<span>Visitas Virtuais</span>
Origens Remotas

A ocupação humana da região do Porto tem centenas de milhares de anos e remonta à pré-história, o que tem vindo a ser comprovado quer por achados avulsos de utensílios em pedra, quer pelos resultados de diversas intervenções arqueológicas recentes.

À arqueologia se deve também, em particular nas últimas décadas, a descoberta de vestígios seguros de povoamento estável e concentrado a partir dos finais da Idade do Bronze e ao longo da Idade do Ferro (primeiro milénio antes de Cristo), documentando-se já muito bem o castro que existiu no morro da Sé.

Esse primitivo núcleo urbano foi sendo alargado para as margens do rio Douro pelo menos desde a época da ocupação romana, a partir do século I a.C. Nos séculos seguintes, provavelmente potenciado pelo comércio a larga escala e pela importância do vizinho núcleo mineiro das serras de Santa Justa, Pias, Banjas e outras, o povoado ampliou-se e aumentou a sua população.

Os testemunhos arqueológicos desta época da vida da cidade são muito numerosos, podendo observar-se por exemplo nas importantes ruínas do arqueossítio da rua D. Hugo, nº 5, com vestígios da Idade do Ferro, período romano, ou na Casa do Infante, onde foi encontrada uma casa romana do século IV com vários compartimentos pavimentados com mosaicos. Por essa época, toda a região portuense era palco de uma ativa vida económica e outros núcleos de povoamento tinham-se estabelecido em vários locais do atual concelho do Porto, desde Campanhã à Foz do Douro, bem como na margem esquerda do rio, em Vila Nova de Gaia.

Nos começos do século V, com a fragmentação do Império Romano e a instalação na península ibérica de vários povos oriundos das regiões do centro-leste da Europa, a região do Porto fica na dependência do primeiro reino independente criado na Europa ocidental após a queda do Império, o reino suevo (411-585). Embora a sua principal capital tenha sido em Braga, há informações que vários episódios políticos e militares ocorreram em Portucale (nome que a cidade tinha então), e duas raras moedas em prata de um dos reis suevos, Requiário, foram também encontradas nas escavações da Casa do Infante.

Entretanto, Portucale torna-se também sede episcopal e depois de finais do século VI, quando o reino visigodo conquista e absorve a monarquia sueva, a cidade funciona também como centro emissor de moeda para vários reis visigodos. Não obstante ter estado envolvida em vários conflitos internos desde o período suevo, a região deverá ter mantido uma população estável. As suas muralhas, reconstruídas pelo menos nos finais dos tempos romanos, mantinham-se de pé e com o avanço da cristianização novos templos iam sendo fundados, como terá acontecido pelo menos com a igreja de Cedofeita.

No ano de 711 exércitos muçulmanos vindos do norte de África desembarcam na península e no processo de conquista que avança para norte em poucos anos chegam à região do Porto, substituindo o domínio visigodo. A história de Burtucal (como aparece em algumas fontes árabes) ao longo dos séculos VIII e IX é pouco conhecida, mas não razões para crer na fixação de significativas populações muçulmanas ou mesmo devastações significativas, pelo que as comunidades locais terão seguido nas suas ocupações, perturbadas apenas pontualmente por algumas razias suscitadas pelo saque ou por ataques dos viquingues, que por meados do século IX começam a assolar a costa atlântica. Nesta época, a cidade seria governada por Sa'dun al-Surunbaqi, um muladí (cristão islamizado) afeto a um rebelde muçulmano. No ano de 868, no quadro da expansão para sul da monarquia astur-leonesa, a cidade é tomada por Vímara Peres, que se torna o primeiro «conde» da região portucalense.