Ouvir
Prólogo ao Plano Cidade do Porto 1932
 

Engenheiro Ezequiel de Campos

 

Ezequiel Pereira de Campos, engenheiro civil, economista, escritor, político e autor do Prólogo ao Plano da Cidade do Porto de 1932, nasceu em Beiriz, Póvoa de Varzim a 12 de dezembro de 1874 e faleceu em Lisboa a 11 de junho de 1965.

 

O «Prólogo ao Plano da Cidade do Porto» que Ezequiel de Campos apresenta em 1932, foi elaborado através de uma metodologia inovadora orientada para o desenvolvimento de um plano de ordenamento territorialmente integrado, introduzindo significativas melhorias na estrutura viária concêntrica promovendo ligações entre a cidade e os concelhos limítrofes, de modo de orientar o seu crescimento futuro. Ezequiel Campos pensou o prólogo do plano com um desenvolvimento em três componentes: o desenho da planta atualizada da cidade; os estudos para o plano geral da cidade; e a versão final do prólogo do plano da cidade do Porto.

 

Para a elaboração de uma planta da cidade (atualizada) foram sistematizados variados estudos de âmbito natural e ambiental, económico e social, bem como análises espaciais sobre os principais fluxos rodoviários existentes e as possibilidades de expansão no interior da cidade e entre esta e as periferias da região, levando em consideração, entre outros aspetos, o contexto político nacional e regional vigente. Incluiu ainda um estudo financeiro onde definiu as prioridades das operações e estimou custos e identificou as prováveis fontes de financiamento municipais e ou estatais, acompanhado de planta geral com a localização de cada intervenção.

 

Na visão de Ezequiel de Campos a cidade deveria possuir espaços cívicos dedicados à atividade social, comercial, financeira e pública, propondo um centro cívico monumental partindo da Sé e entre a praça do Infante e da Liberdade. Enquanto as atividades económicas se centrariam na baixa do Porto, as áreas residenciais seriam planeadas para as Antas; Boavista (avenida), Campo Alegre e Foz do Douro. Na época, o tráfego automóvel era ainda reduzido e a ocupação residencial relativamente dispersa, contudo Ezequiel de Campos acreditava que este cenário haveria de ser diferente nas próximas décadas, prevendo por isso a necessidade de prever a expansão residencial para norte e poente.

 

Na planta com a “Traça das ruas primárias da cidade do Porto” Ezequiel de Campos ciente da importância que nos anos seguintes viria a ter o tráfego rodoviário, entendeu que o sistema radial de expansão urbana da cidade para norte e poente e também para nascente, mais difícil face ao relevo, seriam sistemas viários fundamentais para a expansão das atividades económicas e administrativas e residenciais.

 

Verificando que a circulação motorizada na cidade já constituía um problema, resolve dirigir os seus estudos para os acessos rodoviários ao núcleo central, acanhados e impossíveis de alargamento. Neste sentido propõe novas vias de ligação na planta da cidade à escala 1:25.000: Valbom-Gondomar, e Valongo-Penafiel para oriente; e para norte Areosa-Santo Tirso, Ponte da Pedra-Famalicão e Viso-Póvoa. Prevê ainda o prolongamento da rua da Constituição e da avenida da Boavista para poente, e ainda nova avenida (Nun'Alvares) com ligação a Matosinhos. A partir do centro da cidade propõe um sistema radial com ligações para Braga, Guimarães, ao Campo Alegre (Arrábida) e prolongamentos para nascente a partir da rua da Constituição, da avenida dos Combatentes e rua de Gonçalo Cristovão.

 

De acordo com o pensamento de Ezequiel de Campos o prólogo ao Plano da Cidade do Porto de 1932, constitui uma reflexão sobre o futuro da cidade do Porto materializada no esboço de um plano onde o sistema de circulação viário seria facilitado através de sum sistema de eixos rodoviários que assegurassem para futura cidade do Porto uma circulação de pessoas e mercadorias, com rapidez e segurança, confortável e economicamente viável.

 

>Prólogo ao Plano da Cidade do Porto, Ezequiel de Campos (brochura)

>Traça das Ruas Primárias da Cidade do Porto 1932