Cultura (e ciência)

No objetivo da Cultura (e ciência) integra-se o programa Dinamização da cultura no montante de 5,7 milhões de euros.


Através da atuação dos serviços municipais de Bibliotecas, Arquivos, Museus, Património Cultural, Galeria, Teatros e Ação Cultural e Científica, foi desenvolvida uma intensa e diversificada programação, cruzando a valorização do património e o estímulo à criação contemporânea, assumindo-se estas vertentes como um relevante fator de coesão social e de regeneração urbana, dinamizador da economia, da qualidade de vida e do bem-estar das populações.


Destaca-se a ação do Teatro Municipal do Porto - Rivoli e Campo Alegre, que consolidou em 2017 a sua atuação como equipamento cultural de referência das artes performativas através de uma programação vasta, com projetos internacionais como Raimund Hoghe, Milo Rau, Sergio Boris, Dorothée Munyaneza, Trinidad González, e criadores nacionais e locais como Martim Pedroso, Patrícia Portela, Vítor Hugo Pontes, Marco da Silva Ferreira, João Pedro Vale & Nuno Alexandre Ferreira, Companhia Caótica e muitos outros, parte dos quais no âmbito dos festivais acolhidos como o FITEI ou o FIMP. Mantiveram-se as apresentações regulares do âmbito dos Palcos Instáveis e as residências artísticas de longa e de curta duração no Teatro da Campo Alegre. Importa salientar a realização da segunda edição do Festival DDD - Dias Da Dança, que em 2017 contou com mais uma semana de programação em associação com outros dois municípios, Matosinhos e Vila Nova de Gaia. O Teatro Municipal do Porto é também o espaço para ver cinema (festivais como o Multiplex 2017: Victor Erice, Kino - Mostra de Cinema de Expressão Alemã, IndieJúnior Allianz, Fantasporto, Festa do Cinema Italiano, Beast - Festival Internacional de Cinema, Queer Porto, Micar Mostra Internacional de Cinema Anti-Racista, Porto Post-Doc?), para ouvir música (Harmonies, Understage, Novos Talentos, Porto Best Of, Festival Porta Jazz?), proporcionando uma atividade plural, diversa e para todas as faixas etárias. Ao longo do ano realizaram-se no Teatro Municipal de Porto mais de 480 iniciativas, distribuídas por mais de 1.500 sessões, fruídas por mais de 120.000 pessoas.


Mas não só nos teatros se apresentam artes performativas. O programa da 4.ª Edição do Cultura em Expansão continuou a levar a arte e a cultura a locais da cidade onde o seu acesso está mais condicionado, apresentando projetos participativos e itinerantes em bairros sociais e locais periféricos, contribuindo para a coesão social e a regeneração urbana, eliminando barreiras e encurtando distâncias culturais, sem conceder na qualidade artística dos projetos. Ao todo, foram 59 sessões, com nomes como Sérgio Godinho & Filipe Raposo, Leonor Keil, Diogo Infante, Assédio Teatro, Tonán Quito, Visões Úteis, Circolando, Rui Catalão... Em 2017, o programa deu mais ênfase ao trabalho laboratorial, e de processo criativo acompanhado, com grupos de residentes de diferentes bairros da cidade. Da criação do OUPA! - seis meses de residência artística no Bairro da Pasteleira, com jovens do bairro, em oficinas de escrita, produção musical, vídeo, performance, promoção e produção de espetáculos, que pretendem estimular o espírito do it yourself e promover o sentimento de pertença - à realização cinematográfica de João Salaviza e Ricardo Alves Jr. com "Russa" passado no Aleixo.


Realizou-se mais uma edição do festival internacional de pensamento Fórum do Futuro, sob o tema Terra Elétrica, que versou sobre alterações climáticas, violência, sexualidade, tecnologia e extinção. Esta quarta edição consistiu num intenso programa onde foi possível debater ideias de destruição e de salvação, para o planeta e para a humanidade, e refletir se estaremos definitivamente conformados com a ideia de que a Natureza - a do planeta e a nossa - não tem de ser o que era. O evento acolheu oradores oriundos das mais diversas áreas do conhecimento como cientistas, sociólogos, arquitetos, artistas, entre os quais Richard Sennett, Sou Fujimoto, Mykki Blanco, Elizabeth Hadly, Nelly Ben Hayoun, Hito Steyerl, Trevor Paglen, Francis Kéré, Denise Ferreira da Silva, David Shoemaker, Les U. Knight, Steven Pinker ou Hamish Fulton, com o objetivo de privilegiar caminhos que abrem acessos para o conhecimento e a ação. Cerca de 8500 pessoas assistiram às 25 sessões.


O Município do Porto marcou presença na Feira do Livro de Madrid, onde participaram o Presidente da Câmara e o Presidente da República, juntamente com os Reis de Espanha, na abertura oficial do evento de que Portugal foi país convidado. Foi um palco privilegiado para o lançamento da Feira do Livro do Porto 2017 e para a apresentação da reedição de Humus, de Raul Brandão (1867-1930), que por sua vez assinala o centenário do primeiro romance de carater existencialista da literatura portuguesa cuja nova edição, em castelhano, é lançada com a marca Porto.


A Feira do Livro do Porto realizou-se nos renovados Jardins do Palácio de Cristal e contou com uma forte adesão de editores, livreiros, alfarrabistas, associações e promotores de projetos inovadores em torno do livro. Os 130 pavilhões do certame, ao longo da Avenida das Tílias, foram ocupados por 11 entidades institucionais, 60 editoras, 13 livrarias, 4 distribuidores e 20 alfarrabistas. Esta edição homenageou Sophia de Mello Breyner Andresen e proporcionou debates literários com várias dezenas de convidados: Ana Luísa Amaral e Frederico Lourenço, José Luís Peixoto e Patrícia Reis, Han Kang, Tatiana Salem Levy e Dulce Maria Cardoso, Teju Cole, Bruno Vieira Amaral e Djaimilia Pereira de Almeida, Laurent Binet, Alexandra Lucas Coelho e Gonçalo M. Tavares; um ciclo de cinema com sete sessões, onde passaram Elia Kazan, João Mário Grilo ou Michael Powell e Emeric Pressburger; lições (seis sessões programadas por Anabela Mota Ribeiro sobre Clarice Lispector, Saramago, Sophia, Carlos Drummond de Andrade, David Mourão Ferreira e Raul Brandão); espetáculos de spoken word (com nomes como André E. Teodósio, Matilde Campilho, Marta Hugon e Bruno Vieira Amaral, entre outros) e duas exposições na Galeria Municipal (Quatro Elementos e O Anjo de Timor e outras histórias - Ilustrações para Sophia). Este programa, conjuntamente com uma ampla oferta de sessões especiais, programa educativo e programa de animação sociocultural para crianças e famílias, totalizou 285.000 visitantes.


Em 2017 a Galeria Municipal do Porto reforçou a dimensão de espaço aberto a novos modelos expositivos, enquanto lugar de interdisciplinaridade artística e de janelas abertas para os debates contemporâneos. A programação contou com 5 exposições, onde marcaram presença mais de 86.000 visitantes. A exposição Eyes Wide Open: 100 anos de Fotografia Leica, iniciada em 2016, prolongou-se por 2017, focando-se na história da empresa em Portugal, devolve-nos um imenso espólio de imagens que atravessam o século XX e chegam aos nossos tempos; Quote / Unquote - Entre Apropriação e Diálogo, apresentou uma seleção de obras da coleção da Fundação EDP, mecenas da Galeria desde 2015, subordinadas ao tema da citação na arte contemporânea. Realizada em curadoria colaborativa - Gabriela Vaz-Pinheiro e Ana Anacleto - a exposição estruturou-se em torno de três subnúcleos: Arquivo e Quotidiano, Espacialidade e Política, e Imagem e Narrativa; THEM OR US! - um projeto de ficção científica social e política, comissariado por Paulo Mendes; Quatro Elementos, com os quatro curadores convidados a desenvolver o projeto expositivo (o Fogo, a Terra, o Ar e a Água); 10 000 anos depois entre Vénus e Marte, com obras oriundas da coleção Cachola, no ano em que a coleção faz 25 anos, a Galeria Municipal apresenta-a pela primeira vez na cidade do Porto com a curadoria de João Laia. Esta coleção é composta por mais de seiscentas e cinquenta obras de mais de uma centena de artistas. Não podemos deixar de mencionar a exposição Design by Porto, Porto by design: 4 anos de design da Câmara Municipal, e respetivo catálogo, com apresentação de Mário Moura e que esteve patente ao público no 7º piso do Palácio dos Correios durante os eventos dos European Design Awards 2017, organização que elege os melhores do design na Europa e que se realizou no Porto.


No que concerne ao projeto museológico e expositivo para lá da Galeria Municipal, reforçou-se o programa de visitas, celebração de dias comemorativos, assim como exposições temporárias que pretendem melhorar a divulgação e conhecimento das coleções municipais, sempre em diálogo com a contemporaneidade. Destaca-se, em 2017, a exposição comemorativa dos 150 anos do nascimento de Raul Brandão, com dois polos: A exposição Raul Brandão: 150 anos - biografia e obra literária, na Biblioteca Pública Municipal do Porto. Com curadoria de Vasco Rosa, reúne inúmeros documentos de acervo que dão uma panorâmica da biografia de Brandão e da sua obra literária, com natural enfoque em Húmus, uma das obras-primas de maior influência na literatura portuguesa e cujo centenário se celebrava. A exposição pretendeu contribuir para a (re)leitura e descoberta da obra de Raul Brandão, pelo que teve outro polo na Casa-Museu Guerra Junqueiro, sob o título Raul Brandão: 150 anos - pintura e ilustração. Seguir-se-á, em 2018, o catálogo desta dupla exposição.


Em 2017 realizou-se a grande exposição de comemoração dos 500 anos do Foral Manuelino do Porto, organizada em dois núcleos, um no Arquivo Histórico Municipal do Porto (Casa do Infante), inaugurada por Sua Exª o Presidente da Republica, e outro nos Paços do Concelho. O núcleo central da exposição, O Foral do Porto. 1517-2017. Marca de um Rei, Imagem de uma Cidade, decorreu na Casa do Infante e desenvolveu-se em torno de quatro eixos temáticos: O Foral e o Porto: símbolo, marca e identidade; O Foral e o Porto: rei, lei, poder(es); O Porto do século XVI e o seu Termo: espaço, centralidade e funcionalidade; O Foral Manuelino do Porto: arte, técnica, comunicação. Quanto ao núcleo dos Paços do Concelho, teve como objetivo desenhar um roteiro histórico pelo Porto do século XVI, convidando o visitante a fazer um itinerário pela cidade e a (re)descobrir dezasseis monumentos do período manuelino. Para apoio ao percurso pelo património edificado seiscentista do Porto, foi produzida uma brochura trilingue com informação sobre cada ponto de interesse deste percurso cultural. No âmbito desta iniciativa, publicou-se um catálogo, que inclui a reprodução fac-simile do foral que D. Manuel I concedeu ao Porto em 20 de junho de 1517, bem como quatro textos que desenvolvem os temas dos núcleos da exposição. O programa incluiu um ciclo de conferências, intitulado Em torno do Foral do Porto de 1517, que contribuiu para contextualizar os temas do século XVI português e portuense, com os oradores Luís Miguel Duarte, Maria Adelaide Miranda, Delmira Espada Custódio e Dalila Rodrigues.


De referir, também, a exposição comemorativa dos 75 anos do Coliseu do Porto, O Coliseu e a Cidade: 75 anos de histórias, organizada pelo Arquivo Histórico e pelo Coliseu do Porto, que decorreu nos Paços do Concelho. No âmbito desta iniciativa, publicaram-se um desdobrável da exposição e um catálogo.


Houve ainda lugar à realização de uma exposição de desenhos do Mestre José Rodrigues em coautoria com Raquel Rocha, no Museu do Vinho do Porto.


Visitantes a exposições, participantes de atividades de serviço educativo (como visitas guiadas e oficinas) nos espaços museológicos municipais foram mais de 360.300.


O ciclo de (re)descoberta do património material e imaterial da cidade realizou-se, com crescente êxito. Um Objeto e Seus Discursos Por Semana, girou em torno de objetos de natureza material e imaterial do domínio público e privado, de importância cultural, histórica, arquitetónica, paisagística, arqueológica, industrial, científica, gastronómica, mitológica e do imaginário coletivo local. As 31 sessões do ciclo deste ano tiveram início no Cinema Batalha, e nas semanas seguintes visitaram museus, bibliotecas, instituições de ensino, hospitais, palacetes, jardins, restaurantes, nas quais se cruzaram convidados dos quadrantes sociais e dos saberes mais diversos - da ciência à religião, passando pelas artes, pela gastronomia, entre outros. Participaram mais de 4.300 pessoas, além dos 92 convidados e moderadores.


De descoberta ou redescoberta também se fizeram os Percursos Culturais propostos em 2017. Os técnicos municipais partem de locais mais ou menos conhecidos, desvendando objetos, documentos, ruas e espaços e revisitando múltiplas histórias reais, mas também alguns mitos. Com uma programação trimestral e temática, realizaram-se 41 percursos dedicados à cidade, homens, espaços e construções, nos quais participaram cerca de 670 pessoas.


Em representação do Município, o Pelouro da Cultura manteve a interlocução com a UNESCO e demais entidades oficiais, assumindo a função de gestor do sítio classificado - Centro Histórico do Porto - e integrando a Rede de Património Mundial de Portugal bem como outras redes internacionais, que visam a promoção e salvaguarda deste bem.


Em 2017 deu-se continuidade à divulgação das residências artísticas existentes na cidade do Porto, a plataforma InResidencePorto, que sistematiza ofertas de espaços de trabalho para artistas nacionais e internacionais: De Liceiras 18, Mala Voadora, Maus Hábitos, Espaço Mira, Museu Nacional da Imprensa, Sonoscopia, Circolando, Edifício Transparente, Escola das Artes - Universidade Católica Portuguesa e Teatro Municipal do Porto. Pretende-se desta forma criar condições para que os artistas se ancorem no Porto e possam descobrir o que cidade tem para oferecer. O ano foi também de arranque para o programa de apoio à criação artística Criatório, com vista à atribuição de 16 bolsas a projetos de criação artística, cada um no valor de 15 mil euros, distribuídos por quatro modalidades: artes visuais e curadoria; artes performativas e programação; composição, programação e performance musical; literatura, investigação e pensamento crítico. Este programa recebeu 316 candidaturas, destas 311 foram admitidas a concurso, das quais o júri selecionou as 16 a apoiar: Associação Sonoscopia, a banda Black Bombaim, a companhia Mala Voadora, a associação Salto no Vazio (Sismógrafo), Alexandra Balona e Sofia Lemos, Mário Moura, Movimento Patrimonial pela Música Portuguesa, Rita Barbosa (Take it easy), Pedro Jordão e Filipa Falcão, Ana Pérez-Quiroga, Henrique Apolinário Correia (Teatro do Frio), Estrutura Associação Cultural, projeto Lote 36 da dupla de artistas plásticos Jérémy Pajeanc e Maria Trabulo, a Galeria Portátil.PLF, da editora de fotografia Pierrot Le Fou, a produção Lady & Macbeth, da criadora Ana Luena e o projeto Sugar, do Núcleo SillySeason.


Foi dada continuidade à Agenda para o Cinema Independente, que organiza, mapeia e divulga as sessões de cinema que acontecem fora do circuito comercial. Ainda com o objetivo de garantir uma sólida oferta cinematográfica na cidade, que tinha carências nessa área, e numa clara estratégia de apoio à exibição de cinema nas salas da baixa, promoveu-se o TRIPASS, um cartão que dá acesso privilegiado ao circuito de cinemas na Baixa do Porto com descontos e benefícios nas salas Trindade, Teatro Municipal do Porto - Rivoli / Campo Alegre e Passos Manuel.


O Município associou-se às Jornadas Europeias do Património, subordinadas ao tema Património e Natureza, com a realização de atividades culturais em espaços municipais. As propostas desenvolvidas este ano visaram destacar aspetos relevantes para o tópico, como visitas guiadas, percursos pela cidade, a realização de workshops para adultos e oficinas pedagógicas para crianças e jovens.


Através da GO Porto, EM, foram concluídas as empreitadas do Museu Romântico, da Casa Museu Guerra Junqueiro e da Casa Museu Marta Ortigão Sampaio, prossegue o projeto de Requalificação do Cinema Batalha e continuam em execução as empreitadas de Requalificação dos Caminhos do Romântico e do Museu do Vinho do Porto.