COORDENAÇÃO
Arquiteto Urbanista Marcello Piacentini - Gabinete de Urbanização
Marcello Piacentini (Roma, 1881 – 1960) arquiteto e urbanista italiano, foi professor de urbanismo e reitor da Faculdade de Arquitetura da Università degli Studi di Roma "La Sapienza" até 1955. Para além dos planos e projetos que desenvolveu, foi também membro influente em várias comissões de acompanhamento com destaque para o plano diretor de Roma (1931-1942). Em 1907, com apenas 26 anos, foi-lhe atribuído após concurso público o projeto de reorganização do centro histórico de Bergamo, cujo reconhecimento viria a marcar o seu percurso profissional como arquiteto-urbanista. Piacentini destacou-se como figura influente do urbanismo e da arquitetura italiana pela estética monumental e racionalista, típica das tendências da época ao gosto do regime imposto por Benito Mussolini. A conceção da Cidade Universitária de Roma (1932), a coordenação do projeto da exposição Universal de Roma (1942) ou a renovação urbana de Livorno, seguindo os princípios da arquitetura racionalista italiana, merecem destaque entre os mais ambiciosos planos de Piacentini.
O papel Marcello Piacentini na elaboração do plano geral de urbanização da cidade do Porto, como consultor-urbanista, resultou do convite do presidente da câmara municipal, Augusto Mendes Corrêa. Foi em novembro de 1938 que dois engenheiros dos serviços de obras e urbanização do município, Moreira de Sá e Bonfim Barreiros, viajaram para Roma, a fim de convencerem Piacentini a aceitar a proposta dado que o Decreto-Lei 24802 de 21/12/1934 impunha como prazo o final de 1939 para a conclusão dos planos gerais de urbanização. Piacentini sem tempo para se deslocar de imediato ao Porto devido a uma série de trabalhos para o governo italiano envia dois dos seus colaboradores, o arquiteto Giorgio Calza Bini (assistente de Piacentini na cadeira de Urbanística na Real Universidade de Roma) e o engenheiro Vincenzo Civico (secretário do Instituto Nacional de Urbanismo) tendo chegado à cidade no dia 29 de Março de 1939. Procederam de imediato ao conhecimento cabal da cidade e da região, tendo no período de permanência de dez dias desenvolvido um conjunto de esboços prévios para a conceção e desenvolvimento do plano-base preliminar. Os desenhos foram qualificados de “absolutamente notáveis” pelo diretor do serviço de obras de urbanização, na carta de 6 de maio de 1939 enviada a Mendes Corrêa. Esta boa impressão leva o presidente a escrever a Piacentini propondo que em vez de consultor-urbanista junto do gabinete técnico da câmara, tomasse a seu cargo a elaboração do Plano. Em julho de 1939 Piacentini envia ao Porto o jovem arquiteto Augusto Baccin, portador de nova versão do “esquema de vias de comunicação” desenhado por Bini e Civico, onde surgia o prolongamento do eixo sul-norte lingando a Arrábida ao aeroporto (ainda sem localização definida).Como Piacentini continuava sem vir ao Porto, em carta de 12 de outubro o presidente refere que a situação causava grave prejuízo à cidade, uma vez que inúmeras obras estavam dependentes do plano de urbanização. Piacentini responde a 22 de novembro dizendo que continua a trabalhar no plano e em breve o submeterá à apreciação, mas que continua à espera dos elementos de estudo a serem fornecidos pelo gabinete municipal. Mesmo assim os estudos de Piacentini incluíram propostas ambiciosas para modernizar e organizar o crescimento da cidade:
Reestruturação do Centro Histórico e Criação de Eixos Monumentais
Reorganizar o centro histórico do Porto para melhorar a circulação e valorizar espaços públicos. Um dos pontos centrais era a criação de eixos viários monumentais, que conectariam áreas importantes da cidade, como a Avenida dos Aliados, reforçando sua função de centro cívico e administrativo. Pretendia ampliar e integrar ruas existentes, introduzindo novos eixos que refletissem a monumentalidade típica de seus projetos na Itália.
Ordenamento da Zona Ribeirinha
A zona ribeirinha do Douro recebeu atenção especial. Piacentini sugeriu a requalificação do espaço urbano ao longo do rio Douro, valorizando sua importância económica e histórica, propondo também melhorias na funcionalidade, como zonas portuárias modernizadas e áreas destinadas ao comércio.
Criação de Novos Bairros de Habitação
Inspirado pelos princípios modernistas do zonamento funcional, o plano previa a criação de novos aglomerados residenciais bem estruturados para acomodar o crescimento populacional, os quais seriam planeados para oferecer melhores condições de habitação, infraestrutura e acesso ao transporte público, promovendo a separação entre áreas residenciais e industriais.
Valorização de Praças e Espaços Públicos
A monumentalidade característica dos projetos de Piacentini também aparece em sua ideia de criar praças amplas e espaços públicos representativos, que funcionariam como âncoras urbanas e pontos de convivência - pretendia integrar aqueles espaços com os eixos viários e criar uma relação harmoniosa entre funcionalidade e estética.
Proposta para Edifícios Administrativos
Piacentini idealizou edifícios monumentais para funções administrativas e cívicas, que deveriam transmitir modernidade e poder. Embora não tenham sido concretizados, aqueles estudos seguiam a estética monumentalista típica de sua obra, com formas geométricas simples e uma escala grandiosa.
Marcello Piacentini adiou sistematicamente a sua deslocação ao Porto, devido à conjuntura internacional da II Guerra Mundial e por não lhe terem sido fornecidos elementos essenciais tais como os inquéritos as plantas mas, da sua parte verificaram-se também atrasos nas entregas dos estudos. Daquele contexto resultou a denúncia do contrato por ambas as partes em fevereiro de 1940, terminando com a remuneração da parte que lhe cabia.
>Conexão entre a Ponte Luís I e o centro da Cidade (solução A perfil)
>Conexão entre a Ponte Luís I e o centro da Cidade (solução A planta)
>Conexão entre a Ponte Luís I e o centro da Cidade (solução B)
>Novo esquema viário do centro do Porto
>Sistematização da Praça do Município
>Perfil da nova conexão entre a Ponte Luís I e rua Mouzinho da Silveira, em túnel
>Grandes Redes de Comunicações - Calza Bini, Vincenzo Civico (maio1939)
>Grandes Redes de Comunicações - Augusto Baccin, Marcello Piacentini (julho1939)