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Plano de Renovação da Zona Central da Cidade 1915

Richard Barry Parker

 

Richard Barry Parker (n.1867 – f.1947) natural da cidade de Chesterfield do condado de Derbyshire na Inglaterra, filho mais velho de Robert Parker, gerente bancário, formou-se em arquitetura na “South Kensington School of Art” de Londres. Em 1889 estabelece atelier em Buxton, onde projeta três casas para seu pai, incluindo a casa de família em Moorlands. Em 1894 associa-se ao seu cunhado e meio primo Raymond Unwin, numa parceria de arquitetura de interiores estilo “arts and crafts” muito popular no início do século XX, em casas britânicas da classe média. Seguiram-se projetos de pequenas moradias operárias e planos para urbanizações suburbanas de escala mais vasta, envolvendo os edifícios em espaços verdes e abertos. Em 1898 Parker adere ao movimento “Garden City” idealizado pelo urbanista inglês Ebenezer Howard. Em 1903 juntamente com Raymond Unwin desenham o “masterplan” da primeira “cidade-jardim”, a “Letchworth Garden City” no condado de Hertfordshire, e em 1905 a “Hampstead Garden Suburb” implantada a norte de Londres.

 

Na primeira vereação republicana da Câmara Municipal do Porto eleita em 1914 destaca-se Elísio de Melo, vereador das obras, ao impulsionar um conjunto de operações urbanísticas alinhadas com a política transformadora do novo executivo municipal. A proposta para desenvolver o “Plano de Melhoramentos e Ampliação da Cidade do Porto” é aprovada na sessão de Câmara a 31 dezembro de 1914. Este plano deveria responder à imperativa necessidade de renovação das áreas centrais da cidade, dirigida com especial enfase às funções comerciais e financeiras, bem com à dignificação dos poderes da administração local. Nesse sentido o plano teria de prever um novo edifício dos Paços do Concelho enquadrado por uma ampla avenida central, desenhada a partir da Praça de D. Pedro. Deveria ainda propor nova ligação funcional da Praça Almeida Garrett ao tabuleiro superior da Ponte Luís I.

 

Em 1915 a Câmara convida o prestigiado urbanista Barry Parker a integrar a comissão técnica de avaliação do plano de melhoramentos. Parker aceita o desafio e chega ao Porto em agosto de 1915. Após reconhecimento geral a cidade dedica especial atenção às áreas centrais do Porto. Analisa depois toda a documentação técnica existente, incluindo as plantas da cidade e a maqueta da projetada avenida entre a Praça da Liberdade e a Trindade. Toda esta informação permite-lhe formular opinião aos membros da comissão de estética, sobre a forma de abrir e ampliar o congestionado centro da cidade, através de ampla e dignificante Avenida a enquadrar um moderno Centro Cívico. Desta estadia de Barry Parker na cidade resultou ainda o opúsculo “Memórias sobre a projetada Avenida da Cidade” (Da Praça da Liberdade ao Largo da Trindade”, setembro de 1915) onde descreve e detalha a evolução do projeto, as ideias que o nortearam e as discussões e contribuições locais ao plano junto dos serviços técnicos municipais. Este opúsculo inclui ainda uma planta com o desenho da área central e envolvente, com destaque para o eixo entre a Praça de Liberdade e a Praça da Trindade. Parker regressa a Inglaterra em outubro de 2015, e o plano da “Avenida da Cidade” é aprovado na sessão da Câmara Municipal de 29 de novembro 1915. Prosseguiu no entanto a polémica quanto à forma e localização do edifício dos Paços do Concelho, de tal forma que a Associação Industrial Portuense não se fez representar nas cerimónias oficiais de inauguração da Avenida.

 

Durante o ano de 1916 Barry Parker desenvolve em Inglaterra com os seus colaboradores, um conjunto de novos desenhos e uma maqueta do “Plano de Renovação para a zona Central da Cidade do Porto”. Detalha as ligações entre a Ponte Luiz I e a Praça da Trindade através de duas grandes avenidas: – da Praça D. Pedro à nova Câmara Municipal; e da Praça Almeida Garrett ao tabuleiro superior da Ponte D. Luís I. Para além disso articula uma trama de novos espaços de valorização do centro da cidade, incluindo a arquitetura dos edifícios das frentes urbanas da Avenida dos Aliados e o novo edifício dos Paços do Concelho. A imagem neoclássica proposta por Parker, inspirada no Porto do século XIX, será no entanto preterida pela corrente “beaux-arts” que dominará a arquitetura das frentes urbanas da Avenida, com destaque para o emblemático edifício sede dos Paços do Concelho desenhado por Correia da Silva.

 

O trabalho de Barry Parker inaugurou um novo ciclo de planeamento urbano no Porto não se cingindo a intervenções pontuais, focou-se num desenho integrado do Centro Cívico, estruturador das penetrações a norte e a sul da área central, em articulação com as atividades do comércio, dos serviços e do poder local, rematado por um novo edifício dos Paços do Concelho. E para além das áreas centrais Parker, desenvolveu ainda outros estudos de desenho urbano na vasta área entre a zona da Sé e a Praça do Marquês de Pombal, afirmando para sempre o seu cunho pessoal na evolução urbana da cidade do Porto.

 

>Opúsculo - Memórias sobre a projetada Avenida da Cidade (1915)

>Avenida da Cidade (1915) vs Aliados (2023)

>Avenida da Cidade (key to sections – 1915)

>Plano Geral do Centro da Cidade e Avenida da Ponte (1916)

>Edifícios da Avenida da Ponte (da Estação de S.Bento à Ponte Luíz I – 1916)

>Edifício dos Paços do Concelho (plantas, cortes e alçados – 1916)

>Edifício dos Paços do Concelho (alçados e contorno da igreja da Trindade – 1916)

>Edifícios no cruzamento da Rua do Almada (1916)

>Maqueta da Avenida da Cidade (1916)