Complexo Metamórfico da Foz do Douro

A cidade do Porto possui o privilégio de ter no seu perímetro urbano um conjunto de rochas de grande valor científico e pedagógico. Efectivamente, não é muito comum existir em meio urbano uma fonte de ciência e de ensino tão rica e pedagógica como é o Património Geológico presente na foz do Douro.

Após uma proposta apresentada pelo Departamento de Geologia da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto, em 2001, a Câmara Municipal do Porto aprovou, em Assembleia Municipal de 09/10/2001, a classificação do Complexo Metamórfico da Foz do Douro como Património Natural Municipal.


Para além de um laboratório das Ciências da Terra facilmente acessível, é um local onde se pode observar a interacção entre a base de toda a vida e a fauna e flora que por ali encontramos. É, também, um espaço de interacção entre o mundo natural e os cidadãos.
A classificação como Património Natural Municipal veio contribuir para a consciencialização dos cidadãos sobre a importância de tal património. Os afloramentos da Foz passaram de simples pedras sem significado para fonte de conhecimento e de histórias.
No sentido de dar maior visibilidade ao Património Geológico existente na cidade e potenciar o seu carácter didáctico-pedagógico, a CMP em parceria com o Departamento de Geologia da FCUP, criou o Passeio Geológico da Foz do Douro , inaugurado a 22 de Abril de 2005, Dia Internacional da Terra e Dia Nacional do Património Geológico. Por esta ocasião, a CMP recebeu uma Menção Honrosa pela candidatura ao Prémio Geoconservação 2005 promovido pelo grupo ProGeo, Portugal.

Sé Catedral

Edifício construído no século XII, em estilo românico. Na torre do lado Norte um baixo relevo representando uma embarcação do século XIV simboliza a vocação marítima da cidade. A Sé recebeu importantes beneficiações no período gótico e no século XVIII. No interior destacam-se a sacristia, o claustro, a capela de João Gordo ( com um notável túmulo gótico ) a Sala do Capítulo e a exposição de Arte Sacra. As pinturas de Nicolau Nasoni, o retábulo-mor em talha dourada e o altar em prata do Santíssimo Sacramento são do período barroco.

Paço Episcopal

A construção do primitivo Paço remonta aos séculos XII-XIII. Foi feito de novo nos finais do século XVIII, tornando-se num dos principais palácios da cidade. O projecto é atribuído ao arquitecto Nicolau Nasoni. Nas fachadas pode apreciar-se o notável trabalho de cantaria e, no interior, a escadaria barroca e uma janela do antigo paço medieval.

Igreja do Colégio de São Lourenço (Igreja dos Grilos)

Igreja edificada no século XVI em estilo maneirista. Pertencia ao Colégio da Companhia de Jesus e o frontal ostenta o seu emblema. Depois da expulsão dos Jesuítas foi vendido aos Agostinhos Descalços, conhecido por Frades Grilos, que aqui permaneceram até 1832. No interior destacam-se o retábulo de Nª Srª da Purificação, em talha dourada, e um belo painel em estilo neoclássico.

Igreja de Santa Clara

A construção da Igreja e Convento feminino de Santa Clara data da primeira metade do século XV. Na época moderna sofreu alterações, sendo construído o portal renascentista. Já no século XVIII, a fachada foi novamente alterada. O seu interior foi revestido a talha dourada na mesma época, e é considerado um dos melhores trabalhos dos entalhadores da escola portuense.

Capela de N. Srª de Agosto (Capela dos Alfaiates)

O edifício primitivo foi construído em meados do séc. XVI, em frente à porta principal da Sé. Pertencia à Irmandade dos Alfaiates, que celebravam a padroeira a 15 de Agosto. Cerca de 1940, a capela foi apeada para alargamento do Terreiro da Sé, sendo reconstruída alguns anos mais tarde, no sítio actual. No interior, o retábulo de Nossa Senhora de Agosto é um delicado exemplar de talha dourada do séc. XVII, em estilo maneirista.

Teatro Nacional de S. João

O edifício primitivo foi construído no fim do século XVIII, por iniciativa de Francisco de Almada e Mendonça e segundo risco do arquitecto italiano Vicente Mazoneschi. Ardeu em 1908, sendo reconstruído três anos mais tarde. O novo teatro foi projectado pelo arquitecto Marques da Silva, introduzindo alguns aspectos inovadores na arquitectura portuense. Pela primeira vez, foi usado o cimento na sua cor natural, no revestimento exterior.

Igreja de Santo Ildefonso

O edifício foi construído na primeira metade do séc. XVIII, no local onde existia uma ermida medieval. A escadaria que dá acesso ao templo foi aumentada posteriormente, erguendo-se então um obelisco que harmonizava o conjunto com a fronteira Igreja dos Clérigos. Os azulejos que revestem as paredes exteriores ilustram cenas da vida de Santo Ildefonso e alegorias da Eucaristia. São da autoria de Jorge Colaço e datam de 1932.

Igreja dos Congregados

A Igreja foi construída no fim do sé. XVII, no local onde existia uma capela dedicada a Santo António. Estava anexa ao Convento da Congregação do Oratório, demolido para abertura da Rua de Sá da Bandeira. A fachada, embora sóbria, revela alguma influência do barroco. Já no séc. XX, foi decorada com azulejos, da autoria de Jorge Colaço. No interior, os púlpitos e retábulos laterais em talha dourada são obras do séc. XVIII.

Estação de S. Bento

Edifício construído no início do século XX, no local onde existia o Convento de São Bento de Avé-Maria, edificado no período manuelino. O projecto da estação é da autoria do arquitecto Marques da Silva. O amplo vestíbulo da gare foi totalmente revestido com excelentes painéis de azulejo do pintor Jorge Colaço, colocados em 1916. Ilustram a história dos transportes, aspectos etnográficos e acontecimentos célebres da história portuguesa.

Igreja e Torre dos Clérigos

Este conjunto arquitectónico foi construído entre 1732 e 1763, por iniciativa da Irmandade dos Clérigos Pobres. A execução do projecto foi entregue ao arquitecto italiano Nicolau Nasoni. A frontaria da igreja é profusamente decorada com elementos do período barroco, e o interior foi enriquecido com talha. A torre, considerada uma das obras-primas de Nasoni pelas proporções harmoniosas e riqueza decorativa, tornou-se um dos ex-libris do Porto.

Igreja do Carmo

A Igreja da Ordem Terceira do Carmo foi construída na segunda metade do séc. XVIII, ao gosto rocócó, segundo projecto de José Figueiredo Seixas. Em 1912, a fachada lateral foi recoberta com um grandioso painel de azulejo, com desenho de Silvestre Silvestri, que representa a imposição do escapulário no Monte Carmelo. No interior, destaca-se o retábulo-mor em talha dourada.

Igreja dos Carmelitas

O convento dos frades Carmelitas Descalços e a sua Igreja foram edificados na primeira metade do séc. XVII. A Igreja Combina a sobriedade do estilo clássico com a influência do barroco. O interior foi enriquecido no séc. XVIII com retábulos e púlpitos em talha dourada. No séc. XIX, depois da extinção das ordens religiosas, a parte conventual passou a ser utilizada como quartel.

Hospital de Santo António

A construção do hospital teve início em 1769, por iniciativa da Santa Casa da Misericórdia do Porto. A obra destinava-se a substituir o antigo Hospital de D. Lopo, na Rua das Flores. O projecto foi entregue ao arquitecto John Carr, que assim introduziu no Porto o estilo neopaladiano inglês. O plano original previa quatro fachadas, formando um enorme quadrilátero com um pátio central. Este ambicioso projecto nunca chegou a ser finalizado.

Jardim da Cordoaria (Jardim de João Chagas)

Na Idade Média, este local denominava-se Campo do Olival e aí funcionava a Cordoaria do Bispo, que deu o nome ao jardim actual. No séc. XVII, iniciou-se a urbanização deste antigo subúrbio e parte do antigo Campo transformou-se em alameda. Em 1865, esse espaço foi ajardinado segundo projecto do paisagista alemão Emílio David, e passou a ser muito frequentado pela burguesia da cidade, até ao início do séc. XX. O violento ciclone de 1941 alterou parcialmente a fisionomia do jardim.

Capela de São José das Taipas

Começou a ser construída em 1795, em estilo neoclássico, e ficou concluída em 1878. O projecto inicial atribuído a Carlos Amarante, foi depois parcialmente alterado. No interior existe um quadro comemorativo do desastre da Ponte das Barcas.

Antiga Cadeia da Relação

A obra da Cadeia e Tribunal da Relação teve início em 1765, por ordem de João de Almada e Melo. Eugénio dos Santos, um dos mais conceituados técnicos ao serviço do Marquês de Pombal, foi o autor do projecto, em estilo neoclássico. Com sua forma estranha, devido ao espaço então disponível entre o convento dos beneditos e a muralha medieval, foi um dos edifícios mais imponentes construídos na época. Numa das celas esteve preso Camilo Castelo Branco.

Igreja e Convento de S. Bento da Vitória

O convento foi fundado no fim do século XVI, em local que pertencera à antiga Judiaria do Olival. A construção da igreja teve início pouco tempo depois e prolongou-se por todo o século XVII. Foi projectada pelo arquitecto Diogo Marques. No interior, destacam-se os retábulos em talha dourada. O coro é decorado com um notável conjunto de talha, representando passos da vida de S. Bento.

Igreja da Misericórdia

A igreja foi edificada na segunda metade do século XVI, mas sofreu grandes alterações em meados do século XVIII. A frontaria foi então reconstruída segundo desenho de Nicolau Nasoni. Profusamente decorada, denota já a influência do rocócó. No interior, salienta-se a capela-mor, ainda do primitivo edifício quinhentista. Pode também apreciar-se, na sacristia, o revestimento a azulejo do século XVII.

Antiga Companhia de Seguros Douro

Neste local estava situado o Convento de São Domingos, fundado no séc. XIII. O largo fronteiro era na Idade Média um movimentado lugar de reunião, comércio e divertimento. O edifício ardeu em 1832, durante o Cerco do Porto. Foi cedido, pouco depois, ao Banco de Lisboa (hoje Banco de Portugal) que, para a sua reconstrução, aproveitou alguns elementos do antigo edifício setecentista. Em 1934, foi ocupado pela Companhia de Seguros Douro.

Palacete de Belomonte

Edifício construído na primeira metade do séc. XVIII para residência de uma família nobre. Constitui um exemplar significativo da arquitectura setecentista. Em 1888 foi vendido à Companhia de Caminhos de Ferro através da África que, na frontaria, substituiu as armas dos Pachecos Pereiras pelas suas.

Palácio de São João Novo

Palácio construído no segundo quartel do século XVIII, pelo arquitecto António Pereira. Foi residência de Pedro da Costa Lima, fidalgo da Casa Real que exerceu diversos cargos na cidade, como o de Administrador do Trem do Ouro. São dignos de nota a fachada principal e, no interior, a escadaria nobre.

Igreja de São João Novo

A igreja pertencia ao Convento dos Eremitas Calçados de Santo Agostinho. Foi construída nos séculos XVII-XVIII, um pouco acima da antiga ermida de São João de Belmonte. Revela a influência da Igreja dos Grilos, pela composição da fachada e pelo ordenamento interior.

Igreja de São Pedro de Miragaia

A primitiva igreja medieval foi reconstruída nos sécs. XVII e XVIII. No interior destacam-se os trabalhos em talha dourada. Na capela do Espírito Santo, anexa à Igreja, vêem-se ainda restos do hospício medieval. No Museu da Confraria existe um notável tríptico, da escola holandesa, oferecido no séc. XVI.

Palácio das Sereias

O edifício foi construído em meados do séc. XVIII para residência da família Cunha Portocarrero, em local onde se situou uma antiga judiaria. No largo fronteiro à casa, uma pirâmide em granito servia de suporte à bandeirinha da saúde, que marcava o limite da atracagem de navios em tempo de peste.

Alfândega Nova

Construído sobre estacaria no antigo areal de Miragaia, o edifício da nova Alfândega foi projectado em 1860 pelo arquitecto francês C. Colson e inaugurado em 1869. Durante a execução das obras houve alterações ao nível do projecto base, com a criação de um terceiro piso nos corpos laterais, da responsabilidade dos engenheiros Alberto e Torquato Álvares Ribeiro. A sua construção impulsionou uma reforma urbanística da zona, nomeadamente com a abertura da Rua Nova da Alfândega.

Igreja de S. Francisco

A construção da igreja do convento de S. Francisco teve início no século XIV. Tem a estrutura de um templo gótico, com reminiscências do estilo românico. Da frontaria podemos salientar a rosácea e o portal, este edificado já nos séculos XVII-XVIII em estilo barroco. O interior é revestido a talha dourada da mesma época . De realçar o retábulo do altar da capela de Nossa Senhora da Conceição, representando a Árvore de Jessé esculpida em madeira polícroma assim como a capela de S. João Baptista da autoria do arquitecto Diogo de Castilho, de finais do século XV.

Palácio da Bolsa

A construção do Palácio da Bolsa, sede da Associação Comercial do Porto, iniciou-se em 1842, no local do antigo convento de S. Francisco. O seu projecto é da autoria do arquitecto Joaquim da Costa Lima. O vestíbulo que dá acesso ao pátio das Nações está coberto por uma estrutura metálica envidraçada. No interior do Palácio destaca-se o "Salão Árabe", inspirado no Palácio de Alhambra, bem como esculturas de Soares dos Reis e Teixeira Lopes.

Mercado Ferreira Borges

Edifício projectado pelo arquitecto João Carlos Machado ( 1885-1888 ) para substituição do antigo mercado da Ribeira, representa um dos momentos mais importantes da arquitectura do ferro no Porto, feita com materiais da antiga fundição " Companhia Aliança ". Entre 1939 e 1978 foi utilizado como mercado abastecedor de frutas. Depois de um período de abandono, sofreu obras de restauro, e hoje serve como espaço de animação cultural.

Estátua do Infante D. Henrique

Monumento erguido por ocasião do 5º centenário da morte do Infante D. Henrique, a sua construção iniciou-se em 1894, na presença do Rei D. Carlos, tendo sido inaugurado em 1900. O projecto é da autoria do escultor Tomás Costa. A estátua apresenta o Infante vestido de guerreiro junto a um globo terrestre, apontando simbolicamente para além-mar. No sopé, dois grupos alegóricos representando o triunfo das navegações portuguesas e da fé.

Casa do Infante (Alfândega Velha )

O primeiro edifício foi construído na primeira metade do século XIV, sendo destinado a Alfândega Régia e habitação dos seus oficiais. Constituído por duas torres ameadas separadas por um pátio central, era o edifício de arquitectura civil mais importante da zona ribeirinha. Segundo a tradição, teria nascido nesta casa o Infante D. Henrique, em 1394. Anexa ao edifício funcionou a Casa da Moeda do Porto, desde o Século XIV. Com grandes obras de remodelação no século XVII, a Alfândega manteve-se neste local durante mais de 500 anos.

Praça da Ribeira

A Praça tem origem num antigo mercado medieval. Foi transformada no séc. XVIII, por iniciativa de João de Almada e Melo e com o apoio do cônsul inglês John Whitehead. Do novo plano apenas foram construídos os edifícios a poente, até à platibanda intermédia, e a bela fonte que serve de pano de fundo, no lado oposto ao rio. Data ainda dessa época a abertura da Rua de S. João, sobre o antigo leito do Rio da Vila, para ligação à zona alta da cidade. Em 1821, foi demolido o pano da muralha fernandina que limitava a praça a Sul.

Alminhas da Ponte

Baixo relevo em bronze realizado em 1897 pelo escultor Teixeira Lopes (pai), representa a tragédia da Ponte das Barcas ocorrida no dia 29 de Março de 1809. Aquando do cerco da cidade pelas tropas francesas do Marechal Soult, centenas de populares em fuga tentaram atravessar o rio Douro lançando-se sobre a ponte, que cedeu sob o seu peso. É hoje um local de crença e devoção das gentes da Ribeira.

Pilares da Ponte Pênsil

Segundo projecto do engenheiro Estanislau Bigot, que também dirigiu as obras, foi a Ponte Pênsil inaugurada em Fevereiro de 1843. Desactivada em 1887, restam apenas do lado norte os dois pilares de granito ( agora incompletos ) que sustentavam a ponte suspensa, assim como a ruína dos dois andares da casa da guarda militar.

Ponte Luis I

Projectada pelo engenheiro Teófilo Seyrig, a ponte Luís I foi inaugurada a 31 de Outubro de 1886. É constituída por dois tabuleiros metálicos sustentados por um grande arco de ferro e cinco pilares. O tabuleiro superior tem uma extensão de 391,25m e o tabuleiro inferior 174 m.

Casa do Despacho dos Terceiros de São Francisco

A Casa do Despacho foi construída em meados do século XVIII, para alojar serviços da Ordem Terceira de São Francisco. Nasoni foi o autor do projecto e desenhou também parte da talha que enriquece o interior. No piso subterrâneo situa-se o cemitério dos irmãos.

Chafariz da Rua Escura / Fonte de S. Sebastião

Construído no século XVII na Rua Escura, foi transferido em 1940 para o local onde actualmente se encontra. É composto por um tanque e um pano de fundo em que sobressai um pelicano ladeado por duas figuras femininas. O conjunto é encimado pelas armas reais portuguesas.

Chafariz do Anjo S. Miguel

Atribuído a Nicolau Nasoni, este chafariz datado do século XVIII, apresenta uma interessante moldura constituída por uma grade em ferro forjado e um relevo em mármore incrustado na parte superior da bica. A rematar o conjunto uma pequena escultura representando o anjo S. Miguel, em pedra de Ançã.

Chafariz das Virtudes / Fonte do Rio Frio

Mandado construir pela Câmara Municipal do Porto em 1619, para aproveitamento das águas de várias minas da cidade. Foi edificado segundo desenho de Pantaleão de Seabra e Sousa, Fidalgo da Casa Real e Regedor da cidade. É composto por um alto frontão encimado pelas armas reais. Ao centro um nicho, agora vazio, albergava a imagem de N. Senhora que, juntamente com os castelos, representa as armas da cidade.

Chafariz da Colher

Esta fonte é considerada uma das mais antigas da cidade, encontrando-se numa pedra quase imperceptível, a data de 1629. Devido às obras de construção da Nova Alfândega, em 1871, ficou quase escondida num plano inferior à rua. É composta por uma só bica, colocada num painel de granito ladeada por duas pilastras, sendo outrora a sua água considerada como uma das melhores da cidade. Sofreu obras de restauro em 1940.

Oratório de Nossa Senhora da Silva / R. Caldeireiros 102-104

Edifício onde funciona, desde o século XV, a Confraria de Nossa Senhora da Silva. Na fachada, ao nível do 1º andar, encontra-se um oratório do século XVIII com as imagens de Nª Srª da Silva, S. João Baptista e S. Baldomero, protegido por uma cobertura em talha. Dentro do edifício encontra-se a capela da confraria, que juntamente com uma albergaria, era administrada pelos ferreiros, caldeireiros e anzoleiros da Cidade.

Antigo Clube Inglês

Este edifício, cujo terraço assenta numa das torres da muralha do século XIV, serviu como Casa de Repouso à Congregação de São Bernardo. Foi adquirido em 1834 por um abastado comerciante portuense, que então o remodelou. Depois de 1923 esteve aqui sediado o Oporto Bristish Club, lugar de encontro da Comunidade Britânica no, Porto. No interior, destaca-se a decoração de alguns tectos pintados.

Rua Cândido dos Reis, nº 75 - 79

No início do séc. XX, a demolição do extinto Convento das Carmelitas e do Mercado dos Ferros Velhos permitiu a remodelação da zona e a construção do chamado "Bairro das Carmelitas". Vários edifícios da Rua Cândido dos Reis, uma das artérias que atravessam o Bairro, foram construídos nessa altura, e revelam a influência da arquitectura da época. É o caso deste prédio, em que se identificam elementos da decoração Arte Nova.

Galeria de Paris, nº 28

A Galeria de Paris foi aberta no quarteirão ocupado pelo antigo Convento das Carmelitas, demolido no príncipio do séc. XX. Projectava-se então a construção de uma rua com cobertura envidraçada, à semelhança das de outras cidades europeias. Vários edifícios desta artéria são marcados pela influência da decoração Arte Nova, como é o caso deste, construído em 1906.


Freguesia: Vitória


Classificação: Imóvel de Interesse Público - Dec. 735/74 de 21 de Dezembro

Fonte da Rua das Taipas

Construído em 1772, pelos moradores do Postigo das Virtudes, foi substituído pelo actual nos fins do século XVIII, com elementos neoclássicos. Era alimentado pelo manancial de água de Paranhos, servido através da Arca do Anjo, por um aqueduto que abastecia a zona do Olival-Cordoaria.

Edifício da Livraria Lello e Irmão

Em 1881, foi fundada a Sociedade José Pinto Sousa Lello & Irmão, mais tarde designada Livraria Lello & Irmão (1919). O edifício, construído em 1906 ao estilo neogótico, é da autoria do Engº Xavier Esteves. No interior da Livraria merecem especial atenção a decoração em gesso pintado a imitar madeira, a escada de acesso ao piso superior - uma das primeiras construções de cimento armado do Porto, bem como o grande vitral existente no tecto, o qual ostenta o monogrma e a divisa da Livraria Decus in Labore.

Casa do Dr. Domingos Barbosa

Edifício construído no século XVIII para habitação de um cónego da Sé, o Doutor Domingos Barbosa. De arquitectura barroca, o seu projecto tem sido atribuído a Nicolau Nasoni. Apresenta duas torres angulares largas e baixas, a recordar as casas quinhentistas portuguesas. Actualmente reúne as colecções de arte doadas à Câmara Municipal do Porto pelos herdeiros do poeta Guerra Junqueiro.

Muralha Fernandina

A segunda cinta de muralhas começou a ser construída por D. Afonso IV. Terminou-se em 1376, já no reinado de D. Fernando - daí a designação de "fernandina". Nela se abriam 4 portas, defendidas por torres, e 14 postigos. Este imponente lanço da muralha corre ao longo das Escadas do Caminho Novo e prolonga-se, entre o casario, pela Rua Francisco Rocha Soares. Aí ainda se vê um dos cubelos, entre os telhados.

Torre da Rua de D. Pedro Pitões

Casa-torre medieval descoberta na época das demolições do Terreiro da Sé, na década de 1940. Foi então completamente reconstruída, estando deslocada do sítio original. Na parede norte pode ver-se um balcão em pedra de feição gótica, elemento de construção recente. Aqui esteve instalado o Gabinete de História da Cidade até 1960.

Casa da Câmara Medieval

Torre construída nos séculos XIV-XV onde funcionou a Câmara Municipal até o edifício ter começado a ameaçar ruína. A entrada principal fazia-se pelo adro da Sé e era um dos edifícios mais importantes da cidade medieval. Todo em cantaria lavrada e guarnecido de merlões, tinha mais de 100 palmos de altura. Destacava-se ainda pela qualidade da obra de carpintaria e pintura no interior.

Oratório da Capela de São Sebastião

A capela foi construída pela Ordem dos Agostinhos Descalços, sediados no Convento dos Grilos e as suas armas figuram na fachada. Fazia parte de um conjunto de oratórios incluídos no percurso da procissão do Senhor dos Passos, que a Ordem organizou até 1832.

Cerca Primitiva

Em torno do Morro da Sé ergue-se a primitiva muralha medieval da Cidade, construída nos séculos XI-XII, sobre anteriores alinhamentos defensivos. Nesta muralha abriam-se as portas de Vandoma, de S. Sebastião e de Santana, bem como o Postigo da Mentira, depois chamado "Porta das Verdades". Desta cerca restam apenas alguns trechos escondidos sob o casario, à excepção do troço junto a Vandoma.

Casa da Rua de D. Hugo Nº5

Edifício do século XIX que reaproveita construções anteriores. Na parede exterior do lado norte observa-se a fachada principal invertida de um edifício gótico. No interior do edifício, foram descobertos vestígios arqueológicos do primitivo povoado da Idade do Ferro (castro), bem como restos de construções da época romana e medieval, que foram preservados.

Casa do Beco dos Redemoinhos

Construída na primeira metade do século XIV, é uma das mais antigas casas de habitação da cidade. Originariamente a fachada possuía duas portas e quatro janelas góticas. Outrora a casa dava para um desafogado largo do burgo, que ladeava o deambulatório da catedral medieval.

Igreja de Nossa Senhora do Patrocínio ( Recolhimento do Ferro )

Igreja de traça barroca, construída na segunda metade do século XVIII. Para aqui se transferiu o Recolhimento do Ferro, inicialmente situado na Rua Escura. Segundo um autor do século XVIII, o nome advém-lhe de um ferro que atravessava a porta da primitiva igreja. Esta ficava próxima das antigas cadeias e, segundo a tradição, o ferro livrava da morte os condenados que o alcançassem.

Palácio dos Condes de Azevedo

Edifício em estilo neoclássico, construído para habitação nos sécs. XVII - XVIII. A fachada caracteriza-se pela sua sobriedade. Foi propriedade da família dos Condes de Azevedo. Em 1887 foi comprado pelo Estado e alojou desde então alguns serviços públicos.

Recolhimento da Porta do Sol / Universidade Moderna

Em 1809, a entrada do exército francês na cidade gerou o pânico e a população em fuga precipitou-se sobre a Ponte das Barcas. Esta afundou-se, provocando centenas de mortos. Para receber crianças orfãs, na sequência deste desastre, foi fundado o Recolhimento de N. Srª das Dores. A partir de 1825 instalou-se neste edifício junto da antiga Porta do Sol, uma das entradas da muralha fernandina. Posteriormente foi construída a capela e o edifício ampliado.


R. Augusto Rosa

Edifício do Governo Civil (Antiga Casa Pia)

Edifício construído no final do séc. XVIII, no local onde tinha sido demolida a muralha fernandina. O projecto é da autoria de Reinaldo Oudinot e a obra esteve a cargo de Teodoro de Sousa Maldonado e Francisco de Paiva. Foi destinado pelo corregedor Francisco de Almada e Mendonça para funcionamento da Casa Pia que, no entanto, nunca chegou a ser criada. O edifício alojou desde então diversos serviços públicos, entre os quais o Governo Civil.


Rua Augusto Rosa

Igreja da Ordem do Terço

O templo foi construído durante a segunda metade do Séc. XVIII. Foi dedicado a N. Srª do Terço, cuja imagem era até então venerada num oratório, próximo da actual Igreja. A decoração da fachada contém elementos rocócó e é atribuída a João Joaquim Alão. Nela sobressai o janelão central em forma de resplendor.


Rua de Cimo de Vila, 19

Praça da Batalha

O nome desta praça teria origem, segundo a tradição, numa batalha entre cristãos e mouros travada neste local. No ângulo Sudoeste ficava situada uma das portas da muralha fernandina, junto da qual ficava a Capela de Nossa Senhora da Batalha. No séc. XVIII, a zona sofreu grandes transformações, sendo demolida a muralha. O monumento a D. Pedro V, da autoria de Teixeira Lopes (pai), foi inaugurado em 1866.


Praça da Batalha

Igreja da Trindade

A Igreja foi construída no antigo Largo do Laranjal, ao longo do séc. XIX, por iniciativa da Ordem da Trindade. O projecto, em estilo neoclássico, pertenceu ao arquitecto Carlos Amarante. A obra sofreu diversas alterações durante a construção, embora mantendo a orientação inicial. No interior da Igreja destaca-se um painel de grandes dimensões do pintor José de Brito.


Praça da Trindade

Faculdade de Ciências

O edifício foi construído durante o séc. XIX, segundo projecto de José da Costa e Silva, alterado depois por Carlos Amarante. De feição neoclássica, revela a influência do estilo introduzido pela construção do Hospital de Santo António. Aqui funcionou a Real Academia de Marinha e Comércio, depois Academia Politécnica, e a partir de 1911 a Universidade do Porto.


Praça de Gomes Teixeira

Igreja de N. Srª da Vitória

A Igreja está situada em terreno que pertencera à Judiaria do Olival. Construída em estilo clássico, ficou concluída por volta de 1539. Foi restaurada no séc. XVIII depois de um violento incêndio. Dessa época possui excelentes trabalhos de talha. Num dos altares existe uma imagem de Nossa Senhora da Vitória, talhada em madeira por Soares dos Reis.


Rua de S. Bento da Vitória

Edifício da Rua de S. Miguel, 2 a 4 (painéis de azulejo do séc. XVIII)

O edifício integra-se num conjunto harmonioso, em que está representada a arquitectura portuense dos sécs. XVII a XIX. A fachada encontra-se recoberta de azulejos setecentistas, com cenas do quotidiano e paisagens. Estes painéis são provenientes da Sala do Capítulo do Mosteiro de São Bento da Vitória.


Rua de S. Miguel, 2 a 4 / R. S. Bento da Vitória

Igreja de S. Nicolau

A antiga igreja medieval foi destruída por um incêndio em 1758, tendo sido reedificada em estilo misto de clássico e barroco. É um templo de uma só nave e no seu interior destaca-se a talha de estilo rocócó, da autoria de Frei Manuel de Jesus Monteiro, bem como um painel do pintor João Glama. Mantém-se ainda como sede da antiga Confraria dos Ourives.


Rua do Infante D. Henrique

Casa Nº 59 da Rua da Reboleira

Interessante exemplar da arquitectura civil dos finais da Idade Média ( século XIV ), esta casa-torre conserva ainda intacta a sua estrutura original onde foram rasgadas, posteriormente, novas aberturas. Nesta zona existiam outras habitações atorreadas, a maior parte já desaparecidas, à excepção da casa com o nº 59, cuja fachada mantém ao nível do rés-do-chão, as janelas e os portais góticos.
Rua da Reboleira, 59

Capela da Nossa Senhora do Ó

Antiga capela de Nº Srª da Piedade ou do Cais, deve o seu nome ao facto de ter sido transferida para aqui a imagem da Senhora do Ó, proveniente da capela da Porta da Ribeira, demolida em 1821. O edifício data do século XVII, tendo sido remodelado no século XIX após a destruição ocorrida durante as lutas liberais. No interior, destaca-se um retábulo em talha de inícios do século XVIII, da autoria de João da Costa.

Largo do Terreiro

Feitoria Inglesa

Construída entre 1785 e 1790, segundo projecto da autoria do cônsul John Whitehead, inspirado no estilo neopalladiano inglês. A fachada principal voltada à Rua do Infante D. Henrique, tem no rés-do-chão sete arcos que dão passagem a uma galeria exterior que antecede a entrada principal do edifício. A frontaria remata com uma platibanda, decorada com balaústres e festões. No interior é de salientar a escadaria e a respectiva clarabóia, a sala de baile e a monumental cozinha.
Rua do Infante D. Henrique

Postigo do Carvão

Das 18 portas e postigos da Muralha Fernandina, construída no séc. XIV, este é o único que se manteve até aos nossos dias. Nele se encontrava uma inscrição gótica da era de 1386. Através deste postigo era feita a ligação da Rua da Fonte Taurina ao cais.
Rua da Fonte Taurina

Torre da Rua de Baixo

Este edifício é um dos mais antigos da cidade e o único exemplar da arquitectura civil medieval existente na zona do Barredo. É uma construção de cinco pisos, com fachadas para duas ruas, tendo no entanto um desnível de um piso. O acesso à entrada principal é feito por uma escada exterior ao edifício, como era comum na época. Apesar das transformações sofridas, esta construção poderá remontar ao século XIII, pela tipologia das janelas primitivas ainda existentes.

Rua de Baixo, 5


Praça da Liberdade e Av. dos Aliados

No local do então chamado "Campo das Hortas", foi no séc. XVIII a berta a Praça Nova, centro político e cultural da cidade. Do lado norte da antiga praça erguia-se o edifício dos Paços do Concelho, demolido aquando da abertura da Av. Dos Aliados. Esta ampla avenida, ladeada por um conjunto de edifícios dos anos 20 a 40, é fechada, a sul, pelo edifício das Cardosas (Séc. XIX), e a norte pelo edifício da Câmara Municipal do Porto. Ao centro da Praça da Liberdade ergue-se a estátua do rei D. Pedro IV inaugurada em 1866.

Câmara Municipal do Porto

Com projecto do arquitecto António Correia da Silva, começaram as obras dos novos Paços do Concelho no ano de 1920. Mas só em 1955 foi dado um último impulso para a conclusão das obras, já sob a direcção do arquitecto Carlos Ramos, tendo o edifício sido inaugurado no ano de 1957. Construção de estilo neoclássico apresenta semelhanças com os palácios comunais do norte da França e da Flandres. No seu interior destaca-se o salão dos "Passos Perdidos", todo em mármore negro, decorado com duas figuras simbolizando a Honra e a Concórdia.

Praça de Carlos Alberto

Chamou-se durante séculos Praça dos Ferradores, que se concentravam neste local. No topo Nascente, foi construído XVIII o Palácio dos Viscondes de Balsemão. Arrendado posteriormente, funcionou como hospedaria e alojou o rei Carlos Alberto da Sardenha, que em 1849 veio exilado para o Porto. Em sua homenagem, a Praça tomou o nome actual. Ao Centro do jardim, um monumento da autoria de Henrique Moreira relembra os portugueses mortos na Grande Guerra de 1914-18.

Rua de Cedofeita

Aberta em 1784, no prolongamento de uma antiga via, por ordem de João de Almada e Mello. Fronteira à secular Colegiada de Cedofeita, tornou-se numa importante zona residencial. Hoje é um dos principais eixos comerciais da cidade. A Rua está povoada por edifícios construídos entre os séculos XVII e XX. Durante o Cerco do Porto, o regente D. Pedro fez o seu quartel-general no prédio nº 395, depois de bombardeada a zona do Palácio dos Carrancas.

Património da Humanidade

O Centro Histórico do Porto constitui uma paisagem urbana de grande valor estético que testemunha um desenvolvimento urbano que remonta às épocas Romana, Medieval e dos Almadas (século XVIII). A sua ocupação humana, de acordo com o indiciado pelos vestígios arqueológicos existentes, remonta ao século VIII A.C. 
A riqueza e a diversidade da arquitectura civil do Centro Histórico traduzem não só os valores culturais de épocas sucessivas: Romana, Gótica, Renascentista, Barroca, Neoclássica e Moderna como também a sua perfeita adaptação à estrutura social e geográfica da cidade, apresentando, desta forma, uma relação estável e coerente com o ambiente urbano e natural.


O tecido social e institucional da cidade garante a sua existência enquanto Centro Histórico habitado.
Tanto como cidade como realização do homem, o Centro Histórico do Porto constitui uma obra prima do génio criativo da humanidade. Interesses militares, comerciais, agrícolas e demográficos, convergiram aqui para abrigar uma população capaz de construir a cidade. O resultado é uma obra de arte única, de elevado valor estético. É um trabalho colectivo, que não foi realizado num determinado momento, mas o resultado de sucessivas contribuições. Um dos aspectos mais significativos da cidade do Porto, e em particular do seu Centro Histórico, é o seu valor panorâmico, fruto da complexidade do terreno, da articulação harmoniosa das suas ruas e do diálogo com o rio. Apesar da variedade de formas e materiais, o Centro Histórico do Porto conserva uma unidade estética visual. A cidade traduz, com êxito, uma interacção entre os ambientes social e geográfico.


O Porto oferece-nos uma valiosa lição de urbanismo. As intervenções planificadas e não planificadas dos diferentes períodos concentram-se nesta zona permitindo o estudo da concepção urbana das cidades da Europa Ocidental e Atlântico - Mediterrâneas, desde a Idade Média até à Revolução Industrial.
As ruelas tortuosas adaptadas à topografia medieval, as ruas rectilíneas e as pequenas praças da Renascença, as ruas que desembocam nos monumentos barrocos, a profusão de edifícios, aos quais foram sendo sucessivamente adicionados novos andares, e as novas construções fazem deste sítio um tecido urbano complexo.