Feira do Livro bate recorde com 285.000 visitantes e assume papel de referência
20-09-2017

Ações dirigidas a todas as faixas etárias, debates, lições, sessões de spoken word e de cinema, oficinas, espetáculos de teatro, exposições, poesia, conversas, performances, dança e apresentações rechearam os 17 dias da Feira do Livro do Porto com uma programação que conferiu ainda maior protagonismo ao livro e à literatura. O resultado fica patente no registo de 285.000 visitantes, entre os quais o Presidente da República, número recorde que confirma ter sido acertada a aposta na estabilização da vertente comercial e no reforço das vertentes recreativa e cultural. 

Depois das edições anteriores terem homenageado Vasco Graça-Moura, Agustina Bessa-Luís e Mário Cláudio, as iniciativas dedicadas neste ano a Sophia de Mello Breyner Andresen estiveram no centro das atenções e inscreveram-se entre as que mais público congregaram, tanto no programa educativo como no de animação. Desde logo, a cerimónia de atribuição de uma tília em que o descerramento da placa evocativa coube ao filho da poeta, Miguel Sousa Tavares, e o debate que se lhe seguiu, também em torno das palavras de Sophia.

Mas a restante programação foi igualmente do agrado do público e a Feira do Livro, que já no ano passado atraíra um recorde de 250.000 pessoas, voltou desta vez a ultrapassar as expectativas e atingiu o patamar dos 285.000 visitantes, assumindo assim um estatuto de particular relevo no panorama literário e cultural.

Crescimento de público e respeito pelos jardins

Ao mesmo tempo, foi cumprida uma das prioridades definidas: o equilíbrio entre a forte presença humana durante o evento e o respeito pelos Jardins do Palácio de Cristal, que a Câmara do Porto tem vindo a recuperar através de um investimento de 1,3 milhões de euros, incluindo a já terminada consolidação dos muros.
A propósito, é de salientar que o guia histórico-turístico de recente publicação municipal "Jardins do Palácio de Cristal", da autoria das investigadoras e arquitetas paisagistas Teresa Portela Marques e Natália Bruno, foi um das publicações mais vendidas no pavilhão da Câmara do Porto, juntamente com "O Anjo de Timor", "Postais Ciclo de Natal" e a edição do "Porto.", livro que descreve e explica a nova identidade gráfica da cidade que tantos prémios acumulou já, a ponto de se tornar num case study internacional na área da comunicação.

No global, a quarta edição da Feira do Livro organizada diretamente pela Câmara do Porto envolveu um investimento de 100.000 euros e apresentou-se com duas novidades, uma das quais foi a montagem dos 130 pavilhões ao longo da Avenida das Tílias, mas sem irem além da Capela de Carlos Alberto, o que resultou num melhor ordenamento do espaço e melhor circulação do público. A outra correspondeu à preocupação do município em acolher o melhor possível os pedidos e sugestões dos expositores, neste caso dos alfarrabistas, cuja presença foi reorganizada no espaço entre a Concha Acústica e o Lago dos Cavalinhos, permitindo às duas dezenas de participantes deste setor exporem melhor as suas publicações e ao público ter uma melhor panorâmica e melhor acesso à oferta.



Com um total de expositores presentes superior à centena, destacando-se algumas estreias e outros regressos ao evento, a Feira do Livro 2017 sobressaiu também pela articulação entre os objetivos comerciais e a integração com outros eventos, conseguindo-se a estabilização da sua dimensão e a variedade da programação paralela com o objetivo de captar novos públicos.

O sucesso da aposta na captação de novos públicos é confirmado pelo aumento da assistência nos oito debates programados desta vez por José Eduardo Agualusa, nas quatro sessões de spoken word, nas seis lições sobre escritores de língua portuguesa programadas por Anabela Mota Ribeiro (destacando-se a aula de Ana Luísa Amaral sobre Sophia), e ainda em seis sessões de cinema, sete sessões especiais (incluindo as que evocaram Agustina Bessa-Luís e António Nobre), uma de Quintas de Leitura também sobre a poesia de Sophia de Mello Breyner, duas de teatro e numerosos eventos realizados no Salão Independente.
O número global conheceu um incremento de quase 2.000 pessoas e atingiu as 7.296, para o que contribuíram sessões com temáticas de interesse como foram os casos das dedicadas a Raul Brandão, Carlos Drummond de Andrade, David Mourão-Ferreira e Óscar Lopes ou o debate com a autora coreana Han Kang. 

Por seu lado, as 35 iniciativas incluídas no programa educativo, direcionadas para crianças e adultos, assinalaram um total de 1.416 participantes.
Acresce que também no capítulo das exposições patentes na Galeria Municipal, e relacionadas com a temática da poeta homenageada, houve um crescimento da procura por parte do público comparativamente às iniciativas correspondentes realizadas no ano passado: 12.668 pessoas visitaram a "Quatro Elementos"  e 10.134 admiraram "O Anjo de Timor e outras histórias - ilustrações para Sophia".
Refira-se que ambas as exposições não fecharam as portas com o encerramento da Feira do Livro e podem ser ainda visitadas, gratuitamente, até 12 de novembro.
Maria João Reynaud fechou com "Húmus" de Raul Brandão o ciclo de lições programado por Anabela Mota Ribeiro
18-09-2017

A ensaísta, crítica e professora universitária Maria João Reynaud, especialista na obra de Raul Brandão, deu ontem uma aula a partir de "Húmus", no Salão Independente da Feira do Livro, que terminou nos Jardins do Palácio de Cristal.

«Nenhum de nós sabe o que existe e o que não existe. Vivemos de palavras. Vamos até à cova com palavras. Submetem-nos, subjugam-nos. Pesam toneladas, têm a espessura de montanhas. São as palavras que nos contêm, são as palavras que nos conduzem. Mas há momentos em que cada um redobra de proporções, há momentos em que a vida se me afigura iluminada por outra claridade. Há momentos em que cada um grita: ? Eu não vivi! Eu não vivi! Eu não vivi! Há momentos em que deparamos com outra figura maior, que nos mete medo. A vida é só isto?» - a citação é de Raul Brandão na sua obra-prima, publicada em 1917 e que serviu de ponto de partida para a lição "Húmus de Raul Brandão: entre o sonho e o grito".

A coincidência da celebração dos 150 anos do nascimento do autor portuense (1867-1930) - inclusive com uma exposição em dois polos  promovida pela Câmara do Porto e comissariada por Vasco Rosa - e o centenário da publicação de "Húmus" constitui um dos grandes acontecimentos literários do ano e, por isso, mereceu também particular atenção no programa cultural da Feira do Livro.

"Húmus ocupa um lugar de destaque na história da ficção portuguesa do século XX. O facto de o livro ter conhecido três versões em menos de dez anos é um dos seus aspectos mais fascinantes, na medida em que um tão extenso trabalho de refundição revela uma inquietação fundamental do escritor, relacionada com a experiência íntima da criação e com a problemática da escrita", considera Maria João Reynaud, convidada para encerrar o ciclo de lições que Anabela Mota Ribeiro programou para a Feira do Livro.

Raul Germano Brandão nasceu no seio de uma família de pescadores, a 12 de março de 1867 na Foz do Douro, no Porto, e morreu a 5 de dezembro de 1930, com 63 anos. Escritor, militar e jornalista, foi autor de uma influente obra literária e jornalística, que inclui obras como Os Pobres (1906), Húmus (1917), Os Pescadores (1923) e Portugal Pequenino (1930) que escreveu em parceria com a mulher, Maria Angelinda, e com desenhos de Carlos Carneiro, ou ainda O Pobre de Pedir (publicado postumamente em 1931).
Feira do Livro termina já neste domingo mas tem ainda muitas propostas culturais e de animação
16-09-2017

Contos de Sophia de Mello Breyner, jazz ao vivo, exposições, debate com Alexandra Lucas Coelho e Gonçalo M. Tavares, 130 pavilhões de livros, dança, lição de Maria João Reynaud sobre Raul Brandão, cinema, conversa com José Paulo Cavalcanti Filho, teatro, curso de literatura, espetáculo infantil, leitura encenada e performances são uma parte do que ainda tem para lhe oferecer a feira do Livro do Porto, que chega ao fim neste domingo. 

Com os Jardins do Palácio de Cristal continuamente percorridos por milhares de pessoas, a Feira do Livro tem vindo a disponibilizar um imenso programa de atividades culturais, educativas e de animação, desde o passado dia 1 e sempre com acesso livre.
Quase a terminar, tem porém ainda muitas sugestões para um final de semana em cheio para toda a família, das quais se destacam:

Permanente - "Impressões expressas - Sophia - Sophia", um convite ao saber da obra de Sophia de Mello Breyner, conjugando as tecnologias móveis com a poesia. A porta de entrada são os excertos de poemas inscritos na rampa entre o Pavilhão Rosa Mota e a Avenida das Tílias. Uma aplicação web e a função de reconhecimento de texto permitem ao público entrar no espaço digital onde a obra poética se transforma numa coleção de textos isenta de ordem, princípio ou fim. (Curadoria de Andreia Garcia; autoria de Sara Orsi)

Permanente - "Call me at tree" é a instalação sonora que desfia o público a atender o telefonema das árvores, sendo surpreendido com o sussurro de um poema ao ouvido.

Hoje, 21h30 - "Comunidade", a obra-prima do "escritor maldito", Luiz Pacheco (1925-2008), dá origem a um espetáculo de teatro (M/12) com Maria Duarte, Gonçalo Ferreira de Almeida e João Rodrigues, onde se toma contacto com a intimidade do escritor, polemista e editor, bem como com os seus anos de privação.

Domingo

12h00 - O ciclo de lições programadas por Anabela Mota Ribeiro conclui com "Húmus de Raul Brandão: entre o sonho e o grito", uma abordagem à escrita brandoniana pela especialista Maria João Reynaud. A atração ou vontade de conhecer melhor a obra e a vida de Raul Brandão pode até ser depois complementada com a visita às exposições que assinalam o 150.º aniversário do seu nascimento, comissariadas por Vasco Rosa e patentes até ao próximo dia 30 na Biblioteca Pública Municipal do Porto e na Casa-Museu Guerra Junqueiro.

12h/14h - Uma dose de música bem servida pela Juke Box instalada na Praça da Alimentação, com um menu de boas músicas escolhidas por autores e ilustradores portuenses.

A partir das 13h00 - Sessões de autógrafos com vários autores (informação detalhada em www.cm-porto.pt/feiradolivro)

14h30 - "Comunidade", a obra-prima do "escritor maldito", Luiz Pacheco (1925-2008), dá origem a um espetáculo de teatro (M/12) com Maria Duarte, Gonçalo Ferreira de Almeida e João Rodrigues, onde se toma contacto com a intimidade do escritor, polemista e editor, bem como com os seus anos de privação.

15h00 - A performance interativa itinerante "triActo" convida o público a participar num jogo de três letras e muitas palavras.

15h/18h - O premiado autor Gonçalo M. Tavares está presente na Feira do Livro, onde orienta um Curso de Literatura a partir do seu "O senhor Valéry" (inscrições esgotadas).

16h00 - A primeira sessão da nova temporada de "Porto de Encontro" traz para a conversa com o jornalista Sérgio Almeida o biógrafo de Fernando Pessoa, ex-ministro da Justiça do Brasil, consultor da UNESCO e do Banco Mundial, José Paulo Cavalcanti Filho, que vem também apresentar "Somente a verdade", o seu novo livro.

16h15 - Leituras encenadas pelo Balleteatro para o público mais jovem, na Concha Acústica.

17h00 - Marina Nabais e Joana Pupo apresentam o espetáculo "Corpo-Mapa-Livro", ist é "uma peça que desarruma a biblioteca". (a partir dos 4 anos; acesso limitado à capacidade da sala)

17h00 - A performance interativa itinerante "triActo" convida o público a participar num jogo de três letras e muitas palavras.

17h15 - O Centro de Dança do Porto apresenta-se com uma coreografia de Teresa Vieira a partir do conto "A Fada Oriana", de Sophia de Mello Breyner.

18h10 - Performance de dança contemporânea pelo Balleteatro a partir das palavras de Sophia de Mello Breyner "Com os teus gestos me vestiste e aprendia a viver em pleno vento".

18h30 - O "Jazz ao pôr do sol" apresenta o Pedro Neves Trio e o seu novo disco "5:21", que descreve o primeiro momento do amanhecer.

19h00 - O último dos debates programados por José Eduardo Agualusa junta dois dos autores mais interessantes da literatura portuguesa atual - Alexandra Lucas Coelho e Gonçalo M. Tavares - para uma conversa sobre "O corpo e o mal". Com moderação de Luís Caetano, vão partilhar com o público  o desejo de compreender o mecanismo do mal e o fascínio pela loucura e os territórios mais sombrios do espírito humano.

20h00 - "Landing" pelo Balleteatro, na Concha Acústica.
20h15 - "Landing" pelo Balleteatro, na Concha Acústica.
20h30 - "Landing" pelo Balleteatro, na Concha Acústica.
20h45 - "Landing" pelo Balleteatro, na Concha Acústica.

21h00 - "Sair da casca" é um projeto da Casca de oz que põe os contadores de histórias Rui Spranger e Joana Oliveira a dizer contos de Sophia de Mello Breyner, destinados a famílias.


21h30 - Na derradeira projeção de cinema, Anabela Mota Ribeiro apresenta "Um caso de vida ou de morte / A matter of life and dead" (Reino Unido, 1946), da dupla Michael Powell e Emeric Pressburger, um melodrama que é, simultaneamente, um sonho alucinado e uma viagem em queda livre pela toca de coelho da mente delirante de um homem, onde o destino dos amantes se joga no escorrer de uma lágrima por um rosto.

Pode ainda aproveitar a ida à Feira do Livro para admirar três exposições:
- "Quatro Elementos", um discurso a quatro vozes sobre um tema simultaneamwente transversal à obra da autora homenageada nesta edição da Feira e ao debate que vincula a próxima edição do Fórum do Futuro (o Planeta), patente na Galeria Municipal do Porto;

- "O Anjo de Timor e outras histórias - ilustrações para Sophia", onde se percorrem contos da poeta através de citações e das ilustrações de Graça Morais e Júlio Resende, patente na Mezzanine da galeria Municipal do Porto;

- "No illustration gap: Manuela Bacelar (1943) e Joana Estrela (1990)", que promove o encontro entre duas talentosas ilustradoras de gerações distintas.

Pode ainda acompanhar o que se passa através do facebook.

HORÁRIO
Abertura: SÁB-DOM 11H00
Encerramento: SÁB 23H00 / DOM 21H30
Hoje e amanhã há teatro com "Comunidade" a partir da obra-prima de Luiz Pacheco
16-09-2017

"Comunidade", a obra escrita em 1964 por Luiz Pacheco, é também o nome do espetáculo de teatro que a Feira do Livro apresenta neste fim de semana, em sessão especial a dobrar.
 
"É um bicho poderoso, este, uma massa animal tentacular e voraz, adormecida agora, lançando em redor as suas pernas e braços, como um polvo, digo: um polvo excêntrico, sem cabeça central, sem ordenação certa (natural); um grande corpo disforme, respirando por várias bocas, repousando (abandonado) e dormindo, suspirando, gemendo. Choramingando, às vezes. Não está todo à vista, mas metido nas roupas, ou furando aos bocados fora delas".
 
Neste espetáculo, o texto de Luiz Pacheco (1925-2008) - que é tido como a sua obra-prima - é interpretado na sua desarmante crueza pelas vozes e pelas mãos de Maria Duarte, Gonçalo Ferreira de Almeida João Rodrigues. Íntimo e autobiográfico, o testemunho dos anos de privação do escritor maldito, polemista e editor é moldado perante os nossos olhos.
 
Destinado a um público com idade superior a 12 anos, "Comunidade" é apresentado na Capela de Carlos Alberto, ao fundo da Avenida das Tílias (Jardins do Palácio de Cristal), pelas 21,30 horas de sábado e pelas 14,30 horas de domingo, com acesso livre.

A Feira do Livro termina já amanhã, mas há ainda muito para usufruir. Acompanhe tudo no facebook.

HORÁRIO
Abertura: SÁB-DOM 11H00
Encerramento: SÁB 23H00 / DOM 21H30
Visitantes da Feira do Livro vão conhecer melhor David Mourão-Ferreira e Óscar Lopes na tarde deste sábado
15-09-2017

O último fim de semana da Feira do Livro reserva ainda muitos motivos de interesse e atrações para os mais variados públicos, tanto no programa de animação como no programa educativo, com iniciativas ao longo de todo o dia e sempre de acesso livre. Da agenda, destacam-se dois eventos especiais que, durante o dia de sábado, reunirão várias personalidades para dar corpo a momentos dedicados a dois importantes nomes da poesia e da literatura portuguesa: David Mourão-Ferreira e Óscar Lopes.

Às 12 horas, o Salão Independente (piso 2 da Galeria Municipal) abre-se à descoberta da poesia de David Mourão-Ferreira (1927-1996) com a proposta de um percurso com o título de uma das suas mais conhecidas obras: "Do tempo ao coração".
Trata-se de uma lição do ciclo programado para a Feira do Livro por Anabela Mota Ribeiro, que convidou para orador o poeta e Professor de Literatura Fernando Pinto do Amaral. A sua intervenção  andará em torno de David Mourão-Ferreira e a revista Távola Redonda no contexto da década de 1950; continuidades e ruturas estéticas; o apuro formal da escrita; o equilíbrio entre tradição clássica e modernidade; a recuperação do lirismo; o amor e o erotismo davidianos; Lisboa e outras cidades; o fascínio pela Itália e por outros lugares da Europa; a melancolia como sinal de um "outro" David Mourão-Ferreira.

Mais tarde, pelas 16 horas, é tempo de "Óscar Lopes (1917-2013) - para além das fronteiras do conhecimento", num colóquio que tem lugar no Auditório da Biblioteca Municipal Almeida Garrett e em que se irá lembrar este homem múltiplo, no ano do centenário do seu nascimento. Para tal, a Feira do Livro contará com o testemunho de várias figuras da cena cultural portuguesa que com ele tiveram um contacto privilegiado: Artur Santos Silva, Carlos Magno, Isabel Margarida Duarte, José Luís Borges Coelho, José Manuel Mendes, José Pacheco Pereira e Viriato Pina Moura, sob moderação de Isabel Pires de Lima.

Óscar Lopes (na imagem) foi um intelectual marcante e um cidadão interventivo da segunda metade do século XX. Primeiro professor do ensino básico e secundário, depois professor catedrático e diretor da Faculdade de Letras da Universidade do Porto e seu vice-reitor, destacou-se como linguista, crítico e historiador literário e autor de vasta obra ensaística,
Uma formação multifacetada, cobrindo simultaneamente os domínios da linguística, da musicologia, da história, das línguas clássicas, da filosofia e da literatura, e uma viva curiosidade intelectual conduziram Óscar Lopes ao constante diálogo interdisciplinar, para além das fronteiras do conhecimento, com outros saberes (lógica, neurociência, astrofísica, matemática).

(A Comissão Organizadora desta sessão integra: DEPER / CITCEM  / CLUP / ILC-ML + FCT)

Acompanhe a Feira do Livro através do facebook.

Horário da Feira do Livro do Porto 2017
Abertura: SEG-SEX 12H00 / SÁB-DOM 11H00
Encerramento: DOM-QUI 21H30 / SEX-SÁB 23H00
Ana Sousa Dias recebe Laurent Binet para conversa sobre o poder da língua
14-09-2017

O ciclo de debates da Feira do Livro tem como protagonista, neste sábado, o escritor francês Laurent Binet, que estará à conversa com a jornalista Ana Sousa Dias.
De acesso livre e com tradução simultânea, a sessão programada por José Eduardo Agualusa tem início às 19 horas, no Auditório da Biblioteca Municipal Almeida Garrett.

A jornalista Ana Sousa Dias conversará com Laurent Binet sobre realidade e ficção e sobre a linguagem como instrumento de transformação do Homem e do mundo: o que pode a língua?

Laurent Binet venceu o Prémio Gouncourt com o seu primeiro romance, "HHhH", sobre o assassinato
de um dirigente nazi. No seu segundo romance, "A Sétima Função da Linguagem", reinventou a morte de Roland Barthes, misturando figuras reais muito conhecidas com outras saídas da sua imaginação. 

Acompanhe a Feira do Livro no facebook.

Horário da Feira do Livro do Porto 2017
Abertura: SEG-SEX 12H00 / SÁB-DOM 11H00
Encerramento: DOM-QUI 21H30 / SEX-SÁB 23H00
Debate-conferência faz homenagem a Miguel Portas na noite de sexta-feira
14-09-2017

O economista, jornalista e ex-eurodeputado, falecido em 2012, é alvo de uma homenagem no Salão Independente da Feira do Livro, na noite de sexta-feira.

A sessão, com início às 22 horas, tem como tema "Miguel Portas - as palavras como pontes" e conta com a participação de Alexandre Alves Costa, Álvaro Domingues, Nuno Ramos de Almeida e Ana Luísa Amaral.

A evocação de Miguel Portas, falecido com 53 anos, tem lugar no piso 2 da Galeria Municipal do Porto, nos Jardins do Palácio de Cristal, com acesso livre.

Horário da Feira do Livro do Porto 2017
Abertura: SEG-SEX 12H00 / SÁB-DOM 11H00
Encerramento: DOM-QUI 21H30 / SEX-SÁB 23H00
Performance sonora põe árvores a sussurrar poesia nos Jardins do Palácio de Cristal
13-09-2017

Os visitantes da Feira do Livro e dos Jardins do Palácio de Cristal são confrontados com um intenso programa de animação que inclui telefones a tocar nas árvores e a dizerem poesia a quem se atreve a atender.

"Call me at tree" é o nome da instalação sonora que vem surpreendendo diariamente o público, quando um telefone toca subitamente a partir de uma árvore, na Avenida das Tílias. O objetivo é desafiar os visitantes a atenderem, surpreendendo quem o faça pois a árvore irá dizer-lhe ao ouvido um poema inspirado na mãe-natureza.

O soundscape desta instalação é da responsabilidade de Hugo Branco, sendo a curadoria e a voz off literária de Rosa Alice Branco, enquanto a instalação tem a assinatura de Paulina Almeida.

A atividade decorre ao longo de todo o período da Feira do Livro, até ao próximo domingo, e é grátis para miúdos e graúdos, pretendendo aproximar o cidadão comum da poesia de uma forma ligeira, porém agradável.

Saiba tudo o que a Feira do Livro do Porto tem para lhe oferecer, acompanhando o que se passa diariamente através do facebook.
Feira do Livro retoma verso de Sophia de Mello Breyner nas Quintas de Leitura
13-09-2017

O ciclo poético Quintas de Leitura tem nesta semana uma edição duplamente especial, pois está integrada no programa de sessões especiais da Feira do Livro e vai desenrolar-se em torno de Sophia de Mello Breyner, a autora homenageada da presente edição.

"Eu me busquei no vento e me encontrei no mar", verso do poema "Eu me perdi", dá título a mais uma iniciativa dedicada à obra poética de Sophia, cujo início está marcado para as 21,30 horas de quinta-feira, no Auditório da Biblioteca Municipal Almeida Garrett (Jardins do Palácio de Cristal), com acesso livre.

O serão percorrerá o caminho poético da autora, iniciado em 1944 com o livro "Poesia", e crescerá também com várias presenças: Carlos Mendes de Sousa, que fará a apresentação; Cristiana Sabino, Mariana Magalhães, Teresa Coutinho e Pedro Lamares, que farão as leituras; Joana Machado Trio e Sopa de Pedra, responsáveis pela música; e Hazul, que desenvolverá o tema "A poesia está na rua", slogan lançado por Sophia no 1.º de maio de 1974.

Com programação a cargo de João Gesta, este evento constitui mais um momento particularmente importante do ciclo poético Quintas de Leitura, que caminha para os 16 anos de existência, além de ir ao encontro da temática dominante da edição deste ano da Feira do Livro do Porto.
Clara Rowland conduz hoje revisitação ao fabuloso mundo de Carlos Drummond de Andrade
13-09-2017

Carlos Drummond de Andrade (1902-1987), o mais influente poeta brasileiro do século XX, é tema de uma lição que a Feira do Livro do Porto promove hoje, sob condução da professora universitária Clara Rowland, especialista em Literatura Brasileira e Comparada.

De acesso livre, a sessão, programada por Anabela Mota Ribeiro, decorre a partir das 19 horas na Capela de Carlos Alberto, nos Jardins do Palácio de Cristal. 

Começando por um verso de "Cantiga de Enganar" - o mundo não vale o mundo, meu bem - esta sessão procurará pensar, através de poemas muito e pouco conhecidos da extensa obra de Carlos Drummond de Andrade, a articulação entre as palavras mundo e poesia.
Para o fim, fica a leitura do poema drummondiano "A Máquina do Mundo", onde há clara alusão ao Canto X de "Os Lusíadas" e que foi publicado no livro "Claro Enigma" onde, por sua vez, se encontra ligação à "Mensagem" de Fernando Pessoa.

Acompanhe diariamente o que se passa na Feira do Livro através da página do facebook.

(imagem: carlosdrummond.com.br)
Exposição de ilustração faz a ponte entre duas artistas de diferentes gerações
12-09-2017

As maravilhas das imagens que preenchem os livros, nomeadamente para a infância, são tema de uma exposição que está patente no átrio do Auditório da Biblioteca Municipal Almeida Garrett.

Inserida na programação educativa da Feira do Livro, a exposição intitula-se "No Illustration Gap: Manuela Bacelar (1943) e Joana Estrela (1990)" e pretende mostrar isso mesmo: que, quando se trata de ilustração, não há hiatos entre gerações, por mais afastadas que estejam.

Nesse sentido, a exposição representa o encontro de duas talentosas ilustradoras que revelam muitos pontos de contacto na forma como são inspiradas pelo que as rodeia: a família ou a cidade onde vivem.

De acesso livre, "No Illustration Gap: Manuela Bacelar (1943) e Joana Estrela (1990)" pode ser visitada até ao próximo domingo durante o horário da Feira do Livro:
Abertura
SEG-SEX 12H00 / SÁB-DOM 11H00
Encerramento
DOM-QUI 21H30 / SEX-SÁB 23H00
Feira do Livro dedica sessão de spoken word ao romance "As Primeiras Coisas" de Bruno Vieira Amaral
12-09-2017

O romancista Bruno Vieira Amaral participa num evento de spoken word da Feira do Livro, na próxima sexta-feira, que inclui conversa com o autor e espetáculo baseado no primeiro e premiado romance "As Primeiras Coisas".
A sessão, com início às 22 horas, tem acesso livre e conclui o ciclo de spoken word programado para a Feira do Livro do Porto por Anabela Mota Ribeiro.

O ponto de partida é, assim o romance com que Bruno Vieira Amaral venceu o Prémio Literário José Saramago, o Prémio Literário Fernando Namora, o Prémio PEN Clube Narrativa e o Prémio Novos, entre 2013 e 2015, tendo sido também Livro do Ano para a revista Time Out.

Memórias, embustes, traições, homicídios, sermões de pastores evangélicos, crónicas de futebol, gastronomia, um inventário de sons, uma viagem de autocarro, as manhãs de domingo, meteorologia, o Apocalipse, a Grande Pintura de 1990, o inferno, os pretos, os ciganos, os brancos das barracas, os retornados: a Humanidade inteira arde no Bairro Amélia. E as vozes das personagens ouvem-se neste espetáculo, através da performance da cantora e diseuse Ana Celeste Ferreira e do músico Vítor Rua que, de forma sublime, transportam os espectadores para o Carnaval de 1989.

Bruno Vieira Amaral, que acaba de lançar o seu segundo romance - "Hoje estarás comigo no Paraíso" - também participa com leitura e abordando a obra numa conversa com Rui Couceiro.

A Feira do Livro pode ser acompanhada diariamente no facebook.
Feira do Livro promove curso de literatura com Gonçalo M. Tavares
11-09-2017

A Feira do Livro promove no próximo domingo um curso teórico sobre literatura e imaginação, orientado pelo premiado autor Gonçalo M. Tavares, que terá lugar na Biblioteca Municipal Almeida Garrett, nos Jardins do Palácio de Cristal.

A iniciativa parte do seu livro "O Senhor Valéry", vencedor do Prémio Branquinho da Fonseca Expresso/Gulbenkian e recomendado pelo Plano Nacional de Leitura, e inclui a realização de exercícios práticos de aplicação de conceitos.

Concebida especialmente para maiores de 18 anos, esta oficina prevê a abordagem de temas como o erro e o acaso na literatura, a linguagem como base da arte, a escrita e identidade ou os pontos de vista na escrita.

O curso, que decorrerá entre as 15 e as 18 horas, é de acesso é gratuito mediante inscrição prévia através do e-mail dmacc@cm-porto.pt .
Ana Luísa Amaral ensina a gostar (mais) de Sophia
09-09-2017

Mais de centena e meia de "alunos" de todas as idades encheram hoje o Salão Independente da Feira do Livro do Porto para escutar a poeta e docente Ana Luísa Amaral falar sobre Sophia de Mello Breyner Andresen.

Na terceira das lições que Anabela Mota Ribeiro programou para esta edição, a decorrer nos Jardins do Palácio de Cristal, a poeta homenageada voltou a estar no centro das atenções (e foram muitas) pela voz de uma especialista na sua obra. Mas Ana Luísa Amaral esclareceu previamente que não se tratava de "uma lição no sentido pesado" do termo, antes de dar conta do que é "a minha Sophia e a minha perspetiva sobre a poesia de Sophia". E começou pelo primeiro poema do primeiro livro de poesia, que Sophia publicou em 1944, evocando várias outras fases da sua obra para afirmar que "Sophia faz parte desses poetas que atravessaram gerações", destacando na comparação Florbela Espanca e Irene Lisboa.

Ana Luísa Amaral fez referência as muitos outros poetas que escreveram sobre Sophia de Mello Breyner, para evidenciar a influência desta e o seu importante papel na poesia que - citando a homenageada - "é consubstancial à vida".

A oradora frisou ainda que Sophia "é uma das vozes maiores da nossa poesia da segunda metade do século XX, que criou uma linguagem e uma voz próprias", e planou sobre a diversidade da obra poética em apreço para, mais do que uma aula, ajudar a assistência a entender, interpretar e interiorizar a poesia de Sophia. Sublinhou igualmente a intervenção política, tanto na Assembleia Constituinte como no campo puramente cultural, e parafraseou Sophia enquanto deputada ao defender que "a poesia [a arte] não existe para enfeitar a vida, mas sim para a transformar".

Se a própria Ana Luísa Amaral conseguiu isso mesmo - transformar a vida de quem assistiu a esta lição - o mesmo objetivo é perseguido por grande parte do programa educativo que tanta procura está a suscitar nesta Feira do Livro. Foi o caso do debate que se seguiu nesta tarde e que reuniu Tatiana Salem Levy, Dulce Maria Cardoso e Raquel Marinho em torno da pertinente questão "A Literatura pode salvar o Mundo?". Assim aconteceu também com o encontro em que Mónica Baldaque, Isabel Pires de Lima e Ana Paula Coutinho falaram de diversos aspetos da obra de Agustina Bessa-Luís e avaliaram da sua atualidade.

Com o fim de tarde voltado para António Nobre e o 150.º aniversário do seu nascimento, numa sessão incluída no ciclo municipal Um Objeto e seus Discursos por Semana (o objeto de pretexto para a conversa foi um dos cachimbos da coleção do poeta), a noite poria a tónica em Clarice Lispector. "Que mistérios tem Clarice?" foi o mote da sessão de spoken word que, evocando os 40 anos da morte da autora brasileira de culto, pôs em diálogo a literatura, as artes plásticas, a música e a performance.
Três especialistas falam sobre a atualidade da obra de Agustina Bessa-Luís
08-09-2017

Agustina Bessa-Luís, homenageada pela Feira do Livro em 2015 e que já conta com uma tília na Alameda dos Escritores, nos Jardins do Palácio de Cristal, volta a ser lembrada e homenageada pelas 17,45 horas deste sábado.

Na abertura da secção de sessões especiais, a cerca de um mês de se assinalar o 95.º aniversário de Agustina (15 de outubro), o Salão Independente foca-se na atualidade da autora de "A Sibila", cuja obra é agora reeditada pela Relógio D'Água com prefácios de autores como António Lobo Antunes, Gonçalo M. Tavares, Hélia Correia, António Mega Ferreira, Pedro Mexia e António Barreto.

O evento, de acesso livre, tem a participação de Mónica Baldaque, escritora, ilustradora e filha de Agustina, que abordará a obra da autora, em particular o inédito "Deuses de barro", que irá sair com um prefácio seu, e o livro infantil "Dentes de Rato", que ilustrou.
As professoras Isabel Pires de Lima e Ana Paula Coutinho, participantes do Círculo Literário Agustina Bessa-Luís, falarão sobre diversos aspetos da sua obra, de que são estudiosas.

Acompanhe a Feira do Livro no facebook.
Sessão deste sábado procura descobrir os mistérios de Clarice Lispector
08-09-2017

Anabela Mota Ribeiro preparou a noite de sábado, 9 de setembro, uma sessão de spoken word que evoca os 40 anos da morte de Clarice Lispector. Intitulada "Que mistérios tem Clarice?", tem acesso livre e início às 21,30 horas no Auditório da Biblioteca Municipal Almeida Garrett, contando com a participação de Ana Vidigal (imagem), Marta Hugon (voz), Filipe Raposo (piano) e Carlos Mendes de Sousa (seleção de textos).

Clarice Lispector tornou-se entre nós uma autora de culto, cuja repercussão atual em Portugal excede talvez a de qualquer outro escritor brasileiro. Num belíssimo poema, escrito a seguir à morte da escritora, Carlos Drummond de Andrade retratou-a, falando justamente do mistério (palavra que, a partir do título de uma canção de Caetano, dá o mote a esta sessão): "Clarice / veio de um mistério, partiu para outro. / Ficamos sem saber a essência do mistério. / Ou o mistério não era essencial, / era Clarice viajando nele".

Nos 40 anos da sua morte, esta sessão de spoken word procura pôr em diálogo a literatura, as artes plásticas, a música, a performance, tendo como centro a palavra de Clarice.

Até 17 de setembro, a Feira do Livro do Porto tem ainda para oferecer um vasto programa que pode acompanhar diariamente na página do facebook.
A paixão por Sophia de Mello Breyner é tema de lição por Ana Luísa Amaral
08-09-2017

A grande afluência que o programa cultural da Feira do Livro tem registado levou a transferir da Capela de Carlos Alberto para o Salão Independente (piso 2 da Galeria Municipal) a sessão que, pelas 12 horas deste sábado, é dedicada novamente à poeta que a edição deste ano está a homenagear.

Sophia sabia, com toda a inteireza que a poesia tem, que "seria possível construir um mundo justo", que "as cidades poderiam ser claras e lavadas". Sophia, que é também a Sophia do mar e dos mitos, e de Nausikaa, com dois aa, é a das palavras-entes, poliedros de luzes ao lado do escuro, da prece do Cavaleiro da Dinamarca, pedindo "a Deus que o fizesse um homem de boa vontade, um homem de vontade clara e direita, capaz de amar os outros".

É da paixão por essa Sophia que Ana Luísa Amaral vai falar, nesta sessão de acesso livre incluída no ciclo programado para a Feira do Livro por Anabela Mota Ribeiro.

Também neste sábado, mas pelas 15 horas, "A literatura pode salvar o mundo?" é a questão inicial para o debate que tem como protagonistas as escritoras brasileira Tatiana Salem Levy e portuguesa Dulce Maria Cardoso, sob moderação de Raquel Marinho.
Spoken word propõe viagem pela palavra desde Ana Hatherly até Tarkovski
07-09-2017

São vários os nomes que servem de tema ao ciclo de spoken word da Feira do Livro do Porto que, já nesta sexta-feira, tem mais uma proposta em que a palavra domina sob as mais diversas formas.

"De Ana Hatherly a Tarkovski - palavras, imagens e um fio de música" é o tema da sessão preparada pela programadora Anabela Mota Ribeiro para as 21,30 horas, no Auditório da Biblioteca Municipal Almeida Garrett (Palácio de Cristal).

Com acesso livre, o evento conta com as participações de Matilde Campilho (voz), Tomás Cunha Ferreira (música e imagem), Mariano Marovatto (voz e música) e Anastasia Lukovnikova (imagem), o que aponta desde logo para muito mais do que uma sessão de "palavras ditas" ou simples declamação.

Aliás, "nas sessões de spoken word, a palavra é dita literalmente", reconhece Anabela Mota Ribeiro, sublinhando porém que "está longe de se esgotar no dizer; ao invés, ela é apropriada pela imagem, pelo som, pela diversidade linguística e de suportes".

Assim, para este serão podemos esperar um grande ecrã, instrumentos, livros e quatro amigos no palco. Uma conversa de esquina a quatro vozes, um cordel que será desenrolado a oito mãos. Anastasia, Matilde, Mariano e Tomás são poetas, mesmo quando não são. Falarão da revolução e da memória, dos monumentos e do futuro, do silêncio, sem o ferir, e das estórias das ruínas. Com eles: Chris Marker e Chantal Akerman, Leonard Cohen e Susan Sontag, um canto tupi e as câmaras da NASA em direto do cosmos.
Copacabana Mon Amour, Meredith Monk, as cores de Pancetti sobre o Tejo, o golo que Maradona marcou com a mão e outras impossibilidades. Maiakovski, James Bond e John Cage. Basho, Darwin e os habitantes de todas as ilhas. São todos poetas, mesmo os que não são. Estão entre Ana Hatherly e Tarkovski, porque tudo sempre está.
Poeta António Nobre é evocado no próximo sábado
07-09-2017

O poeta António Nobre é um dos nomes em foco na Feira do Livro do Porto, onde o cachimbo do poeta serve de ponto de partida para a sessão que se realiza às 18 horas deste sábado.

Fumador e colecionador de cachimbos, o autor do "mais triste livro" que nesta pátria alguém escreveu elege o cachimbo como interlocutor na solidão das noites de Anto. É um dos seus objetos de culto, que nunca deixa de estar a seu lado, mesmo na doença e na morte. E roga: "Coloca, sob a travesseira,/ O meu cachimbo singular/ E enche-o, solícita enfermeira,/ Com Gold-Fly, para eu fumar..."

Evocando o 150.º aniversário do nascimento de António Nobre, a sessão toma como ponto de partida um dos cachimbos que integra o espólio do escritor, doado pelo seu irmão Augusto Nobre à Biblioteca Pública Municipal do Porto.
Vamos encontrá-lo neste debate, que tem lugar no Auditório da Biblioteca Municipal Almeida Garrett, ladeado pela especialista em Literatura Portuguesa Paula Morão e pelo médico pneumologista António Ramalho de Almeida, sob moderação da bibliotecária municipal Maria João Sampaio.

Por integrar simultaneamente o ciclo municipal Um Objeto e seus Discursos por Semana e a programação cultural da Feira do Livro, esta iniciativa de entrada gratuita está sujeita a condições especiais de acesso. Assim, será dada prioridade ao público munido de bilhete do ciclo, após o que os restantes interessados poderão também aceder ao Auditório da Biblioteca Municipal Almeida Garrett, tendo porém em conta a capacidade do espaço.

Acompanhe o dia-a-dia da Feira do Livro no facebook.
Sessão dupla de cinema na Feira do Livro aponta hoje os focos ao mestre neorrealista Manuel Guimarães
05-09-2017

A Feira do Livro estreia hoje na cidade o documentário de Leonor Areal "Nasci com a Trovoada", durante uma sessão dupla em que é projetado pela primeira vez no Porto "A Terra e o Homem", um filme de Manuel Guimarães que estava desaparecido.

Com início às 19 horas e acesso livre, no Auditório da Biblioteca Municipal Almeida Garrett, a sessão é apresentada por Miguel Ramos (Confederação - colectivo de investigação teatral) e Leonor Areal.

"A Terra e o Homem" é um documentário do cineasta Manuel Guimarães (1915-1975), sobre Famalicão e a figura do republicano Dr. Nuno Simões (1894-1976).
Esta obra, que estava desaparecida, foi localizada em Braga no ano 2016 pela Confederação e, após trabalhos de recuperação e investigação com o apoio da Câmara do Porto, a obra volta a ser projetada a partir de hoje na Feira do Livro.

Por sua vez, "Nasci com a Trovoada" foi realizado por Leonor Areal a partir de filmes e textos de Manuel Guimarães, cineasta neorrealista cuja obra foi estraçalhada pelo regime fascista português.
O documentário baseia-se integralmente em materiais de arquivo: filmes, fotografias, artigos de jornal, cartas e diários. Manuel Guimarães é a voz do narrador, que nos conduz através da sua vida e obra. Assim, o documentário transforma-se numa quase ficção, que os fragmentos de filmes escolhidos vão ilustrar.

5 Setembro 2017 | 19h00
"A Terra e o Homem" (1969) de Manuel Guimarães
"Nasci com a Trovoada" - autobiografia póstuma de um cineasta (2017) de Leonor Areal 

Duração total da sessão: 150min
Acesso livre

Conheça a programação completa da Feira do Livro e faça o acompanhamento diário na página do facebook.
Autora coreana Han Kang veio à Feira do Livro falar dos processos de escrita
04-09-2017

Catapultada para o top das listas de vendas do seu país com "A Vegetariana" e, na sequência, com a conquista do prémio Man Booker International Prize, a escritora sul-coreana Han Kang esteve ontem na Feira do Livro do Porto para uma concorrida sessão de debate em que se confessou ao jornalista e crítico literário José Mário Silva.

Na semana em que o seu segundo romance mais conhecido - "Atos Humanos" - conhece a tradução portuguesa, esta filha e irmã de escritores, que se estreou com poesia aos 23 anos, enquadrou ambas as obras com pormenores mais íntimos sobre o seu processo de escrita.

Trata-se de dois romances, sendo que o primeiro foca uma desgraça individual e o segundo uma desgraça coletiva. No caso de "A Vegetariana", que José Mário Silva apontou como "um livro bizarro", Kang contrariou a ideia de que se trata de uma obra sobre a sociedade coreana. "Tem a ver com a individualidade, que é uma questão universal", afirmou a propósito do drama vivido por uma mulher que decide tornar-se vegetariana e enfrenta as críticas de toda a gente, desde logo da família, por chegar a pôr a própria saúde em risco.

Questionada por um elemento do público, a autora comentou que "eu fui vegetariana alguns anos, mas concluí que se quisesse escrever tinha de comer mais. Foi uma escolha difícil".

Falou igualmente sobre  "Atos Humanos", onde recupera o massacre perpetrado pelo exército contra a sublevação popular antiditadura, na cidade onde viveu a infância e que deixou quatro meses antes do episódio. Tornada praticamente tabu no país, a história foi recuperada para livro por Han Kang, que encarna um personagem: "Quis usar-me como ponte entre a ficção e o real, mas é a primeira vez - e provavelmente a última - em que entro numa obra minha", confessou. E acrescentou ter sido surpreendida pela reação do público pois, em vez de críticas por falar de um assunto proibido, foi elogiada pela sua coragem. "As pessoas queriam recordar!", disse.

Por outro lado, "quando eu escrevo não penso nos leitores; só em acabar o livro", reconheceu ainda, não deixando de considerar "estranho saber que há tantas pessoas a ler os meus livros em tantas línguas", também agora que "Atos Humanos" entrou para a lista de best-sellers.

O próximo debate do ciclo programado por José Eduardo Agualusa para a Feira do Livro do Porto realiza-se no próximo sábado e vai questionar se "A literatura pode salvar o mundo", contando com as respostas de Tatiana Salem Levy e Dulce Maria Cardoso, sob moderação de Raquel Marinho.

Teju Cole, Isabel Lucas, Bruno Vieira Amaral, Djaimila Pereira de Almeida, Carlos Vaz Marques, Laurent Binet, Ana Sousa Dias, Alexandra Lucas Coelho, Gonçalo M. Tavares e Luís Caetano são outros nomes que irão também marcar presença no certame, cuja programação pode consultar no Jornal da Feira do Livro do Porto 2017.
Pode ainda acompanhar diariamente a programação através da página do facebook.
Alguns dos autores mais interessantes da literatura moderna vêm à Feira do Livro para levantar questões
03-09-2017

O início da noite de ontem foi dedicado a Sophia de Mello Breyner Andresen, com o primeiro de oito debates que vão realizar-se ao longo do certame, até ao próximo dia 17, a sobrelotar o Auditório da Biblioteca Municipal Almeida Garrett. Programados por José Eduardo Agualusa, estes encontros pretendem cumprir a missão e ambição da grande literatura: "Levantar questões" e provocar "inquietação".
Para tal, o autor lusófono lembrou que este ciclo trará à Feira do Livro do Porto "alguns dos nomes mais interessantes da literatura moderna", cujos nomes e datas de presença pode confirmar aqui.

Entre eles, estão o próprio Miguel Sousa Tavares, Ana Luísa Amaral e Frederico Lourenço, que conversaram sobre a vida e a obra de Sophia nesta sessão inaugural, integrada também no ciclo municipal Um Objeto e Seus Discursos por Semana, sob moderação de Anabela Mota Ribeiro que intervalou com a leitura de alguns poemas da homenageada.

Este debate cruzou memórias ("Não sou só o filho da Sophia; também sou o filho da minha mãe", diria Miguel Sousa Tavares num dos momentos de emoção) com interpretações de poemas da autora nascida no Porto e, ainda, com a reflexão sobre os sentidos de humanismo e de justiça social que também caracterizaram Sophia de Mello Breyner. "A minha mãe não acreditava que o Bem triunfava sobre o Mal; ela acreditava que o Belo triunfava sobre o Mal", afirmou Miguel Sousa Tavares.

Foi também lembrada a importância do marido, Francisco Sousa Tavares, sobre a poesia de Sophia, o que constituiu pretexto para Anabela Mota Ribeiro ler "Porque", um intenso poema que nem todos sabem ter sido dedicado por Sophia ao marido.

Alguns episódios curiosos foram igualmente recordados, bem como a influência da natureza em toda a obra da homenageada, sendo ocasião para o filho revelar que "ela dizia-me sempre para abrir os olhos debaixo de água para ver melhor o mar". Mas tudo, neste debate, ia dar ao bem maior que Sophia nos deixou: "A minha mãe era poeta de manhã à noite. E não escrevia só; também recitava".
A cidade fez hoje a homenagem mais justa a Sophia de Mello Breyner Andresen
02-09-2017

Milhares de pessoas procuraram hoje os Jardins do Palácio de Cristal, onde o segundo dia da Feira do Livro proporcionou variadas atividades educativas e de animação, além de ter conhecido provavelmente o momento mais alto desta edição com a cerimónia de homenagem a Sophia de Mello Breyner.

A ideia de que Sophia de Mello Breyner Andresen é sinónimo de poesia perpassou a Alameda dos Escritores, que tem agora uma tília dedicada à poeta, contista, tradutora e humanista.

Participada pelo ministro da Cultura, pelo presidente da Câmara, por Miguel e Martim Sousa Tavares, filho e neto da homenageada, a sessão foi realizada ao ar livre pois, cumprindo o que se torna tradição, uma jovem tília foi atribuída à autora portuense, que faz agora parte do restrito conjunto de grandes vultos literários da cidade com essa distinção, onde figuravam já Vasco Graça-Moura, Agustina Bessa-Luís e Mário Cláudio.

A Feira do Livro decorre até 17 de setembro e tem dezenas de propostas de acesso livre, que estão organizadas num vasto programa paralelo cujos pormenores pode conhecer aqui ou acompanhar através do facebook.
Feira do Livro presta hoje homenagem a Sophia de Mello Breyner Andresen
02-09-2017

A partir de hoje, Sophia de Mello Breyner Andresen fica para sempre na Avenida das Tílias. O espaço central da Feira do Livro do Porto, nos Jardins do Palácio de Cristal, recebe uma placa com o nome da poeta, às 18,30 horas, e sobe para quatro os autores ali perpetuados. Logo em seguida, o ciclo de debates começa com uma conversa em torno da vida e obra de Sophia.

A citação "A TERRA O SOL O VENTO O MAR / SÃO MINHA BIOGRAFIA E SÃO MEU ROSTO" consta da placa a descerrar junto à tília que é atribuída à poeta, na que é já também chamada Alameda dos Escritores por, em cada edição da Feira do Livro, assinalar o reconhecimento a um autor. Ali "estão" já Vasco Graça-Moura, Agustina Bessa-Luís, Mário Cláudio e, desde hoje, Sophia.

A mesma citação do seu "Poema" serve de mote para o debate que, às 19 horas, junta três convidados particularmente ligados à sua vida e obra: Ana Luísa Amaral, Frederico Lourenço e Miguel Sousa Tavares.
De acesso livre, no Auditório da Biblioteca Municipal Almeida Garrett (ali mesmo, no "Palácio"), esta sessão integra simultaneamente o ciclo municipal Um Objeto e Seus Discursos por Semana e o conjunto de debates programados por José Eduardo Agualusa para esta edição da Feira do Livro.

"Num mundo em convulsão, atormentado por grandes e imprevistas mudanças, e em busca de novos caminhos e ideais, a literatura tem um papel cada vez mais importante: o de promover o debate e pensar o futuro", aponta o escritor que, com esse objetivo, traz à Feira do Livro do Porto "um conjunto de escritores de grande relevância a nível internacional e no espaço da lusofonia, os quais irão discutir entre si, e com os leitores presentes, temas como a construção e a reinvenção da memória, a instalação do mal, ou o lugar do sagrado e do profano na literatura e na sociedade".

A intenção deste ciclo é "criar um Porto de Ideias, um lugar de encontro de escritores e pensadores, dando assim continuidade a uma tradição de cosmopolitismo e partilha, característica da natureza de todas as antigas urbes portuárias", diz ainda Agualusa.


Entretanto, mais de uma centena de eventos de acesso livre têm lugar até 17 de setembro, os quais pode conhecer melhor no Jornal da Feira do Livro do Porto.
Pode também acompanhar diariamente o certame na página do facebook.

Horário:
Abertura: SEG-SEX 12H00 / SÁB-DOM 11H00
Encerramento: DOM-QUI 21H30 / SEX-SÁB 23H00
Feira do Livro do Porto está aberta a partir de hoje nos Jardins do Palácio
01-09-2017

A partir do meio dia, está aberta ao público, nos Jardins do Palácio de Cristal, a Feira do Livro do Porto. Numerosos autores de várias nacionalidades, com relevo no panorama literário, vão marcar presença numa edição de homenagem a Sophia de Mello Breyner Andresen. Às bancas de livros associa-se uma vasta programação de acesso gratuito.
 
Ainda que Sophia seja o grande vulto a celebrar até 17 de setembro, este primeiro dia é dedicado também a José Saramago: uma performance comemorativa dos 25 anos de "Memorial do Convento" estreia logo à noite o capítulo das sessões de spoken word que Anabela Mota Ribeiro comissaria, integradas no programa da Feira.
 
Três horas antes da sessão, pelas 19,00 horas, é inaugurada na Galeria Municipal do Porto a exposição de arte contemporânea "Quatro Elementos", comissariada pela Câmara do Porto e que explora a temática da obra de Sophia de Mello Breyner Andresen. A exposição conta com quatro curadores, cada um deles responsável por um Elemento: Ana Luísa Amaral - Água / Eduarda Neves - Terra / Pedro Faro - Fogo / Nuno Faria - Ar. E desenvolve-se a partir de quatro projetos e linguagens curatoriais, que trabalham os quatro elementos naturais de forma isolada, ou contaminada.
 
Amanhã, sábado, às 18,30 horas, é descerrada a placa que atribui uma tília à poeta portuense, na sequência do realizado em anos anteriores com Vasco Graça-Moura, Agustina Bessa-Luís e Mário Cláudio. Logo de seguida, Ana Luísa Amaral, Frederico Lourenço e Miguel Sousa Tavares dão vida ao primeiro dos debates comissariados por José Eduardo Agualusa para esta Feira do Livro, sob a emblemática frase de Sophia "A terra O sol O vento O mar / São minha biografia e são meu rosto", numa sessão que integra também o ciclo municipal Um Objeto e Seus Discursos por Semana.
 
Também no sábado, a Galeria Municipal abre ao público a exposição "O Anjo de Timor e outras histórias - ilustrações para Sophia", que alia a grandeza poética das palavras da escritora à força pictórica das imagens de Graça Morais e Júlio Resende.
 
A Feira do Livro do Porto, que decorre até 17 de setembro, evocará ainda António Nobre, Óscar Lopes, Clarice Lispector, Raul Brandão, David Mourão-Ferreira, Carlos Drummond de Andrade, Ana Hatherly e Tarkovski, entre muitos, e contará com presenças de vulto internacional como o escritor francês Laurent Binet (vencedor do Prémio Gouncourt em 2010 com "HHhH"), a sul-coreana Han Kang (vencedora do Man Booker Internacional com "A Vegetariana", em 2016) e o autor Teju Cole, de dupla nacionalidade nigeriana e norte-americana.
 
Com entrada livre em todos os eventos, o certame oferece um total de oito debates, quatro sessões de spoken word, seis lições sobre escritores de língua portuguesa, seis sessões de cinema, sete sessões especiais (incluindo teatro, colóquios e mais debates), a par de variadas iniciativas do Programa Educativo e do Programa de Animação.
 
HORÁRIO
Abertura: SEG-SEX 12H00 / SÁB-DOM 11H00
Encerramento: DOM-QUI 21H30 / SEX-SÁB 23H00

Programação completa no Jornal da Feira do Livro do Porto 2017.
As novidades do evento podem também ser acompanhadas através da página no facebook.
Feira do Livro propõe seis lições sobre outros tantos grandes nomes das letras

31-08-2017


Clarice Lispector, José Saramago, Sophia de Mello Breyner Andresen, Carlos Drummond de Andrade, David Mourão-Ferreira e Raul Brandão são tema das aulas temáticas que, a partir de sábado, acontecem na Feira do Livro do Porto, cuja inauguração acontece já amanhã nos Jardins do Palácio de Cristal.


Com uma programação a cargo de Anabela Mota Ribeiro, este conjunto de seis lições começa pelas 12 horas do dia 2, no Salão Independente (Mezzanine da Galeria Municipal do Porto), com Carlos Mendes de Sousa a explicar a vida e obra de Clarice Lispector, nos 40 anos da morte da grande escritora brasileira do século XX.


Seguem-se José Saramago por Carlos Reis (quarta-feira, dia 6, 19 horas, na Capela de Carlos Alberto), Sophia de Mello Breyner Andresen por Ana Luísa Amaral (sábado, dia 9, 12 horas, na Capela de Carlos Alberto), Carlos Drummond de Andrade por Clara Rowland (quarta-feira, dia 13, 19 horas, na Capela de Carlos Alberto), David Mourão-Ferreira (sábado, dia 16, 12 horas, no Salão Independente) e Raul Brandão por Maria João Reynaud (domingo, dia 17, 12 horas, no Salão Independente).


A entrada é livre, condicionada às dimensões dos espaços.


A programação integral consta do Jornal da Feira do Livro do Porto e pode ser também acompanhada na página do facebook.

José Eduardo Agualusa comissaria ciclo de debates com escritores relevantes de várias nacionalidades
30-08-2017

Escritores de várias nacionalidades e com relevância a nível internacional, bem como no espaço da lusofonia, participam no ciclo de oito debates programados pelo premiado autor José Eduardo Agualusa para a Feira do Livro do Porto, que começa já nesta sexta-feira nos Jardins do Palácio de Cristal.

O primeiro debate, porém, tem lugar no sábado, pelas 19 horas, no Auditório da Biblioteca Municipal Almeida Garrett, e toma logo a temática de Sophia de Mello Breyner Andresen - "A Terra O Sol O vento O mar / São minha biografia e são meu rosto" - para lançar a reflexão social. 
"Num mundo em convulsão, atormentado por grandes e imprevistas mudanças, e em busca de novos caminhos e ideais, a literatura tem um papel cada vez mais importante: o de promover o debate e pensar o futuro", defende Agualusa.

Na estreia deste ciclo, o aclamado autor lusófono e a Câmara do Porto reúnem os escritores Ana Luísa Amaral, Frederico Lourenço e Miguel Sousa Tavares (todos particularmente próximos da vida e obra de Sophia) numa sessão que integra também o programa municipal Um Objeto e Seus Discursos por Semana, aproveitando a oportunidade da atribuição da tília de homenagem à grande poeta, que ocorrerá pelas 18,30 horas.

De acesso livre, os conjunto de debates vai desenrolar-se por toda a Feira do Livro, até 17 de setembro, e contará ainda com nomes de relevo na literatura e no panorama cultural, oriundos das mais variadas latitudes: José Luís Peixoto, Patrícia Reis, João Paulo Sacadura, Han Kang, José Mário Silva, Tatiana Salem Levy, Dulce Maria Cardoso, Raquel Marinho, Teju Cole, Isabel Lucas, Bruno Vieira Amaral, Djaimila Pereira de Almeida, Carlos Vaz Marques, Laurent Binet, Ana Sousa Dias, Alexandra Lucas Coelho, Gonçalo M. Tavares e Luís Caetano.

A programação dos debates e toda a demais estão no Jornal da Feira do Livro do Porto. Pode também acompanhar o dia a dia do certame na página do facebook.
Palavra dita também é som e imagem na Feira do Livro em ciclo comissariado por Anabela Mota Ribeiro
29-08-2017

De Saramago a Clarice, de Hatherly a Tarkovski, terminando com Bruno Vieira Amaral, a palavra dita vai além do dizer e é apropriada pela imagem, pelo som, pela diversidade linguística e de suportes no ciclo de Spoken Word que integra a programação da Feira do Livro do Porto.

Com início logo no dia de inauguração do certame, a próxima sexta-feira dia 1, este ciclo é comissariado por Anabela Mota Ribeiro e sugere quatro sessões no Auditório da Biblioteca Municipal Almeida Garrett (Jardins do Palácio de Cristal), com acesso livre.

A estreia faz-se com "Uma máquina voadora movida por vontades", uma performance de André E. Teodósio / Teatro Praga que comemora os 35 anos de "Memorial do Convento", de José Saramago.

O ciclo prevê, na sexta-feira seguinte, "De Ana Hatherly a Tarkovski" com palavras, imagens e um fio de música assinados por Matilde Campilho, Tomás Cunha Ferreira, Mariano Marovatto e Anastasia Lukovnikova.

No sábado, dia 9, a questão "Que mistérios tem Clarice" recorda os 40 anos da morte de Clarice Lispector e os 30 da partida de Carlos Drummond de Andrade,  usando como mote o poema em que o escritor retratou Clarice com a palavra "mistério", que serviria de título a uma canção de Caetano Veloso.

Este conjunto de sessões de spoken word termina a 15 de setembro com "As primeiras coisas" em viva voz, pondo o foco no romance de estreia de Bruno Vieira Amaral, sucessivamente premiado entre 2013 e 2015.

Aceda à programação completa e detalhada no Jornal da Feira do Livro do Porto e acompanhe tudo o que se passa no facebook.
Já estão abertas as inscrições para um Mini Porto Belo onde se vão reciclar leituras e partilhar histórias
28-08-2017

Por ser um mercadinho dinamizado por crianças, e para crianças, cada Mini Porto Belo é sempre único. Quando se realiza no âmbito da Feira do Livro, torna-se ainda mais especial. A próxima edição está agendada para 9 e 10 de setembro, na entrada dos Jardins do Palácio de Cristal, e as inscrições para os pequenos vendedores estão já abertas.

Edição infantil do Mercado Porto Belo - com uma vertente mais lúdica, criativa e espontânea -, o próximo Mini Porto Belo dá protagonismo à leitura, assumindo-se sobretudo como espaço em que "vale trocar, vender, recitar, sugerir ou reciclar livros em todas as suas formas, de todos os géneros e para todos os gostos".

Apesar desta orientação temática, o mercadinho está aberto a outras trocas, vendas e partilhas, cabendo nas suas bancas brinquedos ou jogos, roupas e especialidades/ talentos dos mini-empreendedores.

Nesta edição, haverá ainda um minipalco "especialmente dedicado a quem quer contar uma fábula ou ler um conto", anuncia a organização, que deixa o repto: "Pais e filhos: não se acanhem, tragam as vossas histórias favoritas e partilhem-nas".

Para participar, há que efetuar inscrição no blogue Mini Porto Belo.

A Feira do Livro do Porto 2017 tem lugar nos Jardins do Palácio de Cristal. O certame é inaugurado na próxima sexta-feira, 1 de setembro. Uma programação vasta e feita ao encontro de distintos públicos, a integração com outros eventos e o seu processo de internacionalização, sem colocar em causa uma escala de equilíbrio com o espaço envolvente, são características associadas ao evento.

Acompanhe a Feira do Livro no facebook.
Feira do Livro atinge a dimensão ideal e passa a "casar" com outros eventos

28-08-2017


Integração com outros eventos, dimensão estabilizada e variedade de programação para captar novos públicos são os pilares da Feira do Livro  que, na quarta edição organizada pela Câmara do Porto, representa um investimento de 100 mil euros. Começa já na sexta-feira, dia 1, e mostra que atingiu a idade adulta.


"Este é um projeto fundamental para a cidade e vem inscrever os Jardins do Palácio de Cristal como local de lazer para todas as idades", apontou hoje o presidente da Câmara do Porto, em conferência de imprensa sobre o evento, que decorre entre os dias 1 e 17 de setembro.


Tendo Sophia de Mello Breyner Andresen como homenageada, a nova edição apresenta "a dimensão que a Feira deve ter", apontou Rui Moreira, explicando que a estabilização era uma preocupação organizativa.

Com um total de 130 pavilhões, a Feira do Livro do Porto 2017 reflete também a articulação com outros eventos e a estratégia de variar anualmente o conjunto de programadores, por forma a procurar também novos públicos.


A programação contempla um "festival literário" de que se destacam seis lições comissariadas por Anabela Mota Ribeiro e dedicadas a diferentes autores e obras; duas exposições a inaugurar na Galeria Municipal que, fazendo parte da programação regular deste equipamento, surgem integradas na temática de Sophia de Mello Breyner Andresen e da sua obra; a presença de convidados internacionais nos debates comissariados por José Eduardo Agualusa; o ciclo de cinema internacional e de arquivo; um workshop de escrita criativa com Gonçalo M. Tavares; e as sessões de spoken word com que irão percorrer efemérides literárias de importância para a cidade.


Paralelamente, a vertente de animação apresenta conteúdos e horários variados ao longo de todo o dia, desde dança clássica e contemporânea até instalações que estabelecem a relação com a obra de Sophia. Além disso, este programa de exterior não ficará limitado à Concha Acústica, preenchendo vários locais do recinto.


Abertura: SEG-SEX 12H00 / SÁB-DOM 11H00

Encerramento: DOM-QUI 21H30 / SEX-SÁB 23H00


Siga tudo o que se passa na página do facebook.


A programação completa está no Jornal da Feira do Livro do Porto 2017.

Sophia de Mello Breyner Andresen inspira duas exposições paralelas à Feira do Livro
27-08-2017

A Galeria Municipal do Porto, nos Jardins do Palácio de Cristal, vai inaugurar duas exposições de arte sob o signo de Sophia de Mello Breyner Andresen, as quais se manterão patentes ao longo da Feira do Livro, cuja edição deste ano tem a poeta como temática transversal.
 
Logo no dia de abertura da Feira, a próxima sexta-feira, 1 de setembro, é aberta ao público a terceira exposição do ano naquele espaço municipal, intitulada "Quatro Elementos". Vem propor um discurso a quatro vozes sobre um tema recorrente na obra da autora - os elementos da natureza e a interrelação com a vida.

No dia seguinte, a Mezzanine da Galeria Municipal inaugura "O Anjo de Timor e outras histórias - ilustrações para Sophia", onde o universo da poeta se cruza com a força pictória de Graça Morais e Júlio Resende.

Estas são apenas duas das muitas propostas imperdíveis a apresentar pela edição deste ano da Feira do Livro do Porto, cuja programação está descrita na totalidade no jornal do evento, que pode consultar ou descarregar a partir daqui.


Abertura: SEG-SEX 12H00 / SÁB-DOM 11H00
Encerramento: DOM-QUI 21H30 / SEX-SÁB 23H00

Siga tudo o que se passa na Feira do Livro do Porto através do facebook.
Feira do Livro do Porto 2017
23-08-2017

A homenagem a Sophia de Mello Breyner Andresen, debates e sessões de spoken word comissariados por José Eduardo Agualusa e Anabela Mota Ribeiro, um ciclo de cinema e uma exposição de arte contemporânea integram a programação da Feira do Livro do Porto que, entre 1 e 17 de setembro, está de volta aos renovados Jardins do Palácio de Cristal.

Aos habituais lançamentos e apresentações de livros, juntam-se encontros com escritores, conversas com importantes convidados nacionais e estrangeiros, bem como teatro, filmes, música e exposições, numa vasta oferta educativa e de animação que faz do maior evento literário da cidade também um importante acontecimento cultural.

Tomando a escrita de Sophia como exemplo para abrir novos horizontes, o evento - que desde há quatro anos é organizado diretamente pela Câmara do Porto e que se instalou definitivamente nos Jardins do Palácio - cruza, assim, diversas expressões da cultura com a escrita, a leitura e o universo literário da grande poeta portuguesa. Constitui, além disso, oportunidade para reavivar a sua obra na cidade onde nasceu e cuja paisagem sempre a inspirou, potenciando novas relações com o livro.

Abertura: SEG-SEX 12H00 / SÁB-DOM 11H00
Encerramento: DOM-QUI 21H30 / SEX-SÁB 23H00


SIGA  A FEIRA DO LIVRO DO PORTO NO FACEBOOK
Feira do Livro do Porto recebeu mais de 250 mil visitas

18-09-2016

Terminou esta noite a Feira do Livro do Porto, com mais de 250 mil visitas registadas e salas cheias no programa cultural que a acompanhou. Com a "ligação" como tema de fundo e Mário Cláudio como escritor homenageado, a terceira edição do certame com organização da Câmara do Porto consolidou público e elogios.


As novidades deste ano passaram pela adoção de novos stands, mais funcionais, e pela alteração do horário, com a feira a abrir à hora de almoço todos os dias e a fechar mais cedo à semana. O resultado, conjugado com o bom tempo que se fez sentir nos três fins-de-semana (apenas choveu durante dois dias da última semana) foi o de um aumento de vendas e também de afluência.


Rui Moreira, presidente da Câmara do Porto, explica também o sucesso com a consolidação do conceito: "esta era a feira que queríamos ter, onde queríamos ter e quando queríamos ter. Mas era um modelo novo, aberto a todos e não concentrado apenas no aspecto comercial da feira. Houve quem dissesse que era um risco elevado, mas nós sabíamos que esta era a feira que a cidade queria".


O autarca, agora também responsável pelo pelouro da cultura, diz ainda que "esta feira não foi feita contra ninguém. Foi feita a favor da cidade e dos leitores e esse acabou por ser o seu sucesso", salientando que o modelo inclui as editoras, mas também os alfarrabistas e os livreiros e, sobretudo, um rico programa cultural e de promoção da leitura, que incluiu música, debates, dança, cinema, exposições, programa infantil e sessões de spoken word.


O programa de debates fechou hoje com José Pacheco Pereira, António Lobo Xavier e Francisco Assis a falarem sobre utopia. Como habitualmente, o auditório da Biblioteca Municipal Almeida Garrett encheu-se.


A Feira do Livro do Porto foi organizada durante oito décadas pela associação de editoras, mas em 2013 não se realizou, depois do executivo anterior não ter chegado a acordo com a direcção da associação. Em 2014, Rui Moreira anunciou a realização da Feira do Livro do Porto, mas, pela primeira vez, com organização da Câmara do Porto, em Setembro e não em Maio ou Junho, como era anteriormente, e nos jardins do Palácio de Cristal e não na Avenida dos Aliados.


O modelo arrancou em 2014 e em 2015 foram introduzidos melhoramentos no piso da Avenida das Tílias e alargado o número de expositores. Em 2016 o modelo atinge a maioridade, com stands mais funcionais, novo horário e mais público.


A Feira do Livro do Porto regressará em Setembro de 2017 com mais uma edição, de novo, nos Jardins do Palácio de Cristal.