelos espaços do Teatro Municipal Rivoli, Galeria Municipal do Porto, Cinema Trindade, Casa da Música e Museu de Serralves.

O Paulo Cunha e Silva Art Prize, criado em 2016 enquanto projeto de homenagem ao vereador da Cultura, teve em 2019 o início da 2ª edição, com um valor monetário de 25 mil euros dirigido a artistas internacionais com menos de 40 anos que não tenham tido mais do que uma exposição individual em instituições ou espaços de relevo internacional. Em agosto de 2019, de entre os 48 artistas indicados pelos 16 curadores, o júri selecionou 6 finalistas.

Foi dada continuidade à Agenda para o Cinema Independente, que organiza, mapeia e divulga as sessões de cinema que acontecem fora do circuito comercial.  

A partir de uma política de coprodução e parceria com diversas iniciativas de exibição cinematográfica - BEAST - Festival Internacional de Cinema, Family Film Project, Porto/Post/Doc, Queer Porto, Shortcutz - o Município promoveu o cinema no Porto, estimulando uma mediação entre vários agentes.

Com o objetivo de garantir uma sólida oferta cinematográfica na cidade, e numa clara estratégia de apoio à exibição de cinema nas salas da baixa, promoveu-se o TRIPASS, um cartão que dá acesso privilegiado ao circuito de cinema na Baixa do Porto com descontos e outros benefícios nas salas Trindade, Teatro Municipal do Porto - Rivoli / Campo Alegre e Passos Manuel.

Em setembro de 2019 deu-se início ao projeto de um polo de ateliers municipais com capacidade para acolher entre seis a oito artistas ou projetos artísticos, por um período de 3 anos, em espaços de trabalho que pertencem ao Município: nos ateliers da Lada - criados há mais de quinze anos com esse propósito - e num prédio a estes adjacente, no coração da zona histórica.