Planeamento estratégico da Gestão do Ruído
A gestão do Ruído numa Cidade não se faz apenas através de uma fiscalização reativa das atividades ruidosas instaladas (sejam elas temporárias, permanentes ou ruído de "vizinhança"), mas deve passar também por procurar conhecer os níveis de exposição ao ruído a que a população está sujeita - como consequência do tráfego rodoviário, ferroviário, aéreo, ou através da ocupação comercial, industrial ou residencial - e desta forma planear o uso do solo e o desenvolvimento a esse associado, para poder contribuir de forma significava para um decréscimo da exposição, sem deixar de compatibilizar estas medidas com a economia local e os fatores vitais que uma cidade apetecível para viver, visitar ou criar negócio.

 Os Mapas de Ruído são ferramentas valiosas no planeamento, já que funcionam como descritores do ruído ambiente exterior, que se exprime pelos indicadores Ln (indicador de ruído noturno) e Lden (indicador de ruído diurno-entardecer-noturno - período das 24 horas), traçado em documento onde se representam as linhas de igual valor de ruído - isófonas, às quais corresponde uma determinada classe de valores expressos em decibel - dB(A).
  
A principal vocação destes Mapas é o controlo preventivo, isto é, mais do que o conhecimento dos níveis de ruído a que estará sujeito um determinado local do Município, a principal utilidade dos mapas de ruído é ajudar a estabelecer uma visão de ordenamento do território, de forma a condicionar a ocupação futura e salvaguardar a situação presente.


Lden (indicador de ruído diurno-entardecer-noturno - período das 24 horas) (Veja aqui


indicadores Ln (indicador de ruído noturno) (Veja aqui)

Um Plano Municipal de Ruído (PMRR) representa no fundo um plano de acção  de curto, médio e longo prazo, que a partir da radiografia disponibilizada pelos Mapa de Ruido, identifica e hierarquiza as áreas em sobre-exposição  que exigem uma actuação prioritária e define um conjunto de medidas programáticas, que devem ter por objectivo último :

  - A protecção da saúde e bem-estar da população residente;
  - A melhoria da qualidade de vida, em particular dos moradores das áreas urbanas, de forma a evitar a sua migração para os subúrbios, com todas as implicações negativas nos centros dos aglomerados urbanos
  - Aumentar a atractividade da Cidade para futuros moradores, e consequentemente comércio, serviços, e eventualmente turismo;

O Município do Porto identificou 8 zonas em sobre-exposição principais, sob gestão municipal, que estão já a ser alvo de medidas de redução de ruído com caráter programático - através dos Planos Municipais de Redução de Ruído. 




O desenvolvimento dos Mapas Estratégicos de Ruído e da proposta técnica dos Planos Municipais de Redução de Ruído contou com a assessoria especializada da Faculdade de Engenharia da UP (NI&DEA - Núcleos de Investigação e Desenvolvimento em Engenharia Acústica).

Com a orientação científica e assessoria da Faculdade de Engenharia, coadjuvada por grupo de trabalho multidisciplinar da CMP (coordenado pela DMGA e integrando elementos do Planeamento e Gestão Urbanística, Finanças e Património, Sociedade de Reabilitação Urbana e Gestão da Via Pública), foi apresentada a primeira proposta técnica em Dezembro de 2010 - a qual incorpora a descrição detalhada de medidas programáticas a implementar e a calendarizar pelo Município, que resultaram da concertação interna com os serviços que integravam o já referido grupo de trabalho.

As medidas previstas nestes Planos incidem essencialmente sobre a gestão de tráfego automóvel e envolvem a redução de velocidade de veículos, redução do n.º de pesados, beneficiação de pavimento e, excecionalmente, intervenção ao nível de vãos envidraçados dos recetores mais sensíveis.

A proposta técnica dos Planos Municipais de Ruído foi concluída em dezembro de 2010 e encontra-se em fase de revisão e de avaliação do impacte de algumas medidas já implementadas.